Opções de pesquisa
Página inicial Sala de Imprensa Notas explicativas Estudos e publicações Estatísticas Política monetária O euro Pagamentos e mercados Carreiras
Sugestões
Ordenar por

Relatório Anual do BCE de 2025

O ano em retrospetiva

Em 2025, o Banco Central Europeu (BCE) conseguiu reconduzir a inflação ao seu objetivo de médio prazo de 2%, após uma sucessão de crises – a pandemia, as consequências económicas da invasão injustificada da Ucrânia pela Rússia – a ter elevado para máximos históricos em finais de 2022.

Em resposta ao maior choque inflacionista no espaço de uma geração, o BCE aplicou a maior sucessão de aumentos da restritividade da política monetária da sua história, subindo as taxas de juro diretoras num valor recorde de 450 pontos base entre julho de 2022 e setembro de 2023, e comprometendo‑se a manter as taxas em níveis suficientemente restritivos enquanto fosse necessário.

Esse aumento da restritividade funcionou. A inflação na área do euro desceu marcadamente e, a partir de meados de 2024, o BCE iniciou uma redução gradual da restritividade da sua política monetária. No início de 2025, o processo de desinflação estava bem encaminhado e as projeções do BCE indicavam um retorno da inflação ao objetivo.

O ano trouxe, porém, um grande choque geopolítico. Os Estados Unidos, o maior mercado de exportação da Europa, cercou‑se de um muro de tarifas aduaneiras – uma medida que ameaçava afetar negativamente o crescimento da área do euro e tornava as perspetivas de inflação muito mais incertas.

Quando o choque ocorreu, os efeitos inflacionistas foram contidos. A Europa absteve‑se de retaliar em grande escala e a apreciação da taxa de câmbio do euro atenuou as pressões sobre os preços das importações.

Como a inflação mantinha a trajetória projetada, o Conselho do BCE pôde continuar a reduzir as taxas de juro diretoras, baixando‑as num total de 100 pontos base em quatro etapas consecutivas, a fim de reduzir a principal taxa de política monetária (a taxa de juro da facilidade permanente de depósito) para 2,00% até junho.

Cada decisão foi guiada pela função de reação do Conselho do BCE, com base em três elementos: a avaliação das perspetivas de inflação, a dinâmica da inflação subjacente e a força da transmissão da política monetária. Ao tomar as suas decisões, o Conselho do BCE seguiu uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião, sem se comprometer previamente com uma trajetória de taxas específica.

A economia da área do euro mostrou, entretanto, uma resiliência surpreendente a uma conjuntura mundial difícil.

Essa resiliência deveu‑se, em parte, a um abastecimento prévio – realizado pelas empresas nos primeiros meses do ano em antecipação de novas barreiras ao comércio – que impulsionou temporariamente a indústria transformadora europeia. Esse impulso desvaneceu‑se com a efetivação do aumento das tarifas e com o enfraquecimento da indústria transformadora confrontada com desafios de competitividade.

Mais importante ainda, a economia da área do euro foi sustentada por um fortalecimento efetivo da procura interna, que mais do que compensou o choque externo. O crescimento em 2025 deveu‑se integralmente à procura interna.

O investimento foi talvez o desenvolvimento mais encorajador.

O investimento empresarial registou um ritmo de expansão robusto, impulsionado por domínios intangíveis – inteligência artificial (IA), software e digitalização – devido a uma nova urgência das empresas europeias em adotar tecnologia digital. E, perto do final do ano, começaram a sentir‑se os efeitos da maior despesa em defesa da Alemanha, que constituiu, em si, uma resposta à nova conjuntura geopolítica.

O crescimento da área do euro atingiu 1,4% em 2025 – quase um terço mais forte do que o projetado no início do ano e um testemunho da resiliência da economia.

No conjunto, esta evolução permitiu ao Conselho do BCE manter as taxas de juro constantes a partir de julho. Com a inflação em torno do nosso objetivo de médio prazo, as expetativas de inflação a mais longo prazo bem ancoradas e uma orientação globalmente neutra da política monetária, o Conselho do BCE estava bem preparado e posicionado para responder a choques futuros em ambos os sentidos.

Em 2025, o Conselho do BCE também formalizou de que modo interpretaria e reagiria a choques futuros, através da avaliação da sua estratégia de política monetária – um esforço colaborativo do Eurosistema concluído em junho. Menos abrangente do que o reexame de 2021, incorporou ensinamentos retirados da mudança do enquadramento da inflação e da resposta em termos de políticas que se seguiu.

A avaliação de 2025 reafirmou o objetivo simétrico de 2% para a inflação no médio prazo como a pedra angular da estratégia do BCE. Além disso, alargou essa simetria à função de reação: grandes desvios sustentados em relação ao objetivo, num sentido ou noutro, seriam resolvidos por meio de medidas adequadamente vigorosas ou persistentes. O Conselho do BCE sublinhou ainda a importância de ter em conta não apenas a trajetória mais provável da inflação e do crescimento, mas também os riscos e a incerteza em torno dessa trajetória, nomeadamente através de análises de cenários e de sensibilidade.

Para além da política monetária, o BCE realizou progressos numa série de outros domínios em 2025.

Perante o dinamismo crescente do debate sobre a redução da complexidade regulamentar na Europa, o Conselho do BCE criou um grupo de trabalho de alto nível sobre simplificação, mandatado para desenvolver propostas de racionalização dos quadros europeus de regulamentação, supervisão e reporte. O grupo publicou as suas recomendações no final do ano, como contributo para a Comissão Europeia elaborar um relatório sobre a situação geral do sistema bancário europeu.

Registaram‑se também desenvolvimentos assinaláveis nas infraestruturas de mercado e pagamentos.

O sistema de gestão de ativos de garantia do Eurosistema foi lançado em junho, substituindo as plataformas nacionais fragmentadas por um sistema único de gestão de ativos de garantia. Os pagamentos imediatos denominados em euros liquidados utilizando o serviço de liquidação de pagamentos imediatos através do TARGET (TARGET Instant Payment Settlement – TIPS) aumentaram 132%, em virtude da entrada em vigor em 2025 dos requisitos do regulamento em matéria de pagamentos imediatos, que obriga os prestadores de serviços de pagamento na área do euro a estarem aptos a receber e enviar pagamentos imediatos.

O Conselho do BCE também avançou para a fase seguinte do projeto do euro digital, centrada na preparação técnica, na interação com o mercado e no processo legislativo, com o objetivo de estar preparado para um possível exercício‑piloto em 2027 e uma potencial emissão em 2029.

O trabalho relacionado com o redesenho das notas de euro prosseguiu em paralelo, refletindo o compromisso do BCE de manter o numerário a par da moeda digital. O Conselho do BCE selecionou os motivos ilustrativos dos dois possíveis temas para a próxima série de notas de euro – “Cultura europeia: espaços culturais partilhados” e “Rios e aves: resiliência na diversidade” – e, em junho, lançou um concurso para o desenho das novas notas.

A qualidade dos estudos do BCE continuou a obter amplo reconhecimento internacional, o que reflete a excelência dos nossos investigadores. O BCE ocupa agora o primeiro lugar no mundo no domínio da economia monetária, de acordo com o “Research Papers in Economics” – um índice amplamente utilizado de estudos económicos.

No final do ano, a área do euro estava pronta a acolher a Bulgária como 21.º país participante, reafirmando a atratividade do euro num momento de crescente incerteza geopolítica. O apoio ao euro entre os cidadãos da área do euro atingiu um nível recorde de 83% na primavera e manteve‑se forte ao longo do ano.

Nenhum dos aspetos acima mencionados teria sido possível sem a dedicação e os conhecimentos especializados do pessoal do BCE, cujo trabalho em 2025 é apresentado em pormenor neste Relatório Anual.

Frankfurt am Main, maio de 2026

Christine Lagarde

Presidente

O ano em números

A atividade económica resistiu não obstante os desafios a nível mundial

A inflação global evoluiu no sentido do objetivo

O produto interno bruto (PIB) real da área do euro cresceu 1,4% em 2025, face a 0,9% em 2024.

Os serviços permaneceram mais resilientes do que a indústria, perante a elevada incerteza da conjuntura mundial.

A inflação global desceu para 2,1% em 2025, face a 2,4% em 2024, aproximando‑se do objetivo de médio prazo de 2%.

O BCE continuou a reduzir as taxas de juro diretoras

O BCE manteve‑se entre os melhores do mundo nos estudos económicos

No primeiro semestre de 2025, o BCE reduziu as suas taxas de juro diretoras em 100 pontos base, baixando a taxa da facilidade permanente de depósito para 2,00% em junho, devido à persistência de sinais de que a inflação estava a evoluir de forma sustentada no sentido do objetivo de 2%.

Ao longo de 2025, o índice de estudos económicos RePEc (do inglês, “Research Papers in Economics”) classificou o BCE em primeiro lugar nos domínios da economia monetária e da banca e em segundo lugar no domínio da macroeconomia.

A resiliência dos bancos da área do euro aumentou

Os pagamentos imediatos em euros liquidados através do TIPS registaram uma subida acentuada

No terceiro trimestre de 2025, o rácio de fundos próprios principais de nível 1 (Common Equity Tier 1 – CET1) agregado situou‑se em 16,1%. Este resultado demonstra a forte resiliência do setor bancário da área do euro, que beneficiou também de uma rentabilidade robusta e de um rácio de créditos não produtivos próximo dos mínimos históricos.

O regulamento em matéria de pagamentos imediatos – por força do qual os prestadores de serviços de pagamento na área do euro têm de estar aptos a receber e enviar pagamentos imediatos – gerou um aumento substancial da atividade denominada em euros no serviço de liquidação de pagamentos imediatos através do TIPS. O número médio diário de operações aumentou de 1 657 421 pagamentos em dezembro de 2024 para 3 845 367 em dezembro de 2025.

O nível de apoio ao euro foi o mais elevado de sempre

A percentagem de obrigações verdes na carteira de fundos próprios do BCE subiu

No inquérito Eurobarómetro Standard da primavera de 2025 da Comissão Europeia, 83% das pessoas da área do euro inquiridas manifestaram‑se a favor de uma união económica e monetária europeia com uma moeda única, o euro. Este resultado revelou que o apoio à nossa moeda única – o euro – atingiu o nível mais elevado de sempre.

Como parte da sua estratégia de apoio à transição ecológica, o BCE continuou a aumentar a percentagem de investimentos verdes da sua carteira de fundos próprios, tendo estes passado de 1% em 2019 para 33% no final de 2025.

1 A política monetária do BCE conteve as pressões inflacionistas

A atividade económica mundial permaneceu resiliente em 2025, não obstante os fatores adversos acrescidos relacionados com o comércio. Os efeitos da viragem da política comercial dos Estados Unidos no crescimento mundial foram atenuados por políticas de apoio, um forte investimento associado à IA e uma antecipação de importações. Verificou‑se uma expansão do comércio mundial em resultado dessa antecipação de importações provocada pelas expetativas de tarifas mais elevadas, mas o dinamismo enfraqueceu na parte final do ano, com o desvanecimento destes efeitos e a materialização do impacto das tarifas mais altas. A inflação mundial continuou a abrandar, embora a um ritmo mais lento e com um padrão menos sincronizado do que em anos anteriores. O euro registou uma apreciação em termos efetivos nominais e, mais marcadamente, face ao dólar dos Estados Unidos. A economia da área do euro exibiu uma recuperação moderada, mas generalizada, em 2025, tendo o crescimento da produtividade do trabalho passado a ser positivo, enquanto o crescimento do emprego enfraqueceu ligeiramente. A dinâmica de crescimento foi apoiada pela política monetária menos restritiva, mas a economia enfrentou desafios relacionados com a incerteza acerca das tarifas e a situação geopolítica. Apesar de a indústria ter exibido alguma volatilidade, os serviços mantiveram‑se mais estáveis, sustentando o crescimento. Em 2025, a inflação global na área do euro continuou a evoluir no sentido do objetivo de médio prazo de 2% do BCE, impulsionada pelo anterior aumento da restritividade da política monetária, pela diminuição das pressões acumuladas decorrentes dos preços dos produtos energéticos e das matérias‑primas não energéticas, assim como, de um modo mais geral, pelas pressões reduzidas sobre os preços das importações. A maioria dos indicadores da inflação subjacente exibiu uma nova moderação gradual no decurso de 2025, apoiando a evolução da inflação global no sentido de taxas próximas do objetivo. Neste enquadramento económico e em resultado da política monetária menos restritiva e de um aumento das taxas de juro de longo prazo reais, a inclinação das curvas de rendimentos da área do euro acentuou‑se e os preços das ações subiram consideravelmente. As condições de financiamento das empresas e das famílias da área do euro continuaram a abrandar no início do ano, estabilizando depois de uma forma geral. Contudo, a recuperação do crédito bancário permaneceu fraca e o crescimento da moeda em sentido lato (o agregado monetário largo) foi lento.

1.1 O crescimento mundial manteve‑se resiliente apesar da viragem na política comercial dos Estados Unidos

A economia mundial deu provas de resiliência em 2025 e continuou a registar uma expansão moderada, mantendo‑se globalmente inalterada face a 2024, com um crescimento de 3,4%. O ano foi marcado por uma importante mudança nas prioridades da política económica dos Estados Unidos, que levou a um aumento das tarifas do país para o seu nível mais elevado em quase um século. Embora o impacto geral na economia mundial tenha sido amortecido por uma resposta limitada dos parceiros comerciais, a incerteza em torno dos futuros acordos de comércio permaneceu elevada (gráfico 1.1), ensombrando as perspetivas comerciais. Não obstante estes fatores adversos, vários fatores compensatórios apoiaram a atividade mundial. O forte investimento associado aos avanços na IA impulsionou o comércio de produtos relacionados com tecnologia e contribuiu para ganhos nos mercados acionistas em algumas economias, em especial nos Estados Unidos. Além disso, as empresas e as famílias aceleraram compras de bens estrangeiros em antecipação de possíveis aumentos das tarifas, apoiando – pelo menos temporariamente – a produção na indústria transformadora e as exportações, incluindo na China. Uma combinação de políticas, de um modo geral, favorável nas grandes economias – em particular, em termos de política orçamental – também atenuou os entraves gerados pelas tensões comerciais. No entanto, o dinamismo do crescimento mundial enfraqueceu na parte final do ano, com o desvanecimento dos fatores positivos temporários, ao passo que as barreiras ao comércio e a incerteza continuaram a afetar negativamente a confiança e o investimento, embora em menor grau do que no primeiro semestre.

Gráfico 1.1

Tarifas efetivas e incerteza da política comercial dos Estados Unidos

a) Tarifas efetivas

b) Incerteza da política comercial

(tarifas ad valorem (%) sobre importações de bens)

(índice)

Fontes: Painel a): US International Trade Commission, US Census Bureau e cálculos de especialistas do BCE; painel b): cálculos de especialistas do BCE e Caldara et al. (2020)[1].
Notas: Painel a): as tarifas efetivas são calculadas segundo a perspetiva da receita, ou seja, dividindo os direitos cobrados pelo valor das mercadorias importadas. Os dados correspondem a médias anuais. A última observação refere‑se a 2025. Painel b): o índice constitui uma versão corrigida do índice proposto por Caldara et al. (2020), que mede a percentagem mensal de artigos, publicados em sete jornais internacionais, nos quais a incerteza da política comercial é abordada. A série corrigida elimina influências de fontes de incerteza mais gerais (como a incerteza geral das políticas económicas, as tensões geopolíticas e as tensões nos mercados), a fim de isolar melhor a incerteza específica da política comercial[2]. O índice é uma média móvel de 3 meses. A última observação refere‑se a dezembro de 2025.

O comércio mundial registou uma expansão em resultado da antecipação de importações, mas o dinamismo desvaneceu‑se na parte final do ano

O comércio mundial apresentou um crescimento robusto em 2025, aumentando 4,7%. O aumento refletiu um forte crescimento das importações no primeiro semestre, quando as famílias e as empresas anteciparam decisões de consumo e de investimento devido às expetativas de tarifas mais elevadas. Além disso, os padrões do comércio ajustaram‑se ao novo panorama de tarifas, tendo alguns fluxos sido redirecionados para outros países. O comércio – em especial, as exportações de países asiáticos – também foi apoiado pela elevada procura de bens para implantação de IA, num contexto de forte investimento em equipamento de tecnologias da informação e comunicação (TIC) nos Estados Unidos e noutras economias avançadas. No segundo semestre, o crescimento do comércio abrandou acentuadamente, com a dissipação da antecipação anterior e a concretização dos efeitos das tarifas mais elevadas.

A inflação mundial continuou a abrandar, com diferenças entre as principais economias

A inflação mundial continuou a abrandar em 2025, embora com um padrão menos sincronizado do que no ano anterior. A inflação global medida pelo índice de preços no consumidor (IPC) desceu de 3,0% em dezembro de 2024 para 2,2% em dezembro de 2025 (gráfico 1.2). A desaceleração foi moderada por uma nova subida da inflação dos preços dos bens, enquanto a inflação dos preços dos serviços se manteve persistente em muitas economias. A evolução da inflação variou entre países. Nos Estados Unidos, a inflação global permaneceu acima do objetivo, tendo os aumentos das tarifas conduzido a uma aceleração significativa da inflação dos preços dos bens. No Reino Unido, a inflação era mais elevada no final de 2025 do que no final do ano precedente, devido a preços administrados e dos produtos alimentares mais elevados, bem como ao desvanecimento do impacto de anteriores descidas dos preços dos produtos energéticos. Em contraste, na China, a inflação manteve‑se fraca, refletindo a fraqueza da procura interna associada à contração prolongada do setor imobiliário e ao persistente excesso de capacidade industrial.

Gráfico 1.2

Taxas de inflação global e de inflação subjacente

a) Inflação global a nível mundial e respetivas componentes

b) Inflação em grandes economias

(taxas de variação homólogas (%); dados mensais)

(taxas de variação homólogas (%); dados mensais)

Fontes: Fontes nacionais e Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económicos (OCDE), através da Haver Analytics, e cálculos de especialistas do BCE.
Notas: Painel a): a inflação mundial é calculada com base nos IPC nacionais e nas ponderações anuais do PIB expressas em termos de paridade do poder de compra (PPC). O agregado é calculado com base em 22 países e na área do euro, abrangendo 81% do PIB mundial em termos de PPC. Os contributos das componentes para a inflação global são calculados utilizando as ponderações do IPC da OCDE. A inflação dos preços dos bens e serviços essenciais exclui produtos energéticos e produtos alimentares. As últimas observações referem‑se a dezembro de 2025. Painel b): as últimas observações referem‑se a dezembro de 2025.

Gráfico 1.3

Preços do gás europeu e do petróleo

(escala da esquerda: USD/barril; escala da esquerda: EUR/MWh)

Fontes: LSEG, Instituto de Economia Internacional de Hamburgo (Hamburgische WeltWirtschaftsInstitut – HWWI) e cálculos de especialistas do BCE.
Nota: As últimas observações referem‑se a 31 de dezembro de 2025.

Os preços das matérias‑primas energéticas apresentaram uma tendência descendente, devido a uma combinação de fatores do lado da procura e da oferta

Os preços dos produtos energéticos eram mais baixos no final de 2025 do que um ano antes, refletindo descidas dos preços do gás europeu e do petróleo (gráfico 1.3). Os preços do petróleo Brent baixaram 19%, devido a uma combinação de fatores do lado da procura e do lado da oferta. Do lado da procura, a atividade económica mundial enfraqueceu na sequência dos litígios em torno das tarifas que tiveram início em abril. Do lado da oferta, sucessivos aumentos da produção pelo grupo dos principais produtores de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (a OPEP+) resultaram num excedente considerável no mercado no final do ano. Todavia, os preços registaram alguma volatilidade em junho, perante as tensões acrescidas no Médio Oriente, em particular após os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, mas a breve subida acentuada abrandou após o anúncio do cessar‑fogo em Gaza mediado pelos Estados Unidos. Os preços do gás europeu desceram 42% na comparação de fim de ano, mantendo‑se bastante abaixo do máximo registado em 2022. Os preços do gás começaram por subir no início do ano, devido ao termo da vigência do acordo de trânsito de gás entre a Rússia e a Ucrânia e a preocupações quanto à adequação do armazenamento de gás europeu no inverno de 2025/2026. Depois registaram um movimento descendente, devido a um consumo europeu relativamente fraco, a uma procura moderada de gás natural liquefeito asiático e, na parte final do ano, a perspetivas renovadas de um fim da guerra da Rússia contra a Ucrânia.

O euro apreciou‑se em termos efetivos nominais e, mais marcadamente, face ao dólar dos Estados Unidos, em comparação com o final de 2024

O euro registou uma apreciação de 6,8% em termos efetivos nominais e de 13,1% face ao dólar dos Estados Unidos, em comparação com o final de 2024. A maior parte da apreciação face ao dólar ocorreu no primeiro semestre. Esta mudança adveio da maior incerteza quanto às políticas tarifárias dos Estados Unidos – o que pesou sobre o dólar e desencadeou uma aceleração dos fluxos de capital para ativos da área do euro – assim como de ajustamentos no comportamento de cobertura de riscos e da maior resiliência da economia da área do euro do que o esperado. Nos meses subsequentes, o euro foi transacionado num intervalo relativamente estreito, visto que, em geral, as pressões em sentido descendente e ascendente se compensaram entre si. As expetativas do mercado em relação à escala à qual o Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos reduziria a taxa diretora oscilaram repetidamente à medida que novos dados económicos eram disponibilizados. As pressões em alta relacionadas com as tarifas tenderam a apoiar o dólar, ao reduzirem as expetativas de cortes das taxas de juro, ao passo que os sinais de abrandamento no mercado de trabalho tiveram o efeito oposto. Além disso, é provável que a incerteza regulamentar e institucional, a par de preocupações acerca do encerramento da administração federal dos Estados Unidos, tenha afetado negativamente o dólar. Além da sua apreciação substancial face ao dólar dos Estados Unidos, o euro registou igualmente um fortalecimento em termos ponderados pelo comércio. Registou ganhos notáveis face a algumas moedas asiáticas, incluindo o iene do Japão (+12,9%), num contexto de incerteza acerca da orientação das políticas monetária e orçamental do Japão. O euro apreciou‑se ainda face a outras importantes moedas de reserva, como a libra esterlina (+5,2%) e o dólar canadiano (+7,6%). Em contrapartida, depreciou‑se ligeiramente face ao franco suíço (−1,0%), que continuou a ser considerado seguro em períodos de elevada incerteza.

1.2 A atividade económica resistiu não obstante a elevada incerteza a nível mundial

A atividade económica manteve‑se resiliente, num contexto de desafios mundiais, em particular no comércio internacional

O crescimento do PIB real da área do euro aumentou para 1,4% em 2025, face a 0,9% em 2024 (gráfico 1.4). A mudança gradual do BCE de uma orientação restritiva para uma orientação mais neutra da política monetária, a antecipação de uma orientação orçamental menos restritiva e o abrandamento da inflação desempenharam um papel importante no apoio à recuperação moderada, mas generalizada. O panorama económico foi também fortemente influenciado pelas tensões geopolíticas, pela elevada incerteza relacionada com as tarifas – em especial, dos Estados Unidos – assim como pela volatilidade da situação geopolítica em algumas regiões do mundo, tendo estes fatores afetado a confiança e as cadeias de produção. A ligeira recuperação do setor da indústria transformadora e um setor dos serviços mais estável foram fundamentais para entender por que razão a economia da área do euro permaneceu relativamente resiliente em 2025, não obstante o enquadramento difícil.

Gráfico 1.4

PIB real e valor acrescentado bruto da área do euro

(taxas de variação homólogas (%); contributos em pontos percentuais)

Fonte: Eurostat.
Nota: As últimas observações referem‑se a 2025.

Um primeiro trimestre forte, que refletiu a antecipação de exportações, foi seguido de um abrandamento do crescimento

O valor acrescentado bruto real na indústria aumentou 2,2% em 2025, após uma contração de 0,5% em 2024. A recuperação ocorreu sobretudo a partir do primeiro trimestre, refletindo o impulso temporário da produção para acomodar a antecipação de exportações, devido às expetativas de tarifas mais elevadas, subsequentemente impostas pela nova administração dos Estados Unidos. Contudo, a dinâmica de crescimento abrandou de forma considerável no resto do ano, espelhando as tarifas mais elevadas, a concorrência mundial cada vez maior, os custos energéticos persistentemente altos e a incerteza elevada, embora em diminuição, das políticas económicas. Apesar de as taxas de juro diretoras do BCE terem permanecido altas durante a maior parte de 2024, sinais mais claros de iminente redução da restritividade no início de 2025 reduziram a incerteza e melhoraram as condições de crédito das empresas. Esta evolução ajudou o investimento a recuperar, sobretudo nos setores da indústria transformadora, antes restringidos pelos elevados custos de financiamento. O valor acrescentado bruto real dos serviços cresceu 1,2% em 2025, tendo abrandado face a 1,5% em 2024, mas sustentou, ainda assim, o crescimento da área do euro. A desaceleração do crescimento dos serviços resultou, em parte, da precaução das famílias, refletida num elevado nível de poupança, num contexto de riscos geopolíticos persistentes e de elevada incerteza económica. Ao mesmo tempo, os serviços digitais e de TIC permaneceram relativamente resilientes, beneficiando da continuação do investimento empresarial em automatização, cibersegurança e integração de IA.

O consumo privado acelerou, impulsionado pelo consumo de bens

O consumo privado acelerou ligeiramente em 2025, tendo aumentado 1,5% em comparação com o ano precedente. O consumo de bens registou um crescimento mais forte no início do ano, enquanto a despesa em serviços ganhou mais dinamismo a partir do segundo trimestre, abrandando, porém, no terceiro trimestre. Em geral, o consumo de bens registou uma expansão maior do que o consumo de serviços (gráfico 1.5). O crescimento do rendimento disponível real apoiou a despesa das famílias, dado que o crescimento dos salários nominais permaneceu robusto, a inflação continuou a descer e o crescimento do emprego demonstrou ser resiliente, embora tenha sido ligeiramente mais fraco do que em 2024. Não obstante, o consumo privado permaneceu desfasado em relação à evolução do rendimento disponível real, tendo a taxa de poupança permanecido elevada devido aos riscos geopolíticos acrescidos e à maior incerteza económica.

Gráfico 1.5

Consumo, investimento em outros setores exceto construção e investimento em habitação na área do euro

(índices: 2022 = 100)

a) Consumo privado


b) Investimento

Fontes: Eurostat e cálculos do BCE.
Notas: No painel a), “Consumo privado” refere‑se ao conceito nacional de “consumo” e as suas componentes referem‑se ao conceito interno de “consumo”. No painel b), o investimento em outros setores exceto construção é a soma ponderada dos ativos intangíveis e tangíveis. Tanto o investimento em outros setores exceto construção como os ativos intangíveis excluem os ativos intangíveis irlandeses. As últimas observações referem‑se ao quarto trimestre de 2025.

O investimento em habitação começou a recuperar

Após uma queda acentuada em 2024, que espelhou uma procura fraca e o impacto desfasado de condições de financiamento mais restritivas, o investimento em habitação começou a recuperar em 2025. Essa recuperação refletiu, em grande parte, melhorias nas condições de financiamento e a continuação do aumento dos rendimentos reais das famílias, tendo ambos os fatores melhorado a acessibilidade de preços e contribuído para estabilizar a procura de habitação no decurso do ano. Ainda assim, o investimento em habitação permaneceu mais fraco do que o consumo privado e o investimento em outros setores exceto construção, sublinhando a fase inicial da sua recuperação.

O investimento empresarial foi apoiado pela procura crescente e pela menor restritividade das condições de financiamento, não obstante fatores adversos

O investimento em outros setores exceto construção (um indicador aproximado utilizado normalmente nas contas nacionais para o investimento empresarial e que exclui a construção do investimento total, na ausência de estatísticas disponíveis sobre o investimento privado e público) cresceu substancialmente em 2025, impulsionado pela procura crescente e pela menor restritividade das condições de financiamento, em virtude de o BCE ter continuado a reduzir as suas taxas de juro diretoras no primeiro semestre. Comparativamente a 2024, aumentou, em geral, 4,4% em 2025, não obstante a considerável volatilidade trimestral ao longo do ano. Excluindo os ativos intangíveis voláteis irlandeses – que são consideravelmente influenciados pela atividade de empresas multinacionais – o investimento empresarial aumentou 2,2% em 2025 (ver o gráfico 1.5). Este resultado reflete a continuação da divergência entre a dinâmica do investimento em ativos tangíveis e em ativos intangíveis observada nos últimos anos. O investimento em ativos tangíveis – como maquinaria, equipamento e transportes – foi travado pelas tarifas mais altas e pela elevada incerteza. Em contrapartida, o investimento em ativos intangíveis cresceu consideravelmente, impulsionado por avanços na digitalização, em especial nos domínios da IA e do desenvolvimento de software. Além disso, a recuperação do crescimento dos lucros e os efeitos de repercussão do programa do Instrumento de Recuperação da União Europeia (UE) “NextGenerationEU” (NGEU) apoiaram o investimento em 2025, ajudando a compensar os efeitos adversos das perdas de competitividade. As empresas também reportaram que a regulamentação onerosa tinha refreado o investimento no ano precedente.

As exportações da área do euro mantiveram‑se fracas, devido à subida das e elevada incerteza quanto às tarifas e a um euro mais forte

A evolução do comércio em 2025 foi marcada por uma volatilidade acentuada e desafios estruturais para a área do euro. As exportações da área do euro registaram um aumento acentuado no primeiro trimestre, impulsionadas pela antecipação de encomendas, devido às expetativas de tarifas mais elevadas dos Estados Unidos e espelhando, em grande parte, um pico nas remessas de produtos farmacêuticos, em particular da Irlanda. Porém, este dinamismo foi temporário. No segundo trimestre, as exportações registaram uma contração, devido às tarifas mais elevadas impostas pelos Estados Unidos, a um euro forte e a uma procura mundial fraca, tendo as exportações de produtos farmacêuticos exibido flutuações acentuadas. As exportações recuperaram no terceiro trimestre em resultado do aumento das vendas de produtos farmacêuticos para os Estados Unidos, mas o dinamismo subjacente permaneceu fraco. O acordo comercial celebrado pelos Estados Unidos e a UE em julho estabeleceu um limite máximo de 15% para as tarifas dos Estados Unidos sobre bens da UE e ajudou a atenuar a incerteza ainda elevada quanto às políticas comerciais (gráfico 1.1). No entanto, indicadores prospetivos sugeriam uma continuação da fraqueza das encomendas de exportações da indústria transformadora. As importações apresentaram um crescimento moderado em 2025, dinamizado pelo aumento dos volumes importados da China – reflexo, em parte, de um redirecionamento de fluxos comerciais em resultado das tensões entre a China e os Estados Unidos – e por um euro mais forte, que reduziu o custo das importações. Os preços das importações da área do euro também permaneceram sob pressão em sentido descendente, à medida que as pressões sobre os preços das matérias‑primas energéticas continuavam a diminuir. O afluxo de bens chineses a preços competitivos num contexto de excesso de capacidade persistente na indústria transformadora chinesa intensificou a concorrência para os produtores internos, ao passo que as restrições chinesas às exportações de fatores de produção críticos, como terras raras, destacaram vulnerabilidades nas cadeias de abastecimento da área do euro.

Mercado de trabalho

O mercado de trabalho da área do euro enfraqueceu, enquanto a produtividade do trabalho recuperou

Após um período de acumulação de mão de obra, em 2025, o crescimento do emprego abrandou, em relação aos últimos anos, e indicadores de inquéritos sugeriram que o mercado de trabalho da área do euro continuou a arrefecer ao longo do ano (gráfico 1.6). A taxa de desemprego oscilou entre 6,3% e 6,4%, tendo sido de 6,3% em dezembro – um dos níveis mais baixos desde a introdução do euro e 1,2 pontos percentuais abaixo do nível anterior à pandemia observado em janeiro de 2020. O emprego total e o total de horas trabalhadas aumentaram em 2025, respetivamente, cerca de 0,7% e 0,6%, ou seja, a uma taxa mais baixa do que o PIB real, que registou um crescimento de 1,5%. Esta evolução levou a uma recuperação do crescimento da produtividade do trabalho. O crescimento mais forte da produtividade do trabalho indicou uma redução da retenção de mão de obra, ou seja, empresas que detêm um número de trabalhadores superior ao requerido para as necessidades de curto prazo da produção. Tal foi igualmente indicado pela nova diminuição da taxa de postos de trabalho por preencher, que desceu do máximo observado no segundo trimestre de 2022 para 2,2% no quarto trimestre de 2025, situando‑se abaixo do seu nível pré‑pandemia de 2,3%. Em geral, a média de horas trabalhadas apresentou um movimento em sentido descendente em 2025, com uma volatilidade considerável e diferenças significativas entre países[3]. A taxa de participação da população ativa na faixa etária dos 15 aos 74 anos subiu para 66,2% no quarto trimestre de 2025, ou seja, 1,6 pontos percentuais acima do nível observado antes da pandemia. As mulheres, os trabalhadores mais velhos, as pessoas com curso superior e os trabalhadores estrangeiros foram os que mais contribuíram para este aumento da população ativa.

Gráfico 1.6

Mercado de trabalho

(escala da esquerda: taxas de variação homólogas (%); escala da direita: em percentagem)

Fontes: Eurostat e cálculos do BCE.
Nota: As últimas observações referem‑se a dezembro de 2025 para a taxa de desemprego e ao quarto trimestre de 2025 para o emprego, o total e a média de horas trabalhadas e a produtividade por hora trabalhada.

1.3 É necessário priorizar a despesa pública em períodos de margem de manobra orçamental limitada

Projeta‑se apenas um aumento moderado da restritividade orçamental em 2025

Espera‑se que o défice das administrações públicas da área do euro tenha diminuído marginalmente para 3,0% do PIB em 2025 (gráfico 1.7), face a 3,1% em 2024 e 3,5% em 2023. O aumento considerável da restritividade orçamental em 2024 deveu‑se à cessação gradual das medidas governamentais remanescentes, introduzidas para compensar as famílias e as empresas pelos níveis elevados quer dos preços dos produtos energéticos quer da inflação. Em contraste, o aumento apenas moderado projetado para a restritividade da orientação orçamental em 2025 advém de impostos e contribuições para a segurança social mais elevados, que não são totalmente compensados pelo maior crescimento da despesa pública primária (incluindo rubricas financiadas pelo programa do NGEU), nem pela subida dos pagamentos de juros.

Gráfico 1.7

Saldo orçamental da área do euro e respetivas componentes

(em percentagem do PIB)

Fontes: Cálculos do BCE e Projeções macroeconómicas para a área do euro elaboradas por especialistas do Eurosistema – dezembro de 2025.
Nota: Os dados referem‑se ao setor agregado das administrações públicas dos países da área do euro (excluindo a Bulgária).

Espera‑se que o rácio da dívida em relação ao PIB da área do euro tenha aumentado para 87,3% do PIB em 2025, face ao seu nível já elevado de 86,6% do PIB em 2024. Mantém‑se muito acima do nível pré‑pandemia de 83,6%, registado em 2019 (gráfico 1.8). O aumento projetado do rácio da dívida em 2025 resulta do défice primário agregado e de ajustamentos défice‑dívida positivos, que são apenas parcialmente compensados por um diferencial favorável, mas decrescente, entre taxa de juro e taxa de crescimento.

Gráfico 1.8

Dívida pública da área do euro

(em percentagem do PIB)

Fontes: Cálculos do BCE e Projeções macroeconómicas para a área do euro elaboradas por especialistas do Eurosistema – dezembro de 2025.
Nota: Os dados referem‑se ao setor agregado das administrações públicas dos países da área do euro (excluindo a Bulgária).

As necessidades de despesa estratégica estão a exercer pressão no sentido ascendente sobre a dívida pública

As necessidades de despesa estratégia, nomeadamente em defesa e infraestruturas e nas transições digital e ecológica – a par do envelhecimento da população – estão a exercer pressão no sentido ascendente sobre a dívida pública[4]. No que respeita, em particular, à despesa em defesa, alguns dos países da área do euro com os níveis de dívida mais baixos utilizaram a sua margem de manobra orçamental, o que resultou em rácios da dívida mais elevados do que antes de a Rússia invadir a Ucrânia em 2022. De um modo mais geral, o quadro de governação orçamental da UE revisto, adotado em abril de 2024, proporciona alguma flexibilidade orçamental para acomodar parte das pressões sobre a despesa. De facto, no âmbito dos seus planos estruturais de médio prazo, vários países utilizaram a oportunidade de prolongar o período de consolidação, de quatro para sete anos, em troca de reformas estruturais e investimento, reduzindo, assim, o respetivo esforço de ajustamento orçamental anual. Além disso, a cláusula de derrogação nacional – ativada para 11 países da área do euro – proporciona flexibilidade temporária para um país se desviar da sua trajetória de despesa líquida em resultado do aumento da despesa em defesa, desde que esse desvio não coloque em risco a sustentabilidade orçamental no médio prazo[5]. Atendendo a que a flexibilidade orçamental não cobrirá integralmente as despesas adicionais, será necessário seguir vias complementares, incluindo a eficiência da despesa e a repriorização dos orçamentos nacionais.

Em 25 de novembro de 2025, a Comissão Europeia adotou o pacote de outono do Semestre Europeu de 2026, que estabelece as prioridades das políticas económicas[6]. O pacote contém a avaliação da Comissão da conformidade dos Estados‑Membros com o quadro de governação orçamental da UE e fornece orientações relativamente às suas políticas orçamentais em 2026. A aplicação plena, transparente e célere do quadro de governação revisto ajudará as administrações públicas a reduzirem os défices orçamentais e os rácios da dívida numa base sustentada. Dos 17 países da área do euro que apresentaram os respetivos projetos de planos orçamentais para 2026, a Comissão considerou que 12 cumpriam o quadro orçamental da UE[7]. Relativamente a cinco países, os planos foram avaliados como estando em risco de incumprimento, com dois países a revelarem riscos de incumprimento significativo. No que respeita aos seis países da área do euro objeto de procedimento por défice excessivo (Bélgica, França, Itália, Malta, Áustria e Eslováquia), a Comissão avaliará a situação na primavera de 2026 com base nos dados em matéria de execução orçamental relativos a 2025. Em novembro, a Comissão também sugeriu a abertura de um procedimento por défice excessivo para a Finlândia.

1.4 A inflação evoluiu no sentido do objetivo de médio prazo de 2% no decurso do ano

A inflação global desceu para uma média de 2,1% em 2025, aproximando‑se do objetivo de médio prazo

A inflação global na área do euro, medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), evoluiu no sentido do objetivo de médio prazo de 2% no decurso de 2025 (gráfico 1.9). A inflação homóloga situou‑se, em média, em 2,1% no quarto trimestre e no conjunto do ano, após ter registado uma taxa de 2,4% em 2024. O impacto do anterior aumento da restritividade da política monetária do BCE, o abrandamento das pressões sobre os preços, a diminuição das pressões acumuladas decorrentes dos preços de matérias‑primas energéticas e não energéticas, assim como, mais em geral, as pressões reduzidas sobre os preços das importações – em parte devido à apreciação do euro – apoiaram a continuação da desinflação. A inflação medida pelo IHPC excluindo produtos energéticos e produtos alimentares (IHPCX) deu o maior contributo para a descida da inflação global em 2025. Diminuiu gradualmente ao longo do ano, estabilizando entre 2,3% e 2,4% nos meses mais para o final do ano, o que se deveu principalmente a um abrandamento da inflação dos preços dos serviços, embora ainda elevada, refletindo, em particular, uma diminuição das pressões salariais. A inflação dos preços dos produtos industriais não energéticos manteve‑se, por seu lado, globalmente estável em torno da sua média de mais longo prazo, anterior à pandemia, durante a maior parte de 2025 e desceu de forma mais visível apenas nos últimos meses do ano, devido às reduzidas pressões sobre os preços das importações. A inflação global também foi atenuada pela baixa inflação dos preços dos produtos energéticos, devido às descidas dos preços das matérias‑primas energéticas e à apreciação do euro. Em contraste, a inflação dos preços dos produtos alimentares apresentou uma trajetória ascendente no primeiro semestre de 2025 e atingiu um máximo em julho, impulsionada sobretudo pelos aumentos dos preços dos produtos alimentares não transformados resultantes de condições meteorológicas adversas e de escassez do lado da oferta. Posteriormente, registou uma moderação, situando‑se em 2,5% no final do ano. A inflação dos preços dos produtos alimentares transformados também contribuiu para as pressões, refletindo a continuação da transmissão de anteriores aumentos dos preços de matérias‑primas, em particular do cacau e do café[8].

Gráfico 1.9

Inflação global e as suas principais componentes

(taxas de variação homólogas (%); contributos em pontos percentuais)

Fontes: Eurostat e cálculos do BCE.
Nota: As últimas observações referem‑se a dezembro de 2025.

A inflação dos preços dos produtos energéticos foi negativa durante a maior parte do ano, tendo a inflação dos preços dos produtos alimentares apresentado uma evolução em forma de “U” invertido

A inflação dos preços dos produtos energéticos desceu no início de 2025 e foi negativa a partir de março, impulsionada sobretudo por descidas dos preços do petróleo e do gás por grosso em dólares dos Estados Unidos, bem como pela apreciação do euro. Contudo, a taxa de variação homóloga dos preços no consumidor dos produtos energéticos também exibiu alguma volatilidade, em grande parte devido a efeitos de base em sentido ascendente, particularmente na componente de combustíveis para transporte. A inflação dos preços dos produtos alimentares apresentou uma evolução em forma de “U” invertido durante 2025, ditada sobretudo pelos preços dos produtos alimentares não transformados. Nos primeiros oito meses do ano, a inflação dos preços dos produtos alimentares não transformados exibiu uma tendência ascendente, impulsionada por aumentos dos preços da fruta e dos legumes relacionados com condições meteorológicas adversas, assim como pela subida constante dos preços da carne num contexto de escassez de oferta, parcialmente associada a doenças animais. A partir de setembro, começou a abrandar, com o desvanecimento do efeito das condições meteorológicas sobre os preços da fruta e dos legumes, mas recuperou ligeiramente no final do ano. A inflação dos preços dos produtos alimentares transformados manteve‑se relativamente estável durante a maior parte de 2025, descendo de forma notória apenas no último trimestre, em virtude da diminuição das pressões acumuladas associadas aos preços de matérias‑primas alimentares como o café e o cacau. Em termos gerais, a inflação dos preços dos produtos alimentares permaneceu alta durante o ano. Tal refletiu a transmissão contínua, embora a enfraquecer, de anteriores aumentos dos preços das matérias‑primas alimentares, desequilíbrios entre a oferta e a procura em alguns segmentos e pressões ainda elevadas dos preços dos fatores de produção, incluindo salários.

Os indicadores da inflação subjacente continuaram a registar uma moderação gradual ou permaneceram globalmente inalterados

Os indicadores da inflação subjacente – que visam captar a componente persistente ou comum da inflação – apoiaram a evolução da inflação global no sentido de taxas próximas do objetivo. Por exemplo, a inflação subjacente medida pelo IHPCX exibiu pouca volatilidade e desceu de 2,7% em dezembro de 2024, para taxas entre 2,3% e 2,4% na maioria dos meses a partir de março. A desinflação na inflação subjacente foi principalmente impulsionada por rubricas dos serviços. A inflação dos preços dos serviços desceu de 4,0% em dezembro de 2024 para 3,4% em dezembro de 2025, refletindo o abrandamento gradual de fatores impulsionadores anteriores, nomeadamente as pressões salariais e os efeitos da reavaliação anual de preços[9]. A inflação dos serviços apresentou alguma volatilidade de curto prazo em abril, quando os preços de algumas rubricas registaram um aumento temporário na época da Páscoa, mas oscilou num intervalo relativamente estreito no resto do ano[10]. A inflação dos preços dos produtos industriais não energéticos manteve‑se relativamente inalterada ao longo de 2025, oscilando bastante próximo da sua média pré‑pandemia de 0,6% (medida no período de 1999 a 2019). Subiu ligeiramente no terceiro trimestre, mas, em outubro, tinha regressado à sua média anterior à pandemia. Perto do final do ano, desceu um pouco para um nível abaixo dessa média, devido a pressões reduzidas sobre os preços das importações e à apreciação do euro. Outros indicadores da inflação subjacente também registaram uma descida gradual no decurso de 2025 ou permaneceram globalmente estáveis[11].

As pressões internas sobre os custos voltaram a diminuir, refletindo a atenuação das pressões sobre os custos do trabalho, parcialmente compensada pelo fortalecimento gradual dos lucros unitários

As pressões internas sobre os custos na área do euro, medidas pelo crescimento do deflator do PIB, desceram de 3,0% em 2024 para 2,4% em 2025 (gráfico 1.10). A descida resultou de uma diminuição dos contributos dos impostos unitários e dos custos unitários do trabalho, neste último caso devido a uma moderação do crescimento da remuneração por empregado e a um fortalecimento do crescimento da produtividade do trabalho. Estas descidas foram parcialmente compensadas por um fortalecimento gradual do contributo dos lucros unitários em consonância com a evolução cíclica. Em termos do crescimento da remuneração por empregado, que se manteve, em geral, estável ao longo do ano e se situou, em média, em 3,9%, o crescimento dos salários negociados e o desvio salarial mostraram‑se voláteis[12]. O crescimento dos salários negociados abrandou substancialmente no decurso do ano, situando‑se, em média, em 2,8%, face a 4,5% em 2024. O abrandamento refletiu a normalização das reivindicações salariais, após um período em que os trabalhadores recuperaram progressivamente o poder de compra perdido durante a subida acentuada da inflação em 2022[13]. A evolução do desvio salarial, devido em parte a efeitos estatísticos decorrentes de pagamentos pontuais em 2024, elevou o crescimento geral dos salários. Os lucros unitários registaram uma ligeira recuperação no decurso de 2025, passando a estar mais estreitamente realinhados com o ciclo económico, mas continuaram a amortecer os custos do trabalho, embora em menor grau do que em 2024.

Gráfico 1.10

Deflator do PIB e componentes

(taxas de variação homólogas (%); contributos em pontos percentuais)

Fontes: Eurostat e cálculos do BCE.
Notas: As últimas observações referem‑se ao quarto trimestre de 2025. O gráfico mostra a evolução da produtividade do trabalho invertida, dado que um aumento (uma diminuição) do crescimento da produtividade do trabalho reduz (eleva) as pressões internas sobre os custos.

As expetativas de inflação a mais longo prazo permaneceram bem ancoradas em torno do objetivo de 2% do BCE

Em 2025, as expetativas de inflação a mais longo prazo permaneceram globalmente alinhadas com o objetivo de médio prazo de 2% do BCE, apoiando um retorno sustentado da inflação ao objetivo. No inquérito do BCE a analistas profissionais, assim como no inquérito a analistas monetários, as expetativas de inflação a mais longo prazo apresentaram‑se firmemente ancoradas em 2% em 2025 (gráfico 1.11). Outros indicadores de inquéritos, como os da Consensus Economics, também revelaram expetativas de inflação a mais longo prazo estáveis em torno de 2%. As medidas, baseadas no mercado, da compensação pela inflação a mais longo prazo – como a taxa dos swaps indexados à inflação a prazo a 5 anos com uma antecedência de 5 anos – permaneceram próximas de 2%, com pouca variação durante o ano. Em março de 2025, observou‑se uma ligeira subida da taxa dos swaps indexados à inflação, impulsionada pelos planos de expansão orçamental na Europa, embora tenha sido parcialmente anulada pelas repercussões das tensões comerciais pouco depois. Verificaram‑se novos aumentos temporários em junho, espelhando a evolução dos preços dos produtos energéticos, mas, após o verão e durante o resto do ano, a taxa dos swaps indexados à inflação estabilizou em 2,1%. Estes movimentos refletiram sobretudo prémios de risco de inflação mais elevados, tendo as estimativas, baseadas em modelos, das verdadeiras expetativas de inflação a mais longo prazo – excluindo prémios de risco – permanecido estáveis entre 1,9% e 2%. Do lado dos consumidores, a mediana das expetativas de inflação com uma antecedência de 3 anos oscilou entre 2,4% e 2,5% durante o ano, registando uma pequena subida para 2,6% em dezembro. É provável que esta persistência num nível ligeiramente mais alto tenha refletido uma incerteza ainda elevada. Os dados do inquérito do BCE sobre as expetativas dos consumidores mostram que os preços dos produtos alimentares influenciaram fortemente a perceção da inflação e as expetativas a 1 ano, tendo o seu impacto nas expetativas a mais longo prazo sido mais limitado.

Gráfico 1.11

Indicadores das expetativas de inflação baseados em inquéritos e no mercado

(taxas de variação homólogas (%))

Fontes: LSEG, BCE – inquérito sobre as expetativas dos consumidores (Consumer Expectations Survey – CES), inquérito a analistas profissionais (Survey of Professional Forecasters – SPF), inquérito a analistas monetários (Survey of Monetary Analysts – SMA) – e cálculos do BCE.
Notas: A taxa dos swaps indexados à inflação a prazo a 5 anos com uma antecedência de 5 anos refere‑se a dados observados reportados com uma frequência mensal. A componente de expetativa da taxa dos swaps indexados à inflação a prazo a 5 anos com uma antecedência de 5 anos é obtida como a estimativa média de dois modelos afins de estrutura de prazos, de acordo com Joslin, Singleton e Zhu (2011)[14], aplicada a taxas dos swaps indexados à inflação que não são corrigidas do desfasamento da indexação; ver Burban, V. et al., “Decomposing market‑based measures of inflation compensation into inflation expectations and risk premia”, Boletim Económico, Número 8, 2021. O SPF relativo ao quarto trimestre de 2025 decorreu entre 1 e 7 de outubro de 2025. Nas rondas deste inquérito para o terceiro e quarto trimestres de 2025, as expetativas a mais longo prazo referiram‑se a 2030, enquanto nas rondas para o primeiro e segundo trimestres se referiram a 2029. A última observação para o CES e o SMA refere‑se a dezembro de 2025.

1.5 A recuperação do crédito permaneceu fraca apesar de uma nova redução da restritividade das condições de financiamento

A inclinação das curvas de rendimentos da área do euro acentuou‑se, sobretudo devido às taxas reais de longo prazo mais elevadas

A descida das taxas de juro de curto prazo, a par de uma subida significativa das taxas de longo prazo, levou a uma acentuação da inclinação da curva de rendimentos isenta de risco da área do euro em 2025. A redução das taxas de curto prazo, que ocorreu predominantemente durante o primeiro semestre, refletiu os cortes das taxas diretoras implementados pelo BCE até junho, atendendo a que a inflação apresentava uma trajetória de retorno sustentado ao objetivo de médio prazo de 2% (ver a secção 2.1). Nos prazos mais longos, a taxa dos swaps indexados pelo prazo overnight a 10 anos situou‑se, em média, em 2,8% em dezembro de 2025 (gráfico 1.12), o que representa um aumento de aproximadamente 60 pontos base face à média registada em dezembro de 2024. As taxas de longo prazo registaram alguns movimentos acentuados e voláteis durante os primeiros quatro meses do ano, em resultado dos planos de despesa em defesa e infraestruturas dos países europeus, bem como da incerteza acrescida relativamente às tarifas e à política comercial dos Estados Unidos. A partir do final de abril, a taxa dos swaps indexados pelo prazo overnight a 10 anos subiu gradualmente cerca de 30 pontos base no resto do ano, espelhando sobretudo um aumento da componente de taxa real, devido a uma economia mais resiliente. Acima de tudo, a acentuação da inclinação da curva de rendimentos isenta de risco da área do euro reflete uma componente mundial forte, visto que ocorreu uma reavaliação semelhante noutras grandes economias avançadas. Refletindo a evolução da taxa dos swaps indexados pelo prazo overnight, a taxa de rendibilidade das obrigações de dívida pública a 10 anos da área do euro ponderada pelo PIB subiu no decurso do ano. Atingiu 3,2% em dezembro, aproximadamente 50 pontos base acima do seu nível um ano antes. As taxas de rendibilidade das obrigações de dívida pública a 10 anos nos países da área do euro situaram‑se em níveis mais elevados no final de 2025 do que no início do ano, com um estreitamento dos diferenciais em relação à taxa dos swaps indexados pelo prazo overnight. O anúncio de planos de despesa em defesa de alguns países da área do euro (ver a secção 1.3) foi um momento crucial na reavaliação verificada no mercado. Desencadeou uma subida acentuada de, aproximadamente, 40 pontos base da taxa de rendibilidade das obrigações de dívida pública alemãs a 10 anos, com as taxas de rendibilidade de outras obrigações soberanas da área do euro a registarem pressões em alta semelhantes. As taxas de rendibilidade das obrigações soberanas da área do euro desceram ligeiramente, embora a maioria tenha terminado o ano em níveis mais altos. A exceção foi a taxa de rendibilidade das obrigações de dívida pública a 10 anos italianas, que se manteve, em geral, inalterada face ao seu nível no final de 2024, apoiada pela consolidação em curso da situação orçamental do país. Em contrapartida, a incerteza política em França suscitou preocupações entre os participantes no mercado quanto a potenciais atrasos na consolidação orçamental, gerando pressões em alta sobre as taxas de rendibilidade das obrigações de dívida pública francesas. Estes desenvolvimentos resultaram numa convergência das taxas de rendibilidade das obrigações italianas e francesas para níveis similares, tendo a dispersão das taxas de rendibilidade na área do euro atingido níveis historicamente reduzidos.

Gráfico 1.12

Taxas de juro de longo prazo e custo do crédito às famílias para aquisição de habitação e às empresas

(em percentagem por ano)

Fontes: Bloomberg, LSEG e cálculos do BCE.
Notas: Observações mensais. A taxa de rendibilidade das obrigações de dívida pública a 10 anos da área do euro é uma média ponderada pelo PIB. Os indicadores do custo do endividamento são calculados através da agregação das taxas ativas bancárias de curto e de longo prazo utilizando uma média móvel de 24 meses dos volumes de novas operações. As últimas observações referem‑se a dezembro de 2025.

Os mercados acionistas foram principalmente apoiados por expetativas de lucros fortes

Em 2025, os preços das ações – medidos pelo índice EURO STOXX – subiram cerca de 21%. Fortes expetativas de lucros, dividendos mais elevados e prémios de risco das ações mais baixos impulsionaram a subida dos preços das ações, não obstante o impacto redutor do aumento das taxas de longo prazo isentas de risco. Os preços das ações subiram no setor financeiro e no setor não financeiro, tendo os ganhos neste último sido mais pronunciados. No setor financeiro, as ações de bancos geraram ganhos, o que foi apoiado pela melhoria da rentabilidade resultante da atividade comercial dos bancos, pela concessão de crédito e pela acentuação da inclinação da curva de rendimentos. No final de 2025, os índices alargados de cotações de ações de sociedades não financeiras e de bancos da área do euro situavam‑se, respetivamente, cerca de 12% e 80% acima dos seus níveis no final de 2024. Os diferenciais das obrigações de empresas registaram, em geral, um estreitamento, com a exceção notória das obrigações emitidas no segmento de elevada rendibilidade do setor financeiro e apesar da venda generalizada no mercado de obrigações de empresas, na sequência do anúncio das tarifas dos Estados Unidos em 2 de abril. Posteriormente, os diferenciais das obrigações de empresas diminuíram de forma considerável, devido a uma apetência pelo risco renovada e a uma economia mais resiliente.

As condições de financiamento, em geral, continuaram a abrandar no início do ano, estabilizando depois de modo generalizado

As condições de financiamento das empresas na área do euro continuaram a abrandar no primeiro semestre, estabilizando depois de um modo geral, em consonância com a dinâmica dos custos de financiamento dos bancos. A diminuição do custo compósito do financiamento por dívida dos bancos no início do ano refletiu a transmissão das reduções das taxas diretoras, enquanto a subsequente estabilização foi impulsionada pela dinâmica das taxas de juro do mercado e por menores expetativas de novos cortes das taxas. O decréscimo do custo nominal do endividamento das empresas face aos níveis máximos de 2023 reflete, em parte, o comportamento prudente dos bancos na concessão de crédito desde o início do ciclo de redução da restritividade da política monetária. Esse comportamento caraterizou‑se por uma reafetação de empréstimos a mutuários de menor risco, que usufruem de preços de empréstimos mais favoráveis. No caso das famílias, a descida dos custos de endividamento em 2025 foi mais limitada, tendo as taxas do novo crédito à habitação espelhado, em grande parte, o aumento das taxas de juro de longo prazo do mercado. A taxa ativa bancária compósita aplicada a sociedades não financeiras situou‑se em 3,6% em dezembro, cerca de 90 pontos base abaixo do seu nível no final de 2024, ao passo que a taxa correspondente dos empréstimos às famílias para aquisição de habitação diminuiu cerca de 10 pontos base, passando para 3,3% (gráfico 1.12). Em resultado, verificou‑se uma diminuição significativa do diferencial entre as taxas ativas aplicadas às empresas e às famílias, que tinha registado um alargamento durante a fase de aumento da restritividade da política monetária. A dispersão entre países das taxas ativas aplicadas às empresas também registou uma moderação, enquanto a dispersão das taxas ativas aplicadas às famílias continuou a ser influenciada por diferenças nas estruturas de prazos de empréstimo nos vários países.

A recuperação dos empréstimos bancários às empresas e às famílias foi mais gradual do que no passado

Os empréstimos bancários continuaram a recuperar a par da redução da restritividade da política monetária, embora de forma mais gradual do que o sugerido pelos padrões históricos (gráfico 1.13). O crédito às empresas estabilizou no segundo semestre de 2025, tendo as taxas de crescimento permanecido muito inferiores à média histórica, devido à fraqueza da procura agregada e à aversão dos bancos ao risco, não obstante as suas posições de capital robustas, a deterioração limitada da qualidade dos ativos e uma rentabilidade ainda forte. De acordo com o inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito da área do euro, os critérios de concessão de crédito às empresas (ou seja, orientações ou critérios internos de aprovação de empréstimos) tornaram‑se mais restritivos no primeiro e nos últimos dois trimestres de 2025. As empresas de menor dimensão e maior risco registaram uma deterioração particularmente acentuada da disponibilidade de empréstimos, como indicado no inquérito sobre o acesso das empresas a financiamento. A taxa de crescimento homóloga dos empréstimos bancários às empresas situou‑se em 3,0% em dezembro, o que compara com 4,3%, em média, entre janeiro de 1999 e dezembro de 2025. O crescimento do total do crédito, incluindo o financiamento proporcionado por intermediários financeiros não bancários, permaneceu contido, também em resultado da elevada incerteza das políticas económicas, como esclarecido num artigo do Blogue do BCE, publicado em outubro[15]. A valorização mais elevada de ações cotadas contribuiu para o aumento líquido do financiamento externo das empresas (gráfico 1.14). Os empréstimos às famílias continuaram a recuperar, com uma taxa de crescimento homóloga de 3,0% em dezembro (também muito inferior à sua média de longo prazo de 4,2%), impulsionada sobretudo pelo crédito à habitação. Esta evolução está em consonância com uma procura sólida de empréstimos à habitação reportada no inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito, bem como com as intenções sustentadas de aquisição de habitação indicadas no inquérito sobre as expetativas dos consumidores. Ao mesmo tempo, a percentagem de famílias que reportaram uma deterioração do acesso a crédito neste último inquérito aumentou em relação às que reportaram melhorias. A percentagem foi maior para as famílias com rendimentos mais baixos. O crédito ao consumo, ao qual as famílias com rendimentos mais baixos recorreram de forma sustentada em 2025, esteve sujeito a critérios de concessão de crédito mais restritivos ao longo do ano, de acordo com o inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito.

O crescimento homólogo do agregado monetário largo registou uma moderação em 2025

Após ter estabilizado em quase 4% no início do ano, o crescimento anual do agregado monetário largo (M3) registou uma moderação perto do final de 2025, apoiado pela dinâmica estável dos empréstimos e depósitos das famílias e empresas (gráfico 1.13). O crescimento homólogo do M3 situou‑se em 2,8% em dezembro, face a 3,4% em dezembro de 2024. A moderação refletiu, em grande parte, a continuação da absorção de liquidez, em resultado da contração das carteiras de ativos do Eurosistema e de uma diminuição das entradas externas líquidas, que terão perdido vigor e adquirido volatilidade em comparação com 2024, enquanto as aquisições dos bancos de obrigações de dívida pública apoiaram o crescimento monetário num contexto de oferta robusta de obrigações.

Gráfico 1.13

Crescimento do M3 e do crédito às empresas e às famílias

(taxas de variação homólogas (%))

Fonte: BCE.
Notas: As empresas são sociedades não financeiras. As últimas observações referem‑se a dezembro de 2025.

Gráfico 1.14

Fluxos líquidos de financiamento externo às empresas

(fluxos anuais em mil milhões de euros)

Fontes: BCE e Eurostat.
Notas: As empresas são sociedades não financeiras. “IFM” corresponde a “instituições financeiras monetárias”. Em “Empréstimos do setor não monetário e do resto do mundo”, as instituições financeiras não monetárias consistem em outros intermediários financeiros, fundos de pensões e sociedades de seguros. “Empréstimos das IFM” e “Empréstimos do setor não monetário e do resto do mundo” são corrigidos da venda e titularização de empréstimos. “Outros” corresponde à diferença entre o total e os instrumentos incluídos no gráfico e consiste sobretudo em empréstimos entre empresas e crédito comercial. As últimas observações referem‑se ao terceiro trimestre de 2025. O fluxo anual relativo a 2025 é calculado como a soma dos fluxos em quatro trimestres, ou seja, do quarto trimestre de 2024 ao terceiro trimestre de 2025. As contas setoriais trimestrais para a área do euro estão sujeitas a revisões importantes de cinco em cinco anos. A revisão mais recente ocorreu em 2024, o que explica a razão pela qual os dados em alguns anos diferem significativamente dos utilizados em relatórios anuais anteriores.

Caixa 1
Bulgária torna‑se o 21.º país a aderir à área do euro

Em 1 de janeiro de 2026, a Bulgária adotou o euro e tornou‑se o 21.º país a aderir à área do euro. As avaliações positivas apresentadas no Relatório de Convergência da Comissão Europeia e no Relatório de Convergência do BCE abriram caminho à adoção do euro pelo país, o que foi aprovado pelo Conselho da União Europeia em julho de 2025. A adesão da Bulgária constitui um novo alargamento da área do euro, após a adesão da Croácia em 2023, e salienta o facto de a entrada na área do euro continuar a ser uma âncora de políticas atrativa e credível, nomeadamente num contexto de incerteza acrescida e tensões geopolíticas[16].

A adoção do euro pela Bulgária representa um marco importante no processo mais geral de integração europeia. O percurso seguido pelo país para entrar na área do euro sublinha o seu empenho no aprofundamento dos laços económicos e institucionais com os restantes Estados‑Membros da UE. Desde a adesão à UE em 2007, a Bulgária realizou progressos significativos no sentido de cumprir os requisitos para a adoção da moeda única, estabelecidos nos critérios de Maastricht. A trajetória seguida pelo país assentou em reformas estruturais abrangentes e num compromisso político de alinhamento das políticas internas com os padrões económicos e monetários da área do euro. Os desequilíbrios macroeconómicos existentes antes da pandemia de coronavírus (COVID‑19) foram gradualmente corrigidos através de medidas de política credíveis e políticas orçamentais prudentes. Neste espaço de tempo, a Bulgária também alcançou uma convergência real significativa com a economia da área do euro, tendo o seu PIB per capita aumentado de cerca de 35% da média da área do euro em 2006 para pouco mais de 60% em 2025.

A trajetória seguida pela Bulgária para a adoção do euro compreendeu uma série de etapas preparatórias claramente definidas e acompanhadas de perto (figura A). Em 2018, a Bulgária manifestou a firme intenção de aderir ao mecanismo de taxas de câmbio (MTC II), uma etapa essencial do processo no sentido da adoção do euro[17]. Foi acordado um plano de implementação entre as autoridades búlgaras e as partes no MTC II, designadamente um conjunto abrangente de medidas de política a realizar antes da entrada do país no MTC II. Estes compromissos prévios foram concebidos para dar resposta aos principais desafios estruturais e apoiar o cumprimento dos critérios de convergência da UE. Em 2020, a Bulgária solicitou formalmente a adesão ao MTC II. O lev da Bulgária passou a participar no MTC II em julho de 2020, a par da kuna da Croácia, e o Governo da Bulgária comprometeu‑se, ao mesmo tempo, a adotar uma série de medidas pós‑entrada centradas no fortalecimento do quadro do país para o combate ao branqueamento de capitais, no reforço da supervisão do setor financeiro não bancário, na melhoria da governação das empresas públicas e na reforma do regime de insolvência. Em paralelo, o país aderiu à união bancária através de uma cooperação estreita entre o BCE e o Българска народна банка (o banco central da Bulgária) a partir de outubro de 2020, alinhando assim a supervisão bancária com as normas da área do euro e reforçando a estabilidade financeira.

A fase final do processo de adoção do euro pela Bulgária decorreu em 2025. Em fevereiro de 2025, as autoridades búlgaras solicitaram formalmente à Comissão Europeia e ao BCE uma avaliação ad hoc da convergência. Os relatórios de convergência de 2025, publicados em 4 de junho de 2025, apresentaram uma avaliação positiva do grau de convergência do país. Nessa base, a Comissão Europeia propôs que o Conselho da UE autorizasse a Bulgária a adotar o euro. Em 8 de julho, o Conselho aprovou formalmente a adesão da Bulgária à área do euro e fixou a taxa de conversão irrevogável da moeda búlgara em 1,95583 levs por euro. Esta taxa correspondia à taxa central aplicada durante a participação da Bulgária no MTC II, bem como à taxa de câmbio fixa aplicada enquanto funcionou o fundo de estabilização cambial de longa data, assegurando a continuidade e a estabilidade na transição para a moeda única.

Figura A

Principais etapas do percurso da Bulgária para a adoção do euro

Fonte: BCE.

Na sequência da decisão formal do Conselho da UE, realizaram‑se os preparativos técnicos com vista à transição para o euro fiduciário, tendo a integração do banco central da Bulgária no Eurosistema avançado em paralelo. Estes preparativos foram apoiados pelo BCE e abrangeram uma vasta gama de aspetos operacionais, logísticos e institucionais. Incluíram um planeamento pormenorizado da produção e distribuição de notas e moedas de euro, campanhas abrangentes de sensibilização e informação para o público, bem como a integração das instituições financeiras búlgaras nos sistemas de pagamentos e de liquidação da área do euro. Em paralelo, o banco central da Bulgária foi integrado na execução da política monetária do Eurosistema e nas operações cambiais, assim como nos quadros analíticos comuns, incluindo os exercícios de projeção macroeconómica. Em conjunto, estas medidas asseguraram uma transição harmoniosa para o euro e uma participação efetiva da Bulgária na área do euro desde o primeiro dia da adesão.

Espera‑se que a adoção do euro tenha benefícios económicos tangíveis para a Bulgária. Os ganhos prováveis mais importantes incluem o aumento do comércio e do investimento direto estrangeiro, graças à eliminação dos custos de conversão cambial, à maior transparência e comparabilidade de preços e à confiança mais forte dos investidores, assim como a um melhor acesso aos mercados de capitais europeus. A economia deverá também beneficiar de custos de financiamento mais baixos, refletindo um menor prémio de risco‑país e expetativas de inflação bem ancoradas. Além destes efeitos, a adesão à área do euro proporciona um importante dividendo em termos de segurança e estabilidade económicas. Para uma economia de pequena dimensão e altamente integrada, a participação na área do euro reforça a credibilidade institucional, elimina qualquer risco cambial remanescente em relação aos principais parceiros comerciais de fora da área do euro e melhora a capacidade de absorção de perturbações externas através de uma maior integração financeira. Por último, a adoção do euro permite à Bulgária participar plenamente nos processos de tomada de decisões da área do euro e contribuir diretamente para a formulação da política monetária única e das políticas económicas comuns.

Os custos e riscos associados à adoção do euro deverão ser relativamente baixos e sobretudo pontuais. Os principais custos prendem‑se com os preparativos práticos para a transição e a possibilidade de aumentos injustificados de preços aquando da sua conversão em euros. O apoio público ao euro na Bulgária era relativamente fraco antes da transição, refletindo preocupações com possíveis aumentos dos preços. Tal também se verificou em anteriores transições para o euro, tendo o apoio público aumentado tipicamente após a adoção[18]. A fim de dar resposta a estas preocupações, as autoridades búlgaras aplicaram um conjunto abrangente de medidas, incluindo um controlo reforçado dos preços, inspeções para dissuadir práticas abusivas e a dupla afixação obrigatória de preços durante um período alargado de 8 de agosto de 2025 a 8 de agosto de 2026. De acordo com as estimativas disponíveis, o impacto da transição no nível geral de preços parece ter sido limitado e pontual, estando globalmente em conformidade com a experiência das anteriores transições para o euro[19]. Além disso, as condições monetárias internas da Bulgária já se encontravam rigorosamente alinhadas com as da área do euro antes da adoção do euro, dado que o país mantinha um fundo de estabilização cambial de longa data com uma taxa de câmbio fixada ao euro. Portanto, a adoção do euro não reduz, mas antes reforça, a soberania efetiva do país, ao ampliar a sua voz nos processos de tomada de decisão da área do euro.

Embora a adoção do euro proporcione oportunidades importantes, serão necessárias novas medidas de política e reformas para colher todos os seus benefícios. Políticas orçamentais prudentes e favoráveis ao crescimento, apoiadas por um quadro orçamental nacional forte, serão essenciais tanto para salvaguardar a estabilidade macroeconómica como para evitar a acumulação de desequilíbrios. Além disso, será necessário sustentar o crescimento da produtividade através de reformas estruturais contínuas destinadas a apoiar a convergência económica real dentro da área do euro. Em particular, a forte dinâmica salarial recente, num contexto de restritividade do mercado de trabalho, pode comprometer a competitividade, se não for acompanhada de ganhos de produtividade duradouros. Acresce que o reforço das instituições, a modernização de infraestruturas e a expansão da oferta de mão de obra qualificada, com o apoio de uma utilização eficiente dos fundos da UE e a par de um desenvolvimento financeiro mais aprofundado e de uma maior integridade financeira, serão fundamentais para sustentar o crescimento a longo prazo, aumentar a resiliência e prevenir a acumulação de desequilíbrios macroeconómicos.

2 Uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião na fixação das taxas de juro

O Conselho do BCE reduziu as três taxas de juro diretoras quatro vezes no primeiro semestre de 2025, prosseguindo um processo iniciado em 2024. Decidiu estes cortes das taxas de juro à luz de evidência consistente de que a inflação apresentava uma trajetória de retorno sustentado ao objetivo de médio prazo de 2%. No total, as três taxas de juro diretoras do BCE foram reduzidas em 100 pontos base, tendo a taxa da facilidade permanente de depósito descido para 2,00% em junho. O Conselho do BCE seguiu uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião, sem se comprometer previamente com uma trajetória de taxas específica. A par da robustez do mercado de trabalho, do aumento dos rendimentos reais e da solidez dos balanços do setor privado, a política monetária menos restritiva reforçou a resiliência da economia da área do euro face às tensões no comércio internacional e às incertezas geopolíticas.

O balanço do Eurosistema registou uma contração de 0,1 biliões de euros em 2025, situando‑se em 6,3 biliões de euros no final do ano, e prosseguiu o processo de normalização iniciado em 2022 (ver a secção 2.2). Esta contração adveio das reduções das carteiras de política monetária, em virtude de o Eurosistema ter deixado de realizar reinvestimentos no âmbito dos seus programas de compra de ativos. Não obstante a diminuição da liquidez excedentária, o recurso às operações de refinanciamento do Eurosistema manteve‑se reduzido, refletindo condições de liquidez ainda amplas e o custo relativamente mais baixo das alternativas de financiamento no mercado. O conjunto de ativos elegíveis como garantia nas operações de refinanciamento do Eurosistema aumentou para 20,3 biliões de euros.

Em 2025, o Eurosistema reforçou o seu quadro de gestão do risco para assegurar uma execução eficiente da política monetária em termos de riscos. As alterações prenderam‑se sobretudo com as políticas de ativos de garantia e visaram assegurar a continuação de uma abordagem robusta na avaliação da qualidade de crédito dos ativos de garantia, aperfeiçoar o cálculo das margens de avaliação de algumas classes de ativos e adaptar o quadro de ativos de garantia para dar resposta às incertezas relacionadas com as alterações climáticas. Diversos bancos centrais do Eurosistema, incluindo o BCE, continuaram a registar rendimentos baixos ou negativos em 2025. O prejuízo incorrido pelo BCE será compensado com lucros futuros (ver a secção 2.3 e as Contas Anuais do BCE de 2025).

2.1 O Conselho do BCE reduziu as três taxas de juro diretoras em 100 pontos base

Em 2025, a política monetária continuou a pautar‑se pela determinação do Conselho do BCE de assegurar uma estabilização sustentada da inflação no seu objetivo de médio prazo de 2%. O Conselho do BCE seguiu uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião na definição da orientação apropriada da política monetária. Não se comprometeu previamente com uma trajetória das taxas de juro diretoras específica e manteve‑se preparado para ajustar os seus instrumentos, conforme necessário, a fim de cumprir o seu mandato e assegurar o funcionamento regular da transmissão da política monetária.

As taxas de juro diretoras do BCE foram reduzidas no primeiro semestre de 2025, devido a sinais contínuos de um movimento sustentado da inflação no sentido do objetivo de 2%

As decisões do Conselho do BCE sobre as taxas de juro basearam‑se na avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos em torno das mesmas, à luz dos dados económicos e financeiros que iam sendo disponibilizados, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária. Esta avaliação abrangente levou o Conselho do BCE a esperar um movimento sustentado da inflação no sentido do objetivo de médio prazo de 2%. O Conselho do BCE continuou, portanto, a reduzir as taxas de juro, um processo que teve início em 2024. Entre janeiro e junho, as três taxas de juro diretoras do BCE foram reduzidas em cada reunião dedicada à política monetária, num total de 100 pontos base (ver o gráfico 2.1). Após a reunião de junho do Conselho do BCE, as taxas de juro da facilidade permanente de depósito, das operações principais de refinanciamento e da facilidade permanente de cedência de liquidez mantiveram‑se inalteradas em 2,00%, 2,15% e 2,40%, respetivamente.

Gráfico 2.1

Taxas de juro diretoras do BCE

(em percentagem)

Fonte: BCE.
Nota: As últimas observações referem‑se a 31 de dezembro de 2025.

Em janeiro, o Conselho do BCE decidiu reduzir as taxas de juro em 25 pontos base

Na sua primeira reunião do ano dedicada à política monetária, o Conselho do BCE considerou que o processo de desinflação se mantinha no bom caminho. A inflação estava a evoluir em consonância com as projeções mais recentes elaboradas por especialistas do Eurosistema e esperava‑se que regressasse ao objetivo de médio prazo de 2% no decurso do ano. A maioria das medidas da inflação subjacente indicava que a inflação regressaria ao objetivo numa base sustentada, apesar de a inflação interna permanecer elevada devido aos ajustamentos desfasados dos salários e dos preços de alguns serviços na sequência da subida acentuada da inflação no passado. Os sinais de moderação do crescimento dos salários e o amortecimento das pressões inflacionistas proporcionado pelos lucros também apoiaram a opinião do Conselho do BCE de que o processo de desinflação estava a evoluir como pretendido, justificando uma orientação de política monetária menos restritiva. Este decidiu, portanto, reduzir as três taxas de juro diretoras do BCE em 25 pontos base.

O Conselho do BCE sublinhou que os recentes cortes das taxas de juro estavam gradualmente a tornar a contração de novos empréstimos menos onerosa para as empresas e as famílias. Contudo, as condições de financiamento permaneciam restritivas, em consonância com a política monetária ainda restritiva. Embora a economia da área do euro tenha sido confrontada com fatores adversos, esperava‑se que o aumento dos rendimentos reais e o desvanecimento do impacto da anterior restritividade da política monetária apoiassem uma recuperação gradual da procura com o tempo. No entanto, os riscos para o crescimento permaneceram enviesados em sentido descendente, devido a maiores fricções no comércio internacional e incertezas geopolíticas, designadamente as relacionadas com a guerra injustificada da Rússia contra a Ucrânia e o trágico conflito no Médio Oriente, que tinham o potencial para perturbar o abastecimento energético e pesar ainda mais sobre o comércio internacional.

A fim de apoiar melhorias duradouras do desempenho económico, o Conselho do BCE sublinhou o papel das políticas orçamentais e estruturais na promoção de uma economia da área do euro mais produtiva, competitiva e resiliente. Acolheu favoravelmente a iniciativa “Bússola para a Competitividade”, da Comissão Europeia, e salientou a necessidade de dar seguimento, com novas políticas estruturais concretas e ambiciosas, às propostas no sentido de aumentar a competitividade europeia e capacitar o mercado único, apresentadas, respetivamente, por Mario Draghi e Enrico Letta. Instou‑se os governos a implementarem na íntegra os seus compromissos ao abrigo do quadro de governação económica da UE, dando prioridade a reformas e investimento conducentes a crescimento.

Tendo descontinuado os reinvestimentos no âmbito do programa de compra de ativos devido a emergência pandémica (pandemic emergency purchase programme – PEPP) no final de 2024 e ao abrigo do programa de compra de ativos (asset purchase programme – APP) já a partir de julho de 2023, o Conselho do BCE registou que as carteiras do APP e do PEPP estavam a diminuir a um ritmo comedido e previsível (ver a secção 2.2 sobre a evolução das carteiras). Acresce que, em dezembro de 2024, os bancos reembolsaram os montantes remanescentes dos empréstimos obtidos no contexto das operações de refinanciamento de prazo alargado direcionadas (ORPA direcionadas), concluindo, assim, esta parte do processo de normalização do balanço.

O Conselho do BCE reduziu as taxas de juro em mais 25 pontos base em março...

As projeções macroeconómicas de março de 2025 para a área do euro elaboradas por especialistas do BCE envolveram uma ligeira revisão em alta da inflação global, para, em média, 2,3% em 2025, principalmente devido a uma dinâmica dos preços dos produtos energéticos mais forte do que o esperado. Apesar desta revisão, a maioria dos indicadores da inflação subjacente continuou a sugerir uma estabilização sustentada da inflação em torno do objetivo de médio prazo de 2%. O crescimento dos salários apresentou sinais de moderação contínua, como esperado, enquanto os lucros continuaram a atenuar as pressões inflacionistas. À luz destes desenvolvimentos, o Conselho do BCE decidiu reduzir as três taxas de juro diretoras do BCE em mais 25 pontos base em março.

O Conselho do BCE tomou nota de que a restritividade da política monetária estava a diminuir significativamente, atendendo a que os cortes das taxas de juro estavam a reduzir os custos de financiamento das empresas e das famílias e a apoiar uma recuperação do crescimento do crédito. No entanto, em geral, a concessão de crédito ainda se mantinha fraca. A projeção dos especialistas do BCE/Eurosistema para o crescimento económico em 2025 foi revista em baixa para 0,9%, devido à maior fraqueza das exportações e ao investimento fraco perante a incerteza acrescida em termos de comércio e políticas. O aumento dos rendimentos reais e os menores custos de endividamento mantiveram‑se como os principais fatores subjacentes a uma recuperação gradual da procura com o tempo, a par da diminuição dos entraves gerados pelo anterior aumento da restritividade da política monetária.

... reafirmando, porém, o seu empenho em seguir uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião face à elevada incerteza

Numa conjuntura de incerteza crescente, o Conselho do BCE reafirmou o seu empenho em seguir uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião na definição da orientação de política monetária apropriada. Reiterou que não se comprometia previamente com uma trajetória de taxas específica e estava preparado para ajustar os seus instrumentos, conforme apropriado, a fim de cumprir o seu mandato de manter a estabilidade de preços.

As taxas de juro foram novamente reduzidas em abril, dada a ainda crescente confiança num retorno sustentado da inflação ao objetivo

Com a confiança num retorno sustentado da inflação ao objetivo a continuar a aumentar, o Conselho do BCE decidiu, em abril, reduzir de novo as três taxas de juro diretoras do BCE em 25 pontos base. O processo de desinflação manteve‑se firmemente no bom caminho, com a inflação global e a inflação subjacente a descer em março. A inflação dos preços dos serviços tinha abrandado consideravelmente e a maioria das medidas da inflação subjacente indicava um retorno sustentado da inflação ao objetivo de médio prazo de 2% do BCE. O crescimento dos salários continuou a exibir mais sinais de moderação e os lucros continuaram a absorver parte do impacto na inflação do elevado crescimento dos salários, o que contribuiu para um abrandamento das pressões internas sobre os preços.

A economia da área do euro deu provas de resiliência face aos choques mundiais

O Conselho do BCE registou que as perspetivas de crescimento da área do euro se tinham deteriorado devido às crescentes tensões comerciais. Essas tensões elevaram a incerteza e representavam um risco para a confiança das famílias e das empresas. Além disso, era provável que a resposta adversa e volátil do mercado às tensões comerciais resultasse num aumento da restritividade das condições de financiamento, desafiando ainda mais as perspetivas de crescimento da área do euro. Ao mesmo tempo, a economia da área do euro tinha vindo a reforçar a sua resiliência a choques mundiais. Esperava‑se que um mercado de trabalho forte, maiores rendimentos reais e uma política monetária favorável apoiassem a despesa, enquanto as iniciativas nacionais e a nível da UE em matéria de despesa em defesa e investimento em infraestruturas deveriam impulsionar a atividade na indústria transformadora. Num contexto de elevado risco geopolítico, o Conselho do BCE voltou a destacar a importância de políticas orçamentais e estruturais destinadas a tornar a área do euro mais produtiva e competitiva, apelando à rápida adoção de propostas para simplificar os quadros regulamentares e concluir a união da poupança e dos investimentos. À luz dessa incerteza excecional, o Conselho do BCE reiterou igualmente a intenção de aderir a uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião na fixação das taxas de juro.

Com a inflação a oscilar em torno do objetivo de médio prazo de 2% do BCE, as taxas de juro foram reduzidas em mais 25 pontos base em junho

À medida que o ano avançou, a confiança do Conselho do BCE no alinhamento da dinâmica da inflação com o objetivo aumentou, enquanto a economia exibia uma recuperação gradual. Em junho, o Conselho do BCE decidiu reduzir novamente as três taxas de juro diretoras do BCE em 25 pontos base. A inflação oscilava então em torno do objetivo. As projeções mais recentes elaboradas por especialistas do Eurosistema reviram em baixa a inflação global em 2025 e 2026, devido sobretudo aos preços mais baixos dos produtos energéticos e a um euro mais forte. As projeções para a inflação excluindo preços dos produtos energéticos e dos produtos alimentares permaneceram globalmente inalteradas, com o crescimento dos salários a apresentar uma moderação visível e a contribuir para um retorno sustentado da inflação ao objetivo. O crescimento económico no primeiro trimestre tinha sido, em parte, dinamizado pela antecipação de exportações pelas empresas antes dos esperados aumentos das tarifas. O crescimento foi, porém, também impulsionado por uma forte procura interna.

O Conselho do BCE registou que as preocupações quanto ao impacto restritivo da volatilidade dos mercados financeiros, observada em abril em resposta às tensões comerciais, tinham abrandado. Notícias mais positivas sobre as políticas de comércio internacional e a melhoria do sentimento mundial relativamente ao risco contribuíram para essa estabilização. As condições de concessão de crédito às empresas continuaram a melhorar, tendo as taxas ativas bancárias descido e os diferenciais das obrigações das empresas diminuído, ao passo que os preços das ações subiram. Acresce que o crédito bancário registou um fortalecimento tanto para as empresas como para as famílias.

Não obstante estes desenvolvimentos favoráveis, o Conselho do BCE considerou que os riscos para o crescimento permaneciam enviesados em sentido descendente, devido às tensões no comércio internacional e à incerteza geopolítica. Salientou, todavia, que as condições de financiamento favoráveis e o maior investimento público deveriam apoiar a resiliência no médio prazo. As perspetivas da inflação eram mais incertas do que o habitual, refletindo o enquadramento volátil do comércio internacional, que criou riscos em ambos os sentidos (ou seja, em alta e em baixa). O Conselho do BCE alertou, em particular, para a possibilidade de a inflação ser mais baixa, caso as tarifas mais elevadas conduzissem a uma menor procura de exportações da área do euro e induzissem os países com capacidade excedentária a redirecionarem as suas exportações para a área do euro. Considerava‑se que as tensões comerciais poderiam gerar maior volatilidade e aversão ao risco nos mercados financeiros, o que pesaria sobre a procura interna e, por conseguinte, também faria descer a inflação. Em contraste, a inflação poderia revelar‑se superior, caso uma fragmentação das cadeias de abastecimento mundiais fizesse subir os preços das importações e elevasse as restrições em termos de capacidade produtiva da economia interna.

Em julho, o Conselho do BCE decidiu manter as taxas de juro inalteradas

Com o início do segundo semestre, em julho, o Conselho do BCE decidiu manter as taxas de juro inalteradas. A inflação situava‑se no objetivo de médio prazo de 2% do BCE, e os dados disponíveis estavam globalmente em consonância com a avaliação anterior do Conselho do BCE das perspetivas de inflação. As pressões internas sobre os preços continuavam a abrandar com a moderação do crescimento dos salários. Apesar das condições mundiais difíceis, a economia da área do euro permanecia, em geral, resiliente, apoiada pelas condições robustas do mercado de trabalho, pelo aumento dos rendimentos reais e por condições de financiamento favoráveis. A decisão de manter as taxas estáveis refletiu a confiança crescente do Conselho do BCE de que as taxas de juro tinham atingido um nível apropriado para assegurar uma convergência sustentada da inflação com o objetivo.

O Conselho do BCE também manteve as taxas de juro inalteradas em setembro...

Em setembro, perante uma situação semelhante à de julho, o Conselho do BCE decidiu de novo manter as taxas de juro inalteradas. As projeções atualizadas elaboradas por especialistas do BCE indicavam uma inflação global, em média, de 2,1% em 2025, ligeiramente acima do anteriormente projetado, descendo depois para 1,7% em 2026 e 1,9% em 2027. A projeção relativa ao crescimento em 2025 foi revista em alta para 1,2%, refletindo uma procura interna mais forte do que o esperado, ao passo que a projeção para 2026 foi revista ligeiramente em baixa, por se esperar que as incertezas a nível mundial pesassem sobre a atividade económica. A decisão de setembro sublinhou a abordagem dependente dos dados e reunião a reunião do Conselho do BCE na fixação das taxas de juro num contexto de incertezas persistentes a nível mundial.

... atendendo a que a economia tinha permanecido mais forte do que o esperado no primeiro semestre de 2025

A atividade económica registou um crescimento de 0,7% em termos cumulativos no primeiro semestre de 2025, apoiada pela robustez do consumo privado e do investimento. Esperava‑se que os fatores adversos decorrentes das tarifas mais elevadas, da maior concorrência mundial e de um euro mais forte atenuassem o crescimento durante o resto do ano. No entanto, projetava‑se que esses efeitos desvanecessem em 2026, com as despesas de consumo e o investimento das empresas a beneficiarem da redução da restritividade das condições de financiamento e da continuação da robustez do mercado de trabalho. A inflação permaneceu estável e em níveis próximos do objetivo do BCE. As pressões internas sobre os preços continuaram a abrandar, devido à moderação do crescimento dos salários e à melhoria da produtividade, o que contribuiu para um crescimento mais lento dos custos do trabalho.

O Conselho do BCE avaliou os riscos para o crescimento como mais equilibrados do que no início do ano. Ainda que as tensões comerciais e as incertezas geopolíticas persistissem, os acordos comerciais recentes tinham reduzido alguns dos riscos que pesavam sobre a procura mundial e a confiança. Despesas em defesa e infraestruturas mais elevadas do que o esperado, a par de reformas destinadas a fomentar a produtividade, proporcionariam apoio adicional ao crescimento a médio prazo. Ao mesmo tempo, o Conselho do BCE continuou a considerar as perspetivas de inflação mais incertas do que o habitual, pelas mesmas razões que nas reuniões anteriores.

Em outubro, o Conselho do BCE manteve as taxas de juro inalteradas

Em outubro, o Conselho do BCE realizou a sua reunião externa anual fora de Frankfurt am Main, organizada pelo Banca d’Italia em Florença. Mais uma vez decidiu manter as taxas de juro inalteradas, visto que a inflação permanecia próximo do objetivo de médio prazo de 2% e a avaliação das perspetivas de inflação se mantinha globalmente inalterada.

A atividade económica tinha registado um crescimento modesto no terceiro trimestre, impulsionada pela robustez no setor dos serviços – em particular, dos serviços de turismo e dos serviços digitais – que compensou a fragilidade da indústria transformadora, a qual continuou a enfrentar fatores adversos decorrentes das tarifas mais elevadas e da maior concorrência mundial. Esperava‑se que a procura interna permanecesse resiliente, graças ao consumo privado apoiado pelo aumento dos rendimentos reais, ao investimento público em infraestruturas e defesa e às condições de financiamento favoráveis. A procura externa enfrentava, no entanto, desafios, com a diminuição das exportações de bens e a continuação das incertezas quanto ao comércio. A inflação homóloga tinha subido ligeiramente para 2,2% em setembro, sobretudo devido à volatilidade dos preços dos produtos energéticos. Ao mesmo tempo, esperava‑se que a moderação salarial e as melhorias da produtividade continuassem a atenuar as pressões internas sobre os preços, e as expetativas de inflação a mais longo prazo permaneciam firmemente ancoradas.

O Conselho do BCE decidiu avançar com a fase seguinte do projeto do euro digital

O Conselho do BCE reiterou o seu empenho em tornar a moeda do banco central para pagamentos de retalho e por grosso adequada à era digital. Assim sendo, decidiu avançar para a fase seguinte do projeto do euro digital, a fim de assegurar a preparação técnica para uma potencial emissão, após a adoção da legislação, e apoiar a soberania digital da Europa (ver a caixa 4).

Na sua reunião final de 2025, o Conselho do BCE também decidiu manter as taxas de juro inalteradas

O Conselho do BCE concluiu o ano com uma nova decisão de manter as taxas inalteradas. As projeções de dezembro elaboradas por especialistas do Eurosistema apontavam para uma inflação média de 2,1% em 2025, 1,9% em 2026, 1,8% em 2027 e 2,0% em 2028. A inflação foi revista em alta para 2026, sobretudo porque os especialistas esperavam que a inflação dos serviços diminuísse de forma mais lenta do que o indicado em projeções anteriores. O perfil moderadamente mais elevado que se esperava para a inflação, em comparação com as projeções de setembro, e o seu projetado retorno ao objetivo até 2028 reforçaram ainda mais os argumentos a favor da manutenção das taxas diretoras inalteradas. Acresce que a economia da área do euro se manteve resiliente, apoiada por mercados de trabalho robustos, pelo aumento dos rendimentos reais e da despesa pública, não obstante os desafios decorrentes do comércio internacional e das tensões geopolíticas.

As condições de crédito na economia permaneceram globalmente estáveis, enquanto os bancos da área do euro se apresentaram resilientes, graças a rácios de capital e de liquidez fortes, uma qualidade dos ativos sólida e uma rentabilidade robusta. Considerou‑se que a incerteza geopolítica e a possibilidade de uma reavaliação abrupta de preços nos mercados financeiros mundiais representavam riscos para a estabilidade financeira na área do euro, tendo o Conselho do BCE reiterado que a política macroprudencial continuava a ser a primeira linha de defesa contra a acumulação de vulnerabilidades financeiras, reforçando a resiliência e preservando a margem macroprudencial.

O Conselho do BCE reafirmou, mais uma vez, o seu empenho em seguir uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião na definição da orientação adequada da política monetária.

2.2 A normalização do balanço do Eurosistema continuou a progredir

O balanço do Eurosistema diminuiu gradualmente com o decréscimo das posições das carteiras de política monetária

Em 2025, a normalização gradual do balanço do Eurosistema, que teve início em 2022, prosseguiu de forma constante. No final do ano, o balanço tinha diminuído para 6,3 biliões de euros, face a 6,4 biliões de euros no final de 2024. Esta redução deveu‑se sobretudo à continuação da diminuição dos títulos detidos nas carteiras do APP e do PEPP.

No final de 2025, os títulos detidos para fins de política monetária ascendiam a 3,7 biliões de euros, um decréscimo de 0,5 biliões de euros em comparação com o final de 2024. Estes títulos representavam 60% do total do ativo, tendo descido face a 67% no ano anterior. Os empréstimos a instituições de crédito da área do euro no contexto das operações de refinanciamento do Eurosistema permaneceram limitados, situando‑se em torno de 37 mil milhões de euros, face a 34 mil milhões de euros no final de 2024. Por seu lado, os outros ativos financeiros no balanço (ativos denominados em moeda estrangeira, ouro e carteiras de ativos não relacionados com a política monetária denominados em euros) aumentaram 0,4 biliões de euros. Este aumento deveu‑se principalmente à subida do preço do ouro.

Do lado do passivo, o montante total das reservas das instituições de crédito (incluindo o recurso à facilidade permanente de depósito) diminuiu de 3,0 biliões de euros no final de 2024 para 2,6 biliões de euros no final de 2025. Esse montante representava 41% do total do passivo, em comparação com 47% no ano anterior. As notas em circulação mantiveram‑se praticamente inalteradas em 1,6 biliões de euros, representando 26% do total do passivo, tendo subido face a 25% no ano anterior. As outras responsabilidades, incluindo depósitos das administrações públicas, outros depósitos não relacionados com a política monetária, contas de reavaliação e capital e reservas, aumentaram 0,2 biliões de euros.

Gráfico 2.2

Evolução do balanço consolidado do Eurosistema

(em mil milhões de euros)

Fonte: BCE.

Notas: Os valores positivos referem‑se ao ativo e os valores negativos ao passivo. A linha correspondente à liquidez excedentária é apresentada como um valor positivo, embora se refira à soma das seguintes rubricas do passivo: depósitos à ordem que excedam as reservas mínimas e recurso à facilidade permanente de depósito.

Evolução das carteiras do APP e do PEPP

A redução passiva das posições assegurou uma diminuição harmoniosa e previsível das reservas excedentárias sem efeitos adversos no funcionamento do mercado

Em consonância com as decisões do Conselho do BCE, as carteiras de política monetária do Eurosistema continuaram a diminuir em 2025. Após a cessação dos reinvestimentos no âmbito do APP a partir de julho de 2023 e ao abrigo do PEPP no final de 2024, 2025 foi o primeiro ano desde o início dos programas em que o Eurosistema não realizou quaisquer aquisições de ativos relacionadas com a política monetária.

Os reembolsos no âmbito do APP ascenderam a 351,4 mil milhões de euros, reduzindo as posições da carteira para 2,3 biliões de euros (ao custo amortizado) no final do ano. O programa de compra de ativos do setor público (public sector purchase programme – PSPP) representou o maior montante de títulos vincendos, reduzindo os ativos detidos ao abrigo do PSPP para 1,9 biliões de euros, ou seja, 80% da carteira do APP. A maturidade média ponderada dos títulos do setor público detidos no contexto do PSPP manteve‑se, em geral, inalterada em 6,8 anos no final de 2025. Os instrumentos de dívida titularizados correspondiam a menos de 1% (3 mil milhões de euros) da carteira do APP, ao passo que as obrigações com ativos subjacentes representavam 9% (210 mil milhões de euros) e os títulos do setor empresarial 11% (249 mil milhões de euros).

No contexto do PEPP, os reembolsos do capital ascenderam a 185,9 mil milhões de euros em 2025, reduzindo as posições da carteira para 1,4 biliões de euros (ao custo amortizado) no final do ano. Os títulos do setor público correspondiam a 97% da carteira do PEPP (1,4 biliões de euros) no final do exercício, com uma maturidade média ponderada de 7,0 anos. Os títulos do setor empresarial correspondiam a 3% (41 mil milhões de euros), ao passo que as obrigações com ativos subjacentes representavam menos de 1% (5 mil milhões de euros). O calendário de publicação transparente, introduzido em janeiro de 2025 para os reembolsos ao abrigo do PEPP, apoiou a redução ordenada das posições da carteira. Alinhou as divulgações de dados sobre o PEPP, incluindo perfis de reembolso retrospetivos e prospetivos, com as do APP, assegurando a coerência e a previsibilidade entre as duas carteiras.

As posições combinadas do APP e do PEPP diminuíram 537,3 mil milhões de euros em 2025, reduzindo o total da carteira de títulos para fins de política monetária para 3,7 biliões de euros no final do ano. A transição plena do Eurosistema para uma redução passiva do balanço decorreu de forma harmoniosa ao longo do ano, sem sinais de efeitos adversos no funcionamento do mercado. As condições de liquidez permaneceram ordenadas, os mercados de operações de reporte funcionaram de forma eficiente e os investidores do setor privado continuaram a exibir uma procura constante de títulos de dívida da área do euro.

De um modo geral, a evolução em 2025 confirma que a redução das posições da carteira de política monetária está a avançar como esperado. O regime de redução passiva proporcionou uma base estável para a continuação da normalização do balanço do Eurosistema. Esta abordagem facilitou uma transição harmoniosa e transparente para um nível mais baixo de reservas excedentárias, preservando simultaneamente a estabilidade das condições no mercado.

Evolução das operações de refinanciamento do Eurosistema

A participação nas operações de refinanciamento manteve‑se em níveis historicamente reduzidos

No final de 2025, o saldo das operações de refinanciamento do Eurosistema ascendia a 36,7 mil milhões de euros, um aumento marginal de 2,5 mil milhões de euros em comparação com o final de 2024. O recurso a estas operações permaneceu reduzido, refletindo uma liquidez excedentária significativa e o custo mais elevado do financiamento disponibilizado pelo Eurosistema em comparação com alternativas baseadas no mercado. No final do ano, os saldos das operações principais de refinanciamento e das operações de refinanciamento de prazo alargado com prazo de 3 meses eram de, respetivamente, 25,0 mil milhões de euros e 11,7 mil milhões de euros. Em dezembro, o BCE convidou as contrapartes a testar o acesso às operações principais de refinanciamento e/ou às operações de refinanciamento de prazo alargado com prazo de 3 meses pelo menos uma vez por ano, com um montante de proposta ao seu critério e contra ativos de garantia em conformidade com o quadro geral de ativos de garantia do Eurosistema[20].

Evolução dos ativos transacionáveis elegíveis e dos ativos de garantia mobilizados

Os ativos de garantia elegíveis e mobilizados continuaram a aumentar, sendo os títulos emitidos por administrações centrais a principal componente

O valor nominal dos ativos transacionáveis elegíveis como garantia em operações de refinanciamento do Eurosistema aumentou 939 mil milhões de euros em 2025, atingindo 20,3 biliões de euros no final do ano (gráfico 2.3). O aumento dos ativos de garantia elegíveis adveio sobretudo de uma maior emissão de obrigações de dívida pública. Os títulos emitidos por administrações centrais continuaram a ser a maior classe de ativos (10,9 biliões de euros). Outras classes de ativos significativas incluíram obrigações bancárias sem garantia (2,3 biliões de euros), obrigações de empresas (2,1 biliões de euros) e obrigações com ativos subjacentes (2,0 biliões de euros). Por seu lado, classes de ativos, como títulos emitidos por administrações regionais (688 mil milhões de euros), instrumentos de dívida titularizados (669 mil milhões de euros) e outros ativos transacionáveis (1,7 biliões de euros) representaram uma porção mais limitada do universo de ativos elegíveis.

Gráfico 2.3

Evolução dos ativos transacionáveis elegíveis

(em biliões de euros)

Fonte: BCE.
Notas: Os valores dos ativos são montantes nominais. O gráfico apresenta médias de dados em fim de mês para cada trimestre.

Os ativos de garantia mobilizados aumentaram 53 mil milhões de euros em 2025, atingindo 1,6 biliões de euros no final do ano (gráfico 2.4). Ao mesmo tempo, o volume das operações de refinanciamento do Eurosistema manteve‑se reduzido ao longo do ano, resultando num rácio historicamente baixo do crédito por liquidar do Eurosistema em relação ao montante total de ativos de garantia mobilizados, que ascendia apenas a 1,4% no final do ano. As obrigações bancárias com ativos subjacentes, os direitos de crédito e os instrumentos de dívida titularizados continuaram a ser as classes de ativos mais fortemente mobilizadas. Os instrumentos de dívida titularizados registaram um ligeiro aumento de mobilização ao longo de 2025, tendo a maior diminuição de mobilização sido observada nos direitos de crédito. O enquadramento para a implementação da política monetária do Eurosistema foi objeto de várias alterações em 2025 relacionadas com os quadros de avaliação de crédito e controlo do risco aplicáveis aos ativos elegíveis a mobilizar como garantia (ver a secção 2.3).

Gráfico 2.4

Evolução dos ativos de garantia mobilizados

(em mil milhões de euros)

Fonte: BCE.
Notas: No tocante a ativos de garantia, são apresentadas médias de dados em fim de mês para cada trimestre, sendo os valores utilizados após valorização e aplicação das margens de avaliação. Relativamente ao crédito por liquidar, são utilizados dados diários.

2.3 O Eurosistema continuou a reforçar o seu quadro de gestão dos riscos financeiros

O Eurosistema gere continuamente os riscos financeiros inerentes à execução das suas operações de política monetária. A sua função de gestão do risco visa alcançar a eficiência em termos de riscos, limitando a assunção de riscos ao nível necessário para cumprir os objetivos da política monetária.

As principais alterações do quadro de gestão de risco do Eurosistema em 2025 estiveram relacionadas com as políticas de ativos de garantia e prenderam‑se com: 1) mudanças na utilização de notações externas para a avaliação da qualidade de crédito de certos ativos de garantia; 2) a introdução de melhorias específicas do quadro de controlo de risco para determinados ativos de garantia; 3) a adoção de um “fator climático” na avaliação de certos ativos de garantia mobilizados para refletir as incertezas relacionadas com as alterações climáticas; e 4) e a inclusão de riscos relacionados com as alterações climáticas nas notações emitidas pelos sistemas internos de avaliação de crédito (SIAC) dos bancos centrais nacionais (BCN). Os riscos associados às carteiras do APP e do PEPP continuaram a ser geridos de acordo com os quadros de controlo do risco estabelecidos.

Vários bancos centrais do Eurosistema continuaram a incorrer em perdas, não obstante custos de juros mais reduzidos

Diversos bancos centrais do Eurosistema, incluindo o BCE, continuaram a registar rendimentos líquidos baixos ou negativos em 2025. Embora as taxas de juro diretoras do BCE tenham sido reduzidas, o custo das responsabilidades nos balanços da maioria dos bancos centrais do Eurosistema ultrapassou o rendimento gerado pelas suas carteiras de títulos detidos ao abrigo do APP e do PEPP, o que resultou numa margem financeira negativa. Além disso, a depreciação de moedas estrangeiras face ao euro afetou negativamente as carteiras de ativos de reserva de alguns bancos centrais. Tais prejuízos não afetam a capacidade do Eurosistema para prosseguir o seu objetivo de manutenção da estabilidade de preços e funcionar eficazmente. Quando um banco central regista um prejuízo, pode utilizar as reservas financeiras constituídas em anos anteriores para compensá‑lo ou registá‑lo no balanço para compensação com lucros futuros. Acresce que um aumento significativo das reservas financeiras do Eurosistema, decorrente das contas de reavaliação mais elevadas, em particular as associadas a posições em ouro, contribuiu substancialmente para a sua resiliência financeira.

Alteração do quadro de gestão dos riscos financeiros do Eurosistema

Ao abrigo de novas regras, as segundas melhores notações determinarão a elegibilidade de ativos de garantia e as margens de avaliação aplicáveis a ativos do setor privado e do setor público de fora da área do euro

O quadro de gestão dos riscos financeiros do Eurosistema sofreu várias alterações em 2025.

Primeiro, em fevereiro de 2025, o Conselho do BCE decidiu alterar as regras relativas à utilização de notações de crédito externas para ativos do setor privado, com implementação prevista, pelo menos, 18 meses após a data do anúncio. As alterações dizem respeito às notações emitidas por instituições externas de avaliação de crédito (IEAC) para ativos do setor privado – como obrigações bancárias sem garantia, obrigações bancárias com ativos subjacentes e ativos emitidos por sociedades não financeiras – e também ativos do setor público de fora da área do euro elegíveis como garantia nas operações de política monetária do Eurosistema. Uma vez introduzidas estas alterações, a segunda melhor notação de crédito, de entre as notações emitidas pelas IEAC aceites, para os referidos ativos será utilizada para determinar a elegibilidade, assim como as margens de avaliação aplicáveis. As regras alteradas permitem uma melhor utilização da informação externa disponível sobre as notações de crédito. No caso de ativos com apenas uma notação de crédito disponibilizada por IEAC aceites, será aplicada uma redução de um grau à notação de crédito disponível, a fim de determinar a notação relevante para efeitos de garantia. Os ativos emitidos ou garantidos por administrações públicas da área do euro (por exemplo, administrações centrais, regionais e locais da área do euro; emitentes internacionais e supranacionais localizados na área do euro cujos acionistas estejam localizados na UE; e agências reconhecidas pelo BCE) continuarão a ser avaliados com base na regra vigente da “melhor notação”. O Eurosistema utiliza regularmente toda a informação disponível sobre a qualidade creditícia e aplica procedimentos reforçados de diligência devida. No caso de instrumentos de dívida titularizados, a regra da segunda melhor notação de emissão já em vigor permanecerá inalterada.

Uma análise do quadro de controlo do risco resultou em melhorias da metodologia das margens de avaliação

Segundo, em 2025, o Eurosistema realizou uma análise do quadro de controlo do risco para operações de crédito com garantia. O Eurosistema aplica medidas de controlo do risco aos ativos subjacentes às suas operações de crédito, no sentido de se proteger contra o risco de perdas financeiras, se os ativos tiverem de ser vendidos após o incumprimento de uma contraparte. O objetivo da análise era assegurar que o quadro continuava a proporcionar proteção, coerência e equivalência em termos de risco nas várias classes de ativos. Uma medida de controlo do risco assume a forma de margens de avaliação, as quais reduzem o montante que pode ser obtido em operações de crédito para fins de política monetária com um dado valor constituído como garantia. Na sequência da análise, o Eurosistema decidiu introduzir melhorias específicas na metodologia de margens de avaliação, com particular incidência nas obrigações com ativos subjacentes elegíveis para uso próprio, instrumentos de dívida titularizados retidos e direitos de crédito individuais. A implementação destas alterações está prevista para, o mais tardar, novembro de 2026.

Um “fator climático” aplicado à valorização dos ativos de garantia ajudará a dar resposta às incertezas relacionadas com as alterações climáticas

Terceiro, como parte dos esforços para fazer face aos riscos climáticos, o Conselho do BCE decidiu, em julho, introduzir um “fator climático” no quadro de ativos de garantia. Com implementação prevista para 15 de junho de 2026, o fator climático pode reduzir o valor atribuído a determinados ativos transacionáveis apresentados como garantia, dependendo do grau a que estão expostos a incertezas relacionadas com as alterações climáticas. O fator foi concebido para servir de amortecedor contra o potencial impacto financeiro de choques de transição relacionados com as alterações climáticas. Complementará o atual quadro de gestão do risco do Eurosistema, incorporando análises prospetivas de cenários climáticos e melhorando, assim, a resiliência da execução da política monetária do Eurosistema. O fator climático centrar‑se‑á nos ativos transacionáveis emitidos por sociedades não financeiras e entidades afiliadas e será calibrado de modo a também preservar suficiente disponibilidade de ativos de garantia. O fator climático, incluindo a sua abrangência e calibração, será reanalisado regularmente pelo Conselho do BCE. Ao tomar em conta as incertezas relacionadas com eventos adversos associados à transição ecológica, o Eurosistema reforçará a sua capacidade para mitigar os riscos financeiros relacionados com as alterações climáticas.

As avaliações de crédito dos SIAC incorporaram riscos relacionados com as alterações climáticas

Em 2025, todas as notações de crédito dos SIAC incluíam riscos climáticos, em consonância com as normas comuns do Eurosistema implementadas no final de 2024. Depois de o BCE ter anunciado o seu plano de ação climática em julho de 2021, o Eurosistema acordou, em 2022, um conjunto de normas mínimas comuns para a forma como os SIAC deveriam incluir os riscos climáticos nas suas notações. Os SIAC são uma importante fonte de avaliação do risco de crédito de direitos de crédito. As normas comuns exigem que os processos de notação dos SIAC estabeleçam uma distinção entre risco de transição e risco físico e tenham igualmente em conta os vários canais de transmissão de riscos climáticos. A avaliação dos riscos climáticos é realizada pelos SIAC a nível da empresa, sempre que existam dados suficientes e fiáveis, com vista a determinar se, e em que grau, os riscos relacionados com as alterações climáticas afetam a qualidade creditícia das sociedades não financeiras objeto de notação.

Gestão dos riscos dos ativos detidos nas carteiras do APP e do PEPP

Os riscos decorrentes do APP e do PEPP são geridos de acordo com os quadros previamente estabelecidos

As carteiras do APP e do PEPP diminuíram a um ritmo gradual e previsível em 2025, tendo o Eurosistema descontinuado reinvestimentos nestas carteiras. Os riscos financeiros destes programas continuam a ser geridos de acordo com os quadros de controlo do risco previamente estabelecidos. Ambos os programas são compostos por diferentes tipos de classes de ativos, nomeadamente títulos de dívida do setor público e do setor empresarial, bem como instrumentos de dívida titularizados e obrigações com ativos subjacentes. Os quadros de controlo do risco têm em conta os objetivos de cada programa em termos de políticas e os perfis de risco das diferentes classes de ativos que contém. Contemplam critérios de elegibilidade, avaliações do risco de crédito e procedimentos de diligência devida, regimes de preço, índices de referência e limites.

Caixa 2
Avaliação de 2025 da estratégia de política monetária

Em 30 de junho de 2025, o Conselho do BCE anunciou os resultados da avaliação da estratégia de política monetária do BCE, realizada para assegurar que a estratégia permanece adequada à sua finalidade. A avaliação seguiu‑se ao reexame da estratégia concluído em 2021, em consonância com o compromisso do BCE de proceder periodicamente a reexames. A avaliação de 2025 foi de âmbito mais restrito do que o anterior reexame, que consistiu numa reavaliação completa do quadro de política monetária do BCE. Concretamente, a avaliação visou incorporar os ensinamentos retirados da considerável alteração do contexto de inflação observada entretanto e das medidas de política monetária tomadas ao longo deste período.

A avaliação da estratégia resultou de um esforço de colaboração entre o BCE e os BCN do Eurosistema. O processo foi organizado em duas vertentes de trabalho separadas, cada uma incidindo sobre aspetos específicos da estratégia e apoiada por recursos analíticos e técnicos significativos proporcionados por membros do pessoal do Eurosistema. As conclusões retiradas em cada uma destas vertentes de trabalho foram publicadas sob a forma de documentos de trabalho ocasionais do BCE.

Principais resultados

A avaliação de 2025 reafirmou o objetivo simétrico de 2% para a inflação no médio prazo como a pedra angular da estratégia de política monetária do BCE. O Conselho do BCE reconheceu que, para manter a simetria, é importante tomar medidas de política monetária adequadamente vigorosas ou persistentes em resposta a grandes desvios sustentados da inflação face ao objetivo, qualquer que seja o sentido. Esta abordagem é necessária para evitar que os desvios se enraízem por meio de uma desancoragem das expetativas de inflação.

A avaliação salientou ainda a necessidade de ter em conta as mudanças estruturais em curso, como fragmentação geopolítica e económica, alterações demográficas, digitalização e utilização crescente da IA, ameaça à sustentabilidade ambiental e alterações no sistema financeiro internacional. Estes desenvolvimentos sugerem que o enquadramento da inflação permanecerá incerto e potencialmente mais volátil, colocando desafios à política monetária. Neste contexto, o Conselho do BCE sublinhou a importância de as decisões de política monetária considerarem não apenas a trajetória mais provável da inflação e da economia, mas também os riscos e a incerteza em torno dessa trajetória, nomeadamente através da utilização apropriada de análises de cenários e de sensibilidade. Em consonância com o reexame de 2021, o Conselho do BCE reafirmou o seu compromisso de ter em conta considerações sobre a estabilidade financeira nas suas deliberações de política monetária. Reiterou ainda o empenho em garantir, no âmbito do seu mandato, que o Eurosistema tem plenamente em conta as implicações das alterações climáticas para a política monetária, passando também a contemplar a degradação da natureza. O Conselho do BCE reiterou a importância de uma comunicação clara e transparente das decisões de política monetária para que o público compreenda as medidas tomadas e confie na atuação do BCE.

A avaliação confirmou que o principal instrumento de política monetária é o conjunto de taxas de juro diretoras do BCE. Todos os outros instrumentos de política monetária atualmente ao dispor do BCE – como as operações de refinanciamento de prazo alargado, as compras de ativos, as taxas de juro negativas e as indicações sobre a orientação futura da política monetária – também continuarão a fazer parte do conjunto de instrumentos. Estes poderão ser aplicados, consoante apropriado, para definir a orientação da política monetária quando as taxas diretoras estão próximo do limite inferior efetivo ou para preservar o bom funcionamento da transmissão da política monetária. A escolha, conceção e implementação de instrumentos permitirão uma resposta ágil a novos choques e serão sujeitas a uma análise exaustiva da proporcionalidade. O Conselho do BCE continuará a responder com flexibilidade a novos desafios, conforme estes surjam, e a considerar, quando necessário, novos instrumentos de política monetária na prossecução do seu objetivo da estabilidade de preços.

O Conselho do BCE concluiu que a estratégia de política monetária atualizada do BCE está bem equipada para assegurar a estabilidade de preços perante a evolução dos desafios. A orientação de médio prazo da estratégia proporciona a flexibilidade necessária para responder a desvios do objetivo de inflação em função do contexto e da origem, magnitude e persistência do desvio, mantendo, porém, as expetativas de inflação ancoradas. Esta flexibilidade é particularmente valiosa na atual conjuntura de incerteza acrescida, marcada por tensões geopolíticas, fragmentação do comércio e preços voláteis dos produtos energéticos.

O Conselho do BCE tenciona realizar avaliações periódicas da estratégia, estando a próxima prevista para 2030. Essas avaliações assegurarão que o Eurosistema permanece ágil e apto a responder a alterações estruturais, podendo cumprir eficazmente o seu mandato de manutenção da estabilidade de preços.

3 Setor financeiro europeu: navegar os maiores riscos geopolíticos e de mercado num contexto de desafios estruturais

Em 2025, os riscos em termos de estabilidade financeira na área do euro permaneceram elevados, num contexto de tensões geopolíticas acrescidas, fragmentação do comércio e maior incerteza em termos de políticas a nível mundial. Os choques sob a forma de tarifas e a procura externa mais fraca afetaram negativamente a rentabilidade das empresas e agravaram o risco de crédito. As vulnerabilidades entre emitentes de dívida pública foram impulsionadas pelos elevados níveis de dívida, pela perspetiva de um aumento das despesas com defesa e das necessidades de investimento, bem como pelas repercussões decorrentes de preocupações com sustentabilidade orçamental a nível mundial. A forte capitalização e rentabilidade dos bancos continuaram a reforçar a sua resiliência, não obstante o aumento dos riscos de crédito e de mercado e as vulnerabilidades persistentes no setor da intermediação financeira não bancária (IFNB), devido à alavancagem, desfasamentos de liquidez e interligações. Apesar destas vulnerabilidades subjacentes, o setor da IFNB também permaneceu globalmente resiliente. A política macroprudencial centrou‑se na preservação da resiliência através da manutenção e, em alguns casos, do aumento das reservas de fundos próprios e das medidas baseadas no mutuário. No que respeita à supervisão microprudencial, progrediu‑se em termos de simplificação, resiliência operacional digital e incorporação dos riscos relacionados com o clima e a natureza na agenda de supervisão, ao passo que os testes de esforço confirmaram a solidez dos bancos. Durante o ano, o BCE também trabalhou no desenvolvimento de propostas para simplificar os quadros regulamentares, supervisão e reporte europeus. Iniciativas legislativas importantes avançaram, incluindo a implementação das reformas finais de Basileia III, a reforma do quadro da UE para gestão de crises bancárias e seguro de depósitos e medidas no sentido de uma união da poupança e dos investimentos.

3.1 Enquadramento da estabilidade financeira em 2025

Incerteza elevada e tensões comerciais afetaram negativamente a estabilidade financeira na área do euro

As vulnerabilidades em termos de estabilidade financeira na área do euro permaneceram elevadas em 2025, num contexto de tensões geopolíticas acrescidas e preocupações crescentes com a fragmentação geoeconómica. A incerteza em torno das políticas económicas mundiais aumentou, impulsionada, em grande medida, por alterações no panorama comercial e nas políticas regulamentares e orçamentais nos Estados Unidos, bem como por preocupações quanto a um recuo generalizado face ao multilateralismo. O anúncio de tarifas sobre as importações nos Estados Unidos mais elevadas do que o esperado no início de abril de 2025 desencadeou um aumento considerável da volatilidade dos mercados em todas as classes de ativos e uma venda generalizada (sell‑off) acentuada de ativos de maior risco, refletindo a reavaliação por parte dos investidores das perspetivas de crescimento mundial e o risco de uma fragmentação geoeconómica mais profunda. Mais tarde no ano, os acordos comerciais entre os Estados Unidos e vários dos seus principais parceiros comerciais, incluindo a UE, atenuaram a incerteza em termos de políticas comerciais e acalmaram os mercados. No entanto, enquanto economia altamente aberta e profundamente integrada nas cadeias de valor mundiais, a área do euro manteve‑se particularmente exposta a riscos de fragmentação geoeconómica.

As vulnerabilidades entre emitentes de dívida pública permaneceram, no geral, contidas, mas a subida das necessidades de emissão e do risco orçamental afetou negativamente alguns países

As vulnerabilidades entre emitentes de dívida pública na área do euro resultaram de níveis de dívida ainda elevados em alguns países, do aumento das necessidades de emissão e das mudanças na procura por parte dos investidores. A pegada reduzida do Eurosistema nos mercados obrigacionistas, juntamente com expetativas de maiores necessidades de financiamento público, conduziu a uma maior inclinação das curvas de rendimentos na área do euro ao longo do ano, o que também reflete preocupações mundiais quanto à sustentabilidade da dívida de longo prazo dos Estados Unidos e ao financiamento externo necessário para financiar os duplos défices do país. Embora os fundamentos creditícios sólidos e as subidas da notação em vários países da área do euro tenham ajudado a comprimir os diferenciais das obrigações soberanas, os diferenciais alargaram‑se nos países que enfrentam desafios orçamentais e reduções das notações. Paralelamente, fragilidades orçamentais nas principais economias avançadas, incluindo o impasse orçamental e um encerramento temporário da administração federal nos Estados Unidos, suscitaram preocupações quanto à sustentabilidade da dívida soberana a nível mundial e ao risco de uma reavaliação mais generalizada do risco soberano na área do euro. Além disso, a necessidade de responder às elevadas tensões geopolíticas e às ameaças híbridas salienta a urgência de os países membros da NATO impulsionarem as despesas em defesa, a fim de cumprirem a nova meta da NATO de 5% do PIB até 2035. Porém, o aumento das despesas em defesa, juntamente com os investimentos planeados de grande escala em infraestruturas e relacionados com o clima, implicam necessidades de financiamento adicionais consideráveis a médio prazo. Tal poderia suscitar preocupações quanto à sustentabilidade da dívida soberana em alguns países da área do euro, e a consequente subida das taxas de rendibilidade das obrigações soberanas poderia repercutir‑se nas condições de financiamento nos setores empresarial e financeiro através de prémios de risco mais elevados e da possível redução das notações.

Vulnerabilidades das empresas permaneceram elevadas, com riscos de repercussão nos balanços das famílias

As vulnerabilidades no setor empresarial da área do euro permaneceram elevadas em 2025, com o impacto da subida das tarifas e das tensões comerciais persistentes a repercutir‑se mais fortemente. Embora os balanços se tenham fortalecido em anos anteriores e o endividamento agregado tenha caído para níveis inferiores aos observados antes da crise financeira mundial, a rentabilidade esteve sob pressão da procura externa moderada, dos custos elevados do serviço da dívida e da subida das despesas com o trabalho. A apreciação do euro e as tarifas mais elevadas sobre as exportações da área do euro enfraqueceram a competitividade de preços das empresas da área do euro nos mercados mundiais. Tal levou a uma perda de quota de mercado, que foi novamente reduzida pela forte concorrência dos exportadores chineses, refletindo, em parte, a fraca procura interna na China. As insolvências aumentaram num vasto leque de setores e países, refletindo o ambiente empresarial ainda fraco e incerto e aumentando o risco de repercussões macrofinanceiras mais amplas, nomeadamente de setores sensíveis às tarifas e às exportações.

Os balanços das famílias fortaleceram‑se ao longo do ano, apoiados pelo dinamismo dos mercados de trabalho, pela subida dos salários reais e pela redução contínua dos rácios da dívida em relação ao PIB, o que impulsionou a capacidade de serviço da dívida e proporcionou amortecedores face a choques adversos. Esta resiliência também assentou no elevado stock de poupança acumulada durante períodos anteriores de incerteza e foi sustentada por taxas de poupança persistentemente elevadas. No entanto, esta situação benigna poderia inverter‑se caso as vulnerabilidades das empresas relacionadas com o comércio se manifestassem de forma mais enérgica. O aumento das falências e dos despedimentos em setores sensíveis às tarifas poderia enfraquecer as condições no mercado de trabalho, pesar sobre o crescimento dos salários e minar a confiança dos consumidores, afetando assim negativamente o consumo das famílias e a resiliência dos mutuários.

A rentabilidade dos bancos e as reservas de fundos próprios mantiveram‑se fortes, mas os riscos de crédito decorrentes das tensões comerciais aumentaram

A resiliência do setor bancário da área do euro continuou a ser um fator essencial de estabilização do sistema financeiro em 2025. Os rácios de capital e de liquidez dos bancos permaneceram muito acima dos requisitos regulamentares. Uma margem financeira robusta, juntamente com fortes receitas líquidas de taxas e comissões, sustentou a rendibilidade dos capitais próprios em níveis acima de 9% em 2025. Além disso, a melhoria do sentimento do mercado em relação ao setor, a par de expetativas de lucros sustentados e de distribuições de lucros excecionais sob a forma de dividendos e recompras de ações, impulsionaram os preços das ações dos bancos e levaram a um aumento dos rácios do preço em relação ao valor contabilístico para novos máximos observados após a crise financeira mundial, reduzindo gradualmente o desvio em relação aos seus pares nos Estados Unidos.

O rácio agregado de créditos não produtivos (non‑performing loans – NPL) das instituições significativas manteve‑se próximo de mínimos históricos em 2025. Ao mesmo tempo, os riscos de crédito nas carteiras de empréstimos dos bancos aumentaram ligeiramente nos empréstimos a pequenas e médias empresas e no crédito ao consumo. Além disso, a combinação de condições macrofinanceiras fracas, do impacto desfasado de anteriores subidas das taxas de juro e da intensificação das tensões comerciais enviesou as perspetivas para o risco de crédito em sentido descendente no que respeita à exposição quer às empresas quer às famílias. Os bancos com exposições concentradas a setores dependentes do comércio extra‑UE ou a regiões mais afetadas por fricções no comércio poderão enfrentar uma maior pressão sobre a qualidade dos ativos caso a fragmentação do comércio se intensifique ou as condições económicas continuem a enfraquecer. Perante este cenário, necessidades de constituição de provisões mais elevadas poderão afetar a rentabilidade dos bancos, embora as suas reservas de fundos próprios proporcionem uma reserva substancial contra perdas.

Os mercados financeiros mostraram‑se ainda vulneráveis a reavaliações acentuadas dos preços, num contexto de sobrevalorizações e riscos de repercussões dos Estados Unidos

Os mercados financeiros mundiais e da área do euro registaram episódios de maior volatilidade em 2025, nomeadamente após os anúncios de tarifas pelos Estados Unidos no início de abril, que desencadearam reavaliações acentuadas dos preços e vendas generalizadas de ativos de maior risco. Embora o funcionamento do mercado na área do euro tenha permanecido, no geral, ordenado, e a volatilidade tenha diminuído após o anúncio de uma pausa temporária nas tarifas e acordos comerciais subsequentes, as valorizações em algumas classes de ativos mantiveram‑se elevadas. Tal deixou os mercados vulneráveis a novos ajustamentos acentuados e abruptos caso as condições de liquidez se deteriorassem. Paralelamente, as preocupações quanto aos fundamentos orçamentais e à credibilidade institucional dos Estados Unidos enfraqueceram o estatuto de destino seguro dos títulos do Tesouro e do dólar dos Estados Unidos, aumentando o risco de alterações súbitas dos fluxos de capitais mundiais e flutuações cambiais desordenadas poderem repercutir‑se nas condições financeiras da área do euro.

O setor da IFNB continuou a expandir‑se em 2025, embora ainda exposto a vulnerabilidades

A pegada do setor da IFNB nos mercados na área do euro continuou a expandir‑se em 2025, apoiando mercados de capitais mais profundos e diversificados para o financiamento da economia real. Não obstante a maior incerteza em termos de políticas e episódios recorrentes de volatilidade no mercado, o setor manteve‑se globalmente resiliente. Ao mesmo tempo, os desfasamentos de liquidez persistiram em vários segmentos da IFNB e foram agravados por bolsas de alavancagem elevada, em particular em partes do segmento dos fundos de investimento. Estas fragilidades estruturais deixaram o setor da IFNB exposto a oscilações adversas de preços, saídas abruptas de fundos e picos nas garantias e valores de cobertura adicionais, possivelmente desencadeando vendas pró‑cíclicas de ativos e amplificando as tensões nos mercados. As interligações com os bancos da área do euro continuaram a expor tanto o setor da IFNB como o setor bancário a riscos de repercussões através dos canais de crédito e financiamento.

Embora o sistema financeiro da área do euro se tenha mostrado resiliente, vulnerabilidades estruturais poderiam amplificar os riscos cíclicos

Em termos gerais, embora o sistema financeiro da área do euro se tenha mostrado resiliente em 2025, os riscos para a estabilidade financeira permaneceram elevados. Além das pressões cíclicas decorrentes das tensões comerciais e do enfraquecimento do crescimento, vários fatores estruturais continuaram a afetar negativamente as perspetivas para o risco. As deficiências e as ameaças híbridas em matéria de cibersegurança tornaram‑se mais significativas num panorama geopolítico cada vez mais complexo. A rápida adoção da IA proporcionou ganhos de eficiência, mas também criou novos canais para o risco operacional e perturbações no mercado.

A nível mundial, é provável que a crescente fragmentação regulamentar e os novos apelos à desregulamentação incentivem à arbitragem transfronteiras e à acumulação de vulnerabilidades fora do perímetro regulamentar.

Em termos prospetivos, as tendências demográficas relacionadas com o envelhecimento da população, em conjunto com a transição em curso para uma economia hipocarbónica, deverão afetar as perspetivas de crescimento. Embora a transição implique custos, cria igualmente oportunidades económicas, e ambos os fatores poderiam interagir com as atuais vulnerabilidades cíclicas e estruturais de formas que ponham em causa a estabilidade financeira. Se vários destes riscos se concretizassem ao mesmo tempo, poderiam reforçar‑se mutuamente e aumentar significativamente as tensões no sistema financeiro.

3.2 Política macroprudencial: preservar a resiliência numa conjuntura incerta

Em 2025, o BCE não identificou a necessidade de aplicar medidas de fundos próprios mais rigorosas

O BCE tem a responsabilidade de avaliar as medidas macroprudenciais em matéria de fundos próprios propostas pelas autoridades nacionais dos países participantes no Mecanismo Único de Supervisão (MUS). Importa realçar que o BCE também tem o poder de aplicar medidas em matéria de fundos próprios mais rigorosas se necessário. Em 2025, o acompanhamento atento pelo BCE das orientações de política macroprudencial nacionais não identificou essa necessidade, visto que vários países tinham já aplicado medidas macroprudenciais para reforçar a resiliência dos respetivos sistemas bancários aos riscos em sentido descendente e vulnerabilidades acumulados.

A primeira prioridade continuou a ser preservar a resiliência do sistema financeiro

O Conselho do BCE apelou às autoridades nacionais para que mantivessem as reservas de fundos próprios e as medidas baseadas no mutuário já existentes

Em julho de 2025, o Conselho do BCE emitiu uma declaração apelando às autoridades macroprudenciais nacionais para que mantivessem os requisitos de reservas de fundos próprios já existentes, a fim de preservar a resiliência do setor bancário e assegurar a disponibilidade de reservas em caso de deterioração das condições macrofinanceiras ou no setor bancário. A declaração referia‑se a riscos acrescidos para a estabilidade financeira resultantes de uma intensificação acentuada da incerteza geopolítica mundial. Neste contexto, o Conselho do BCE expressou o seu apoio total às autoridades nacionais que planeassem aumentar os requisitos de reservas de fundos próprios para fazer face a vulnerabilidades, estando as condições prevalecentes no setor bancário a limitar os riscos de pró‑ciclicidade. Apelou também às autoridades nacionais para que mantivessem as medidas baseadas no mutuário já existentes, com vista a preservar critérios de concessão de crédito sólidos e sustentáveis. A declaração indicava que poderia ser considerada uma recalibração ou simplificação específica das medidas macroprudenciais quando as fontes de risco sistémico se tivessem alterado de forma persistente e quando tais ações não conduzissem a uma redução da resiliência global do setor bancário. Por último, o Conselho do BCE salientou que, considerando o elevado nível de incerteza, a política macroprudencial teria de permanecer ágil e de se adaptar à evolução das condições.

No final de 2025, os países participantes dispunham de algum tipo de reserva de fundos próprios libertáveis

Neste contexto, algumas autoridades nacionais continuaram a aumentar a restritividade da política macroprudencial em 2025 para reforçar a resiliência dos bancos. Em particular, dois países participantes anunciaram um aumento da percentagem de reserva contracíclica, enquanto outro país anunciou a introdução da reserva para risco sistémico[21]. No final do ano, os países participantes dispunham de uma reserva de fundos próprios libertáveis. No entanto, alguns países decidiram desativar ou reduzir as reservas para risco sistémico devido a um menor risco sistémico em setores que tinham registado uma acumulação de vulnerabilidades no passado[22]. Além disso, alguns países ajustaram os níveis da reserva para instituições de importância sistémica global (global systemically important institutions – G‑SII) e da reserva para outras instituições de importância sistémica (other systemically important institutions – O‑SII) a nível das instituições individuais. No que respeita a estas últimas, tal ficou a dever‑se à introdução gradual da metodologia de limites mínimos melhorada para a avaliação das reservas de outras instituições de importância sistémica a partir de janeiro de 2025[23]. Por último, além de medidas baseadas no capital, um país implementou medidas baseadas no mutuário, elevando para 18 o número de países com tais medidas[24].

O BCE apoiou a revisão do quadro macroprudencial da UE, destacando a estabilidade financeira como prioridade em termos de políticas

O BCE comunicou as suas opiniões sobre temas de política macroprudencial em 2025. Na edição de maio do seu Financial Stability Review, o BCE manifestou o seu apoio à revisão do quadro macroprudencial da UE, com o objetivo de reforçar a sua eficácia, racionalizar processos e estabelecer coerência entre jurisdições[25]. A este respeito, o BCE salientou que, dada a interação complexa entre os quadros prudenciais e de resolução, era crucial assegurar a facilidade de utilização e de liberalização das reservas macroprudenciais. Na edição de novembro desse relatório, o BCE sublinhou que a política macroprudencial deveria permanecer firmemente centrada na salvaguarda da estabilidade financeira, beneficiando assim a economia sem comprometer a competitividade do setor bancário, medida pela eficiência dos lucros. Embora se tenha argumentado que requisitos de fundos próprios mais elevados restringem a oferta de crédito e enfraquecem a competitividade dos bancos, o BCE indicou que os dados empíricos recentes não estavam em consonância com esta perspetiva[26].

Cooperação com o Comité Europeu do Risco Sistémico

O BCE apoia o CERS na identificação de vulnerabilidades no sistema financeiro, nomeadamente através de testes de esforço

O BCE acolhe o secretariado do Comité Europeu do Risco Sistémico (CERS) e presta‑lhe apoio analítico, estatístico, logístico e administrativo[27]. O Presidente do BCE preside ao Conselho Geral do CERS, que reúne trimestralmente para discutir as atuais ameaças à estabilidade financeira e possíveis respostas. Os membros do pessoal do BCE estão profundamente envolvidos na preparação destas discussões, através da copresidência de vários grupos de trabalho e da realização de trabalhos de investigação e análise. Em particular, o BCE presta apoio crucial ao trabalho de análise de dados do CERS, permitindo‑lhe utilizar grandes conjuntos de dados, nomeadamente sobre operações com derivados individuais. Outra área de cooperação estreita é o desenvolvimento de cenários adversos para os testes de esforço, que são adotados pelo CERS, tendo de ser graves e plausíveis. Para desenvolver estes cenários são necessários contributos do BCE com base em modelos. Em 2025, em estreita cooperação com as Autoridades Europeias de Supervisão pertinentes, o CERS chegou a acordo sobre cenários adversos para os testes de esforço a nível da UE aplicáveis ao setor bancário, aos fundos de pensões e aos fundos do mercado monetário.

Os relatórios do CERS examinaram ferramentas de gestão do risco dos bancos e ligações entre bancos e intermediários financeiros não bancários

Além disso, os membros do pessoal do BCE forneceram dados analíticos importantes para vários relatórios do CERS, dois dos quais extremamente relevantes para a gestão do risco dos bancos: i) um relatório publicado em maio que analisa as implicações para a estabilidade financeira do prolongamento em 2021 dos critérios simples, transparentes e padronizados às titularizações patrimoniais nos termos da versão revista do regulamento da UE relativo à titularização[28]; e ii) um relatório publicado em novembro sobre swaps de risco de incumprimento de crédito. Este relatório destacou algumas imperfeições do mercado que podem dificultar a determinação eficaz de preços para os diferenciais de swaps de risco de incumprimento, que são uma métrica amplamente utilizada do risco de crédito. Membros do pessoal do BCE e do CERS também elaboraram em conjunto dois relatórios nesta matéria, um sobre: i) riscos geoeconómicos e estabilidade financeira, e ii) ligações entre bancos e intermediários financeiros não bancários na UE. Este último relatório destaca quer o papel importante dos bancos na gestão da liquidez e na concessão de crédito a intermediários financeiros não bancários quer os riscos para a estabilidade financeira que podem advir dessas ligações.

O CERS e o BCE manifestaram preocupação com as criptomoedas estáveis e propuseram formas de lhes dar resposta

Em abril de 2025, o BCE apresentou ao Conselho da União Europeia um documento oficioso sobre a emissão múltipla de criptomoedas estáveis (stablecoins) na UE e em países terceiros, salientando os riscos para a estabilidade financeira da autorização de uma criptomoeda estável para emissão simultânea por uma entidade autorizada ao abrigo do regulamento relativo aos mercados de criptoativos (o Regulamento MiCA, do inglês “Markets in Crypto-Assets”)[29] e por outra entidade sob jurisdição de um país terceiro. Caso se materialize uma crise, as reservas detidas pelo emitente da UE poderiam esgotar rapidamente se os titulares da criptomoeda estável estivessem menos bem protegidos ao abrigo da regulamentação do país terceiro. O CERS consagrou parte do seu relatório sobre os riscos sistémicos dos criptoativos a uma análise aprofundada dos riscos da emissão múltipla. Além disso, emitiu uma recomendação relativa aos sistemas de criptomoedas estáveis com múltiplos emitentes de países terceiros[30], instando a Comissão Europeia a clarificar que a emissão múltipla com emitentes de países terceiros não é permitida ao abrigo do Regulamento MiCA e a criar salvaguardas adequadas para evitar que a emissão múltipla dê origem a riscos sistémicos.

3.3 Atividades microprudenciais para assegurar a solidez de cada banco

Os bancos foram muito resilientes numa conjuntura difícil

Em 2025, os bancos sob supervisão do BCE demonstraram uma forte resiliência numa conjuntura económica e geopolítica difícil. No geral, o setor bancário da área do euro manteve‑se bem capitalizado. No terceiro trimestre de 2025, o rácio agregado de fundos próprios principais de nível 1 (Common Equity Tier 1 – CET1) situou‑se em 16,1%, ao passo que o rácio de NPL agregado das instituições significativas permaneceu praticamente estável em 1,9%, ou seja, significativamente mais baixo do que na última década[31].

Promoveram‑se várias iniciativas de simplificação, salvaguardando, ao mesmo tempo, a resiliência dos bancos

Em 2025, o BCE, em conjunto com as autoridades nacionais competentes participantes no MUS, promoveu várias iniciativas destinadas a reforçar a eficiência, a eficácia e a incidência no risco da supervisão bancária[32]. As iniciativas incluíram novos progressos na reforma do processo de análise e avaliação para fins de supervisão (Supervisory Review and Evaluation Process – SREP), nomeadamente a adoção mais generalizada e a utilização alargada da abordagem plurianual e de um quadro de tolerância ao risco, que resultaram em decisões de supervisão mais direcionadas e atempadas. Paralelamente, o BCE lançou o projeto “nível seguinte da supervisão”, introduzindo um conjunto de iniciativas destinadas a simplificar e racionalizar a supervisão bancária europeia, reduzir a complexidade indevida e assegurar que as autoridades de supervisão mantêm a capacidade de fazer face a riscos novos e emergentes. Os domínios essenciais incluem a tomada de decisões, a supervisão de modelos internos, a realização de testes de esforço, as decisões relacionas com o capital, o reporte e as inspeções no local. Além disso, o BCE introduziu uma iniciativa relativa à cultura de supervisão, destinada a promover uma cultura de supervisão partilhada, alinhada com objetivos estratégicos, e a apoiar a implementação coerente e eficaz de reformas no conjunto da supervisão bancária europeia. Desenvolveu igualmente um quadro para avaliar a eficácia das suas atividades de supervisão. Em termos prospetivos, em 2026 o BCE começará a rever os seus guias de supervisão e outras comunicações com o propósito de aumentar a transparência quanto às suas expetativas e abordagens de supervisão. O BCE reverá igualmente a aplicação da proporcionalidade na supervisão de instituições menos significativas. Estas iniciativas complementam as recomendações do Conselho do BCE à Comissão Europeia com base nas propostas do grupo de trabalho de alto nível do BCE sobre simplificação.

A resiliência operacional digital permaneceu uma prioridade fundamental

Durante o ano, o BCE reforçou a sua incidência na resiliência operacional digital ao estabelecer expetativas prudenciais no que respeita à aplicação dos requisitos estabelecidos no Regulamento (UE) 2022/2554 relativo à resiliência operacional digital[33], o Regulamento DORA (do inglês “Digital Operational Resilience Act”), no Guia do BCE sobre subcontratação de serviços de computação em nuvem a prestadores de serviços de computação em nuvem, o qual também apresenta um conjunto de boas práticas observadas para a gestão dos riscos da subcontratação de serviços de computação em nuvem. Além disso, o BCE clarificou a utilização de técnicas de aprendizagem automática na versão revista do seu guia sobre modelos internos.

Os resultados do teste de esforço de 2025 revelaram que o setor bancário da área do euro pode resistir a uma recessão económica grave mas plausível

Em 2025, o BCE realizou um teste de esforço a nível do sistema, que confirmou que o setor bancário da área do euro permanece resiliente a uma recessão económica grave mas plausível[34]. Não obstante as perdas substanciais projetadas, a erosão do capital ficou abaixo dos níveis dos testes de esforço anteriores, refletindo uma forte rentabilidade e a estabilidade da qualidade dos ativos. No cenário adverso, o rácio agregado de CET1 situar‑se‑ia em 12,0%, confirmando que as atuais reservas de fundos próprios apoiam a capacidade dos bancos para resistirem a choques adversos.

Riscos geopolíticos e riscos climáticos e relacionados com a natureza mantinham‑se no topo da agenda prudencial

Os riscos geopolíticos continuaram a ser um foco importante das prioridades prudenciais do BCE, dada a incerteza acrescida a nível mundial e a natureza interligada dos riscos conexos. Nessa conformidade, o BCE continuou a salientar a importância de os bancos integrarem o risco geopolítico nos seus quadros gerais de gestão do risco e manterem uma resiliência generalizada. Além disso, a capacidade dos supervisores para gerir adequadamente os riscos climáticos e relacionados com a natureza manteve‑se no topo da agenda prudencial. Neste domínio, o BCE concluiu um programa plurianual para aprimorar as competências de gestão do risco dos bancos e avançou ainda mais no sentido de uma política de continuidade, através da supervisão dos riscos climáticos e relacionados com a natureza como parte das suas avaliações e processos de supervisão regulares.

Como parte dos esforços constantes para promover a transparência, em 2025, na sequência de uma consulta pública, o BCE publicou uma orientação relativa à abordagem de supervisão das autoridades nacionais competentes para a cobertura das exposições não produtivas detidas por entidades supervisionadas menos significativas[35]. Além disso, na sequência de outra consulta pública, o BCE atualizou as suas políticas sobre faculdades e opções previstas no direito da UE, com vista a assegurar que são aplicadas de forma coerente pelo BCE e pelas autoridades nacionais competentes. Tal reforçará a transparência e a eficácia e promoverá condições de igualdade para os bancos abrangidos pela supervisão bancária europeia.

O BCE e a Autoridade Europeia para o Combate ao Branqueamento de Capitais e ao Financiamento do Terrorismo assinaram um Memorando de Entendimento que estabelece as bases da sua cooperação.

É fornecida informação mais pormenorizada no sítio do BCE dedicado à supervisão bancária e no Relatório Anual do BCE sobre as atividades de supervisão de 2025.

3.4 Contributo do BCE para iniciativas de política no setor financeiro europeu

Iniciativas políticas importantes para reforçar a resiliência e a competitividade do setor financeiro europeu avançaram em 2025

Em 2025, verificaram‑se progressos substanciais no reforço do quadro regulamentar e de supervisão do setor financeiro da UE. Grande parte das reformas de Basileia III entraram em vigor, estando os restantes elementos no bom caminho para a sua implementação. O BCE apoiou iniciativas legislativas fundamentais, incluindo ajustamentos específicos dos requisitos prudenciais, e contribuiu para o desenvolvimento do quadro regulamentar aplicável aos criptoativos. Além disso, deu um contributo técnico aos colegisladores sobre discussões de política relacionadas com a revisão do quadro para gestão de crises bancárias e seguro de depósitos. O acordo alcançado pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da União Europeia quanto a essa revisão constituiu um marco significativo na trajetória para a conclusão da união bancária e o reforço do quadro de resolução bancária da UE. O BCE continuou a contribuir para os debates de política sobre o setor da IFNB e a união da poupança e dos investimentos, nomeadamente no que respeita a iniciativas legislativas destinadas a reduzir a fragmentação nos mercados financeiros da UE, que prosseguirão em 2026. Em dezembro de 2025, o Conselho do BCE apresentou recomendações à Comissão Europeia e a colegisladores para que simplifiquem o quadro europeu de regulamentação, supervisão e reporte prudencial dos bancos (ver a caixa 3).

Desenvolvimentos no quadro regulamentar aplicável aos bancos

Elementos‑chave das reformas de Basileia III entraram em vigor, com o apoio do BCE na implementação técnica

O regulamento em matéria de requisitos de fundos próprios (Capital Requirements RegulationCRR) revisto[36] e a diretiva em matéria de requisitos de fundos próprios (Capital Requirements DirectiveCRD) revista[37] entraram em vigor em 2025, implementando assim as reformas finais de Basileia III na UE, que visam aumentar a resiliência do sistema bancário da UE a vários riscos. Durante o ano, o BCE apoiou (e continua a apoiar) a EBA com várias normas técnicas de execução ou regulamentação relacionadas com o CRR e a CRD. A aplicação na UE das regras de Basileia para o risco de mercado, conhecida como a revisão fundamental da carteira de negociação, tinha sido adiada devido a preocupações quanto à igualdade de condições decorrentes de atrasos na implementação do Acordo de Basileia III por algumas das principais jurisdições a nível mundial. Em novembro de 2025, a Comissão Europeia lançou uma consulta específica sobre a revisão fundamental, centrada nas opções de política a adotar por um ato delegado que oferece alterações específicas para atenuar os efeitos sobre os fundos próprios dos bancos da UE[38]. O BCE publicou a sua resposta à consulta específica em 15 de janeiro de 2026[39].

Em 31 de março de 2025, a Comissão Europeia propôs tornar permanente o tratamento prudencial transitório das operações de financiamento através de valores mobiliários de curto prazo e das transações sem garantia realizadas com clientes financeiros ao abrigo do rácio de financiamento estável líquido. Após a conclusão do período de transição prevista para junho de 2025, e na ausência de alterações legislativas, este tratamento estaria em consonância com o estabelecido na norma de Basileia relativa ao rácio de financiamento estável líquido[40]. O BCE emitiu um parecer sobre a proposta em 2 de maio e os colegisladores adotaram a proposta da Comissão em junho[41],[42].

Reforço do quadro de políticas do setor da IFNB

Em 2025, prosseguiram os esforços para reforçar o quadro de políticas do setor da IFNB numa perspetiva macroprudencial

Em 2025, o BCE continuou a salientar a importância de dar resposta às vulnerabilidades estruturais no setor da IFNB e de melhorar o quadro de políticas relevante de uma perspetiva macroprudencial. Contribuiu para o debate sobre o reforço do conjunto de instrumentos macroprudenciais para o setor da gestão de ativos e sobre a melhoria da coordenação das políticas nos Estados‑Membros da UE, sublinhando a importância de uma implementação plena e atempada das recomendações internacionais para fazer face ao risco de liquidez em fundos abertos e fundos do mercado monetário[43].

Paralelamente, o BCE sublinhou a necessidade de fazer face ao risco decorrente da alavancagem no setor da IFNB e de reforçar a partilha de informação entre fronteiras, contribuindo para o desenvolvimento de recomendações de política internacionais para mitigar os riscos sistémicos conexos[44],[45]. Além disso, contribuiu ativamente para promover e acompanhar a implementação da resposta regulamentar às atividades relacionadas com criptoativos em fóruns internacionais, nomeadamente através do seu envolvimento na análise temática do quadro regulamentar mundial aplicável às atividades de criptoativos realizada pelo Conselho de Estabilidade Financeira[46].

Apoiar os progressos no sentido da união da poupança e dos investimentos

O BCE apoiou ativamente os progressos no sentido da união da poupança e dos investimentos, com aconselhamento em matéria política sobre iniciativas legislativas cruciais

A aceleração do progresso no sentido da união da poupança e dos investimentos continuou a ser uma das principais prioridades para o BCE em 2025. Este é um passo essencial para reforçar a competitividade, autonomia estratégica e estabilidade financeira da Europa, apoiando simultaneamente o financiamento eficaz da economia real[47].

Mais especificamente, o BCE contribuiu para fazer avançar a união da poupança e dos investimentos no domínio das infraestruturas do mercado financeiro (ver a secção 4.2). Além disso, participou ativamente em discussões de política e prestou consultoria técnica quanto às principais iniciativas legislativas, como o pacote legislativo proposto pela Comissão Europeia em matéria de integração e supervisão dos mercados[48]. O pacote apresentou propostas concretas para eliminar os obstáculos que fragmentam o mercado único em matéria de negociação, pós‑negociação e gestão de ativos, promovendo simultaneamente a inovação e reforçando a supervisão. Em junho de 2025, o BCE contribuiu para a consulta específica[49] que conduziu a essas propostas. Após a publicação das propostas, e tal como solicitado pelos colegisladores, o Conselho do BCE emitiu um parecer sobre o pacote em 9 de abril de 2026[50].

O BCE também emitiu parecer sobre as propostas da Comissão Europeia de revisão do quadro de titularização da UE, que constituiu a primeira iniciativa legislativa da Comissão no âmbito da agenda da união da poupança e dos investimentos[51].

Caixa 3
Simplificação do quadro europeu de regulação prudencial

No contexto do debate a nível mundial sobre a complexidade das regras e da regulamentação financeiras, o Conselho do BCE criou o grupo de trabalho de alto nível sobre simplificação, com o objetivo de desenvolver propostas para a simplificação dos quadros europeus de regulamentação, supervisão e reporte[52]. As recomendações do grupo de trabalho foram aprovadas pelo Conselho do BCE e descritas num relatório publicado em 11 de dezembro de 2025[53]. O relatório serviu de base para o relatório da Comissão Europeia sobre a situação global do sistema bancário e medidas legislativas conexas, que deverá ser publicado em 2026.

As recomendações observam os seguintes princípios:

  • simplificar o quadro, mantendo simultaneamente a resiliência do sistema bancário europeu e assegurando que as autoridades microprudenciais, macroprudenciais e de resolução possam continuar a cumprir eficazmente os seus objetivos;
  • promover a harmonização e a integração financeira a nível europeu;
  • defender a cooperação internacional;
  • assegurar uma aplicação plena, atempada e fiel do Acordo de Basileia III.

Em termos de âmbito, as recomendações abrangem três domínios principais: o quadro regulamentar, de supervisão e de reporte.

Uma das recomendações consistiu em simplificar a conceção dos requisitos e reservas de fundos próprios dos bancos, também conhecida como “estrutura do capital”, através da introdução de duas alterações. Primeiro, consolidando as reservas de fundos próprios existentes em apenas duas: uma reserva não libertável e uma reserva libertável, que as autoridades poderiam reduzir em períodos desfavoráveis. Em paralelo com qualquer redução do número de reservas, será importante preservar os atuais poderes e competências das autoridades. Em segundo lugar, reduzindo o quadro do rácio de alavancagem de quatro para dois elementos, nomeadamente um requisito mínimo de 3% e uma reserva única, que poderá ser fixada em zero para os bancos de menor dimensão.

Com o objetivo de melhorar a qualidade dos fundos próprios dos bancos, o Conselho do BCE propôs reforçar a capacidade dos fundos próprios adicionais de nível 1 para absorver perdas quando um banco funciona normalmente, o que estaria em conformidade com as normas de Basileia e preservaria a resiliência. Em alternativa, elementos que não os fundos próprios poderiam eventualmente ser retirados da estrutura do capital em sede de supervisão contínua, desde que o cumprimento das normas de Basileia e a neutralidade em termos de fundos próprios não fossem comprometidos.

O Conselho do BCE propôs também um aumento significativo da proporcionalidade ao abrigo das regras bancárias da UE, alargando o atual regime de instituições de pequena dimensão e não complexas de modo a incluir mais bancos e simplificando as regras aplicáveis de forma prudente e harmonizada. Para o efeito, os regimes aplicáveis a bancos de pequena dimensão no Reino Unido, na Suíça e nos Estados Unidos poderiam servir de inspiração.

No sentido de simplificar o quadro macroprudencial, o Conselho do BCE recomendou a reciprocidade automática das medidas macroprudenciais até um determinado limiar, condicionada a uma aplicação mais padronizada dos instrumentos macroprudenciais nos Estados‑Membros, o que asseguraria que todos os bancos que operam num Estado‑Membro que aplica uma medida macroprudencial estariam sujeitos a essa medida.

No que respeita ao quadro de resolução, o Conselho do BCE recomendou o alinhamento mais próximo do requisito mínimo de fundos próprios e passivos elegíveis com o requisito para a capacidade total de absorção de perdas aplicável aos bancos de importância sistémica mundial. Tal teria de decorrer sem reduzir os recursos da perspetiva da cessação da atividade, assegurando assim que a UE continua a cumprir as normas internacionais e tornando as regras mais transparentes e previsíveis. É igualmente necessário assegurar o acesso a fundos adicionais.

Com o propósito de alcançar uma maior harmonização, o Conselho do BCE recomendou que as regras bancárias da UE passassem de diretivas a regulamentos diretamente aplicáveis.

No que respeita à supervisão, o Conselho do BCE recomendou a conclusão do conjunto único de regras e a harmonização das regras em matéria de licenciamento, governação e operações com partes relacionadas, tais como acionistas e membros do conselho de administração, o que reduziria a complexidade na condução da supervisão. Para o efeito, as autoridades de supervisão teriam de dispor de maior flexibilidade, por exemplo, na frequência com que analisam os modelos internos dos bancos.

Além disso, o Conselho do BCE propôs a simplificação do teste de esforço a nível da UE, simplificando a sua metodologia e âmbito e tornando os seus resultados mais úteis do ponto de vista do sistema bancário e de cada banco. Os resultados deste exercício de teste de esforço revisto contribuiriam para aumentar a coordenação entre reservas macro e microprudenciais.

O Conselho do BCE também propôs ser responsável por adotar uma perspetiva holística, atualmente inexistente, dos fundos próprios globais na união bancária e das heterogeneidades entre países. Para tal, poder‑se‑ia reforçar o papel do Fórum Macroprudencial, que já reúne o Conselho do BCE e o Conselho de Supervisão, de modo a melhorar a coordenação e a coerência entre os Estados‑Membros na criação de instrumentos micro e macroprudenciais.

O Conselho do BCE recomendou fortemente a conclusão da união bancária e da união da poupança e dos investimentos, de modo a reduzir a fragmentação nacional e dar lugar a mercados de capitais mais eficientes.

No que respeita ao reporte, o Conselho do BCE propôs que as autoridades europeias partilhassem os seus dados de forma mais alargada entre si, permitindo que os bancos reportem apenas uma vez, criando, assim, um sistema de reporte totalmente integrado a nível europeu para fins estatísticos, prudenciais e de resolução. Idealmente, este reporte passaria pelo Comité Conjunto de Reporte Bancário[54]. Todos os requisitos de reporte poderiam ser revistos de três em três ou de cinco em cinco anos, de forma a garantir que continuam a ser necessários. Os bancos e as autoridades de supervisão centrar‑se‑iam nos dados importantes, ignorando pequenos erros de reporte através da aplicação de um limiar de materialidade para os pedidos de reapresentação de dados. A consolidação dos dados de supervisão e provenientes das informações divulgadas reduziria ainda mais os esforços de reporte, sendo a divulgação pública (reporte no âmbito do Pilar 3) resultante de relatórios de supervisão.

4 Bom funcionamento das infraestruturas de mercado e pagamentos

O Eurosistema desempenha um papel crucial no desenvolvimento, operação funcionamento e superintendência das infraestruturas de mercado e pagamentos. Opera os serviços do TARGET, que registaram um aumento de tráfego em 2025. As funcionalidades dos serviços do TARGET, incluindo serviços de liquidação multidivisas, continuaram a ser desenvolvidas. Em 16 de junho, entrou em funcionamento um novo serviço do TARGET – o sistema de gestão de ativos de garantia do Eurosistema (Eurosystem Collateral Management System – ECMS). Este é um sistema unificado que harmoniza a gestão dos ativos de garantia das operações de crédito do Eurosistema em todas as jurisdições da área do euro. O Eurosistema continuou a promover a segurança e a eficiência das infraestruturas de mercado e de pagamentos europeias, prosseguindo os três imperativos de inovação, integração e independência. Concluiu igualmente a fase de preparação do projeto do euro digital, outra etapa importante no sentido de uma potencial emissão do euro digital. Em 2025, com o lançamento das iniciativas “Pontes” e “Appia”, o Eurosistema prosseguiu os trabalhos de desenvolvimento de um ecossistema europeu de ativos digitais inovador, integrado e seguro para operações por grosso com recurso à tecnologia de registo distribuído (distributed ledger technology – DLT). No domínio da superintendência, a reformulação do regulamento do BCE relativo aos requisitos de superintendência de sistemas de pagamentos sistemicamente importantes atualizou a definição de “operador de sistemas de pagamentos sistemicamente importantes” e as disposições em matéria de governação, risco cibernético e subcontratação.

4.1 Serviços do TARGET

Os serviços do TARGET consistem em três serviços de liquidação mais um sistema de gestão de ativos de garantia: o T2, um sistema de liquidação por bruto em tempo real para as operações de pagamento em euros de apoio às operações de política monetária, transferências interbancárias e pagamentos comerciais; a TARGET2‑Securities (T2S), uma plataforma única para a liquidação de valores mobiliários na Europa; o TIPS (do inglês, “TARGET Instant Payment Settlement”), o serviço de liquidação de pagamentos imediatos através do TARGET, que liquida pagamentos imediatos em moeda do banco central 24 horas por dia e sete dias por semana; e o ECMS, um sistema unificado que foi lançado com êxito em 16 de junho de 2025 e harmoniza a gestão de ativos de garantia nas operações de crédito do Eurosistema em todas as jurisdições da área do euro.

O elemento multidivisas dos serviços do TARGET foi objeto de novo alargamento

O elemento multidivisas dos serviços do TARGET permite serviços de liquidação em outras moedas, além do euro. Tem sido utilizado na plataforma T2S para liquidar operações de títulos em coroas dinamarquesas, desde outubro de 2018, e no TIPS para liquidar pagamentos imediatos em coroas suecas, desde fevereiro de 2024. Em abril de 2025, a liquidação em coroas dinamarquesas também passou a ser disponibilizada no T2 e no TIPS. No futuro, o TIPS permitirá a liquidação em coroas norueguesas, estando atualmente a ser avaliada a eventual inclusão de outras moedas tanto no TIPS como no T2. No contexto da adesão da Bulgária à área do euro em 1 de janeiro de 2026, o Българска народна банка (o banco central da Bulgária) e a comunidade financeira do país aderiram a todos os serviços do TARGET, incluindo o ECMS.

O tráfego aumentou em todos os serviços do TARGET

Em 2025, o tráfego de pagamentos aumentou em todos os serviços do TARGET. O T2 liquidou, em média, 431 067 pagamentos em euros por dia, o que representa um aumento de 2,2% face ao ano precedente, devido sobretudo a pagamentos enviados por bancos em nome de clientes. A plataforma T2S liquidou um volume médio diário de 922 533 transações, o que corresponde a um aumento de 16,6%, generalizado a todos os mercados. Por força do regulamento da UE em matéria de pagamentos imediatos[55], os prestadores de serviços de pagamento na área do euro tinham de estar aptos a receber e enviar pagamentos imediatos – o mais tardar, em, respetivamente, 9 de janeiro e 9 de outubro de 2025 – o que conduziu a um aumento substancial da atividade do TIPS denominada em euros em 2025[56]. O número médio diário de operações aumentou de 1 657 421 pagamentos em dezembro de 2024 para 1 883 368 em janeiro de 2025 e 3 845 376 em dezembro de 2025, mais do que duplicando ao longo do ano.

O quarto serviço do TARGET entrou em funcionamento em junho de 2025

O ECMS foi lançado com êxito em 16 de junho de 2025 e entrou em funcionamento sem problemas, na sequência de uma migração coordenada que envolveu 20 BCN e as respetivas comunidades[57]. Como quarto serviço do TARGET, está totalmente integrado nos restantes serviços, em particular nos da plataforma T2S e do T2. O ECMS processou, em média, mais de 5000 instruções diárias, relacionadas sobretudo com mobilizações e desmobilizações de direitos de crédito como ativos de garantia.

O desenvolvimento dos serviços do TARGET gerou ganhos de eficiência significativos

O Eurosistema realizou progressos substanciais no desenvolvimento de todos os serviços do TARGET em 2025. Foram implementadas várias melhorias operacionais e de produtos destinadas a aumentar a eficiência do T2 para os participantes e os bancos centrais. Além disso, em 2025, o Eurosistema concedeu acesso a sistemas de pagamentos operados por bancos centrais, incluindo o TARGET, a prestadores não bancários de serviços de pagamento. Em junho, o Eurosistema lançou uma consulta pública sobre um possível alargamento do horário de funcionamento do T2. Após o processamento de todas as respostas, será publicado um relatório no primeiro semestre de 2026. Por último, prosseguiram os trabalhos de preparação das adaptações do T2 necessárias para o projeto do euro digital.

Foram acrescentadas novas funcionalidades essenciais à plataforma T2S para melhorar a liquidação transfronteiras, aumentar ainda mais a eficiência da liquidação – nomeadamente através de uma liquidação parcial otimizada – e reforçar os serviços de gestão automática de liquidez dos bancos de pagamentos. Prosseguiu igualmente o trabalho para melhorar a resiliência geral da T2S. Em estreita cooperação com o setor financeiro, os órgãos de governação da T2S também avançaram com importantes iniciativas em termos de políticas. Iniciou‑se a identificação e avaliação das alterações da plataforma necessárias para apoiar a transição para um ciclo de liquidação de valores mobiliários mais curto na UE (T+1), estando prevista a sua implementação antes da introdução do T+1 em outubro de 2027.

Medidas de seguimento após o incidente nos serviços do TARGET em 27 de fevereiro de 2025

Em 27 de fevereiro de 2025, os serviços do TARGET registaram um incidente grave que resultou na indisponibilidade do T2 e da T2S durante cerca de, respetivamente, dez e oito horas. Como consequência, foi suspenso o processamento de instruções de liquidação de títulos, de pagamentos, de liquidações por sistemas periféricos e de transferências de liquidez entre os serviços do TARGET. No seguimento do incidente, os órgãos de governação dos serviços do TARGET identificaram 20 medidas destinadas a melhorar os acordos de contingência no futuro[58]. Essas medidas incluem: i) a substituição de uma componente física defeituosa, ii) a análise da gestão da continuidade da atividade e da gestão da continuidade dos serviços informáticos, e iii) a recolha de observações pormenorizadas do mercado sobre a eficácia dos retardamentos da hora‑limite (cut‑off) de ordens de pagamento na sequência de uma interrupção prolongada. Registaram‑se progressos substanciais na implementação das medidas identificadas, tendo a maioria sido implementada até ao quarto trimestre de 2025[59]. Outros incidentes, que também afetaram a disponibilidade dos serviços do TARGET, embora em menor grau (em particular em março, maio e novembro de 2025), foram igualmente geridos com cuidado pelo Eurosistema, o que permitiu retirar novos ensinamentos.

4.2 Moldar as infraestruturas de mercado e pagamentos europeias do futuro

As medidas do Eurosistema no sentido de moldar o futuro das infraestruturas de mercado e pagamentos europeias pautam‑se por três imperativos: inovação, integração e independência. O Eurosistema está a utilizar tecnologia inovadora para continuar a digitalizar os pagamentos de retalho e por grosso e os mercados de valores mobiliários, promovendo uma maior integração e concorrência através de harmonização e normalização, por exemplo, na esfera da pós‑negociação. Aliados à implantação de soluções pan‑europeias, estes esforços serão fundamentais para melhorar a eficiência das operações, assim como para reforçar a autonomia estratégica e a resiliência da Europa. Contribuirão para aumentar a sua soberania monetária e elevar o papel internacional do euro, ajudando simultaneamente a preservar a estabilidade financeira.

Preservar a soberania monetária da Europa com o euro digital

Em 2025, o Eurosistema procedeu a avanços importantes no trabalho sobre o euro digital, a fim de assegurar o acesso das pessoas a moeda do banco central na era digital. O euro digital seria uma forma de dinheiro digital que complementaria as notas e moedas, bem como outros meios de pagamento digitais. Ofereceria um meio de pagamento simples, universalmente aceite em toda a área do euro e gratuito para utilização básica, com elevados padrões de privacidade, segurança e acessibilidade. Em outubro de 2025, o Conselho do BCE decidiu passar à fase seguinte do projeto. A caixa 4 do presente relatório fornece mais informação sobre o projeto.

Promover um ecossistema europeu de ativos digitais seguro e integrado

Com base no êxito do trabalho exploratório do Eurosistema com a tecnologia de registo distribuído, o Conselho do BCE aprovou, em 2025, um plano estratégico para avançar com o desenvolvimento de um ecossistema europeu de ativos digitais que tire partido do potencial desta tecnologia. A caixa 5 fornece mais informação sobre este tópico.

Melhorar os pagamentos transfronteiras através da interligação de sistemas de pagamentos rápidos

Relativamente aos pagamentos internacionais, um dos principais objetivos da estratégia do Eurosistema para os pagamentos de retalho é facilitar as operações transfronteiras das empresas e dos consumidores na Europa e reforçar o papel internacional do euro. O Eurosistema está a explorar formas de o TIPS apoiar os objetivos do roteiro do G20 para o reforço dos pagamentos transnacionais.

Em junho de 2025, foi implementado no TIPS um serviço de liquidação em diferentes moedas baseado no mecanismo do sistema de transferências a crédito imediatas que permite a interação com prestadores de serviço de pagamento fora da área do euro – o “One‑Leg Out Instant Credit Transfer scheme” do Conselho Europeu de Pagamentos. Esse serviço permite iniciar operações entre qualquer par de moedas, desde que pelo menos uma das duas componentes da operação seja numa das moedas aceites pelo TIPS.

A nível mundial, o Eurosistema está a explorar a ligação do TIPS a outros sistemas de pagamentos rápidos, como forma de continuar a melhorar a interoperabilidade, reduzir custos e aumentar a rapidez e a transparência dos pagamentos transfronteiras. Em setembro de 2025, o Conselho do BCE decidiu explorar a criação de uma potencial ligação entre o TIPS e o Swiss Interbank Clearing Instant Payments (SIC IP), o sistema de compensação interbancária de pagamentos imediatos suíço. Em novembro de 2025, decidiu avançar com o trabalho de ligação do TIPS à infraestrutura de pagamentos unificada (Unified Payments Infrastructure – UPI) da Índia e ao sistema Nexus Global Payments (NGP).

Integração das infraestruturas de mercado europeias de valores mobiliários e ativos de garantia

A utilização de uma norma comum de troca de mensagens no que respeita a ativos de garantia é exigida pelas normas do conjunto único de regras de gestão de ativos de garantia para a Europa (Single Collateral Management Rulebook for Europe – SCoRE) e é fundamental para melhorar a automatização de operações societárias e o processamento da gestão tripartida de ativos de garantia. Em dezembro de 2025, o grupo consultivo do Eurosistema sobre infraestruturas de mercado de valores mobiliários e ativos de garantia (Advisory Group on Market Infrastructures for Securities and Collateral – AMI‑SeCo) estabeleceu um roteiro na sua estratégia de migração para a norma ISO 20022, com vista à transição generalizada do mercado para esta norma. O AMI‑SeCo publicou igualmente um relatório exaustivo sobre os obstáculos remanescentes à integração da pós‑negociação na Europa. O relatório de conformidade de eventos societários de 2025 (Corporate Events Compliance Report – 2025 Monitoring Exercise) e o relatório de conformidade e progresso, baseado no inquérito SCoREBOARD, relativo ao segundo semestre de 2025 (SCoREBOARD – Eleventh Compliance and Progress Report) destacam tanto progressos limitados como atrasos no cumprimento das normas do AMI‑SeCo. O Eurosistema está, portanto, a solicitar informação das partes interessadas sobre os respetivos passos concretos e a cronologia para o pleno cumprimento das normas do ScoRE. O AMI‑SeCo apoia a transição prevista da UE para um ciclo de liquidação mais curto (T+1) em alguns domínios de tratamento de eventos societários.

De um modo mais geral, juntamente com a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (European Securities and Markets Authority – ESMA) e a Comissão Europeia, o BCE está a apoiar a mudança da UE para o T+1 (ver também a secção 4.1) através da sua participação na estrutura de governação específica da UE do T+1.

Caixa 4
Euro digital

A digitalização está a mudar a forma como as pessoas pagam. Cada vez mais pagamentos em estabelecimentos comerciais são efetuados digitalmente, o numerário é menos utilizado e as compras na internet (online) estão a aumentar. O euro digital preservaria a possibilidade de pagamento com moeda pública, complementando o numerário, enquanto seu equivalente nos pagamentos digitais. Seria acessível a todos, gratuito para utilização básica e aceite para qualquer pagamento digital em toda a área do euro. O euro digital seria eficiente em termos de custos e respeitaria as mais exigentes normas de privacidade. Aumentaria a conveniência para os consumidores e reduziria as taxas cobradas aos comerciantes. As normas abertas do euro digital permitiriam também uma expansão mais fácil das soluções de pagamento privadas europeias, unindo, assim, o ainda fragmentado mercado de pagamentos de retalho da área do euro e promovendo a inovação na Europa. Com a sua arquitetura técnica e funcionalidade offline, tornaria os pagamentos de retalho na área do euro mais resilientes e asseguraria a possibilidade de efetuar pagamentos entre dois dispositivos próximos, mesmo sem ligação à internet, com uma privacidade semelhante à do numerário[60].

Fase de preparação: concluída em outubro de 2025

A conclusão da fase de preparação assinala uma transição importante no projeto do euro digital. Partindo dos conhecimentos adquiridos na fase de investigação, realizada entre 2021 e 2023, avançámos para o aperfeiçoamento da conceção prática. As realizações mais importantes incluem: i) a elaboração de um projeto de código de regras do sistema do euro digital, ii) a seleção de fornecedores de componentes do euro digital e de serviços conexos, iii) o lançamento com êxito de uma plataforma de inovação para experimentação com participantes no mercado, bem como iv) a investigação, por um grupo de trabalho técnico, do enquadramento do euro digital no ecossistema de pagamentos. Com vista a assegurar que o euro digital é concebido para satisfazer as necessidades dos cidadãos e dos comerciantes europeus, o Eurosistema encomendou um estudo exaustivo dos utilizadores, centrado nos consumidores vulneráveis e pequenos comerciantes. O BCE demonstrou que os custos do euro digital para os bancos seriam contidos, devido ao potencial para uma mobilização de sinergias e às práticas dos bancos de mutualização de custos. O BCE aprofundou o trabalho técnico sobre segurança, resiliência e impacto do euro digital na estabilidade financeira, tendo prestado contributo técnico aos legisladores da UE, quando solicitado.

Desde novembro de 2025: garantia da preparação técnica

No final de outubro, o Conselho do BCE decidiu avançar para a fase seguinte do projeto do euro digital. Pressupondo que o regulamento relativo à criação do euro digital será adotado em 2026, o BCE visa estar preparado para uma possível primeira emissão em 2029. Em março de 2026, os prestadores de serviços de pagamento foram convidados a participar num projeto‑piloto que terá início no segundo semestre de 2027. A fase atual do projeto do euro digital prende‑se com três aspetos importantes: assegurar a preparação técnica, aprofundar a interação com o mercado e apoiar o processo legislativo. O trabalho desenvolvido segue uma abordagem modular e flexível, que permite uma exploração gradual e limita os custos até ser tomada uma decisão final sobre a emissão. O Eurosistema está empenhado em aperfeiçoar a conceção do euro digital, tomando em conta os resultados legislativos e as reações das partes interessadas, a fim de satisfazer as necessidades dos cidadãos da área do euro.

Caixa 5
Promoção do desenvolvimento de um ecossistema europeu de ativos digitais

Embora a digitalização do sistema financeiro esteja em curso há várias décadas, a tecnologia de registo distribuído tem potencial para fazer avançar consideravelmente a fronteira tecnológica. A tecnologia de registo distribuído permite a “fichização” ou “tokenização” do sistema financeiro, um processo em que os ativos são emitidos ou representados como “criptofichas” ou tokens digitais num registo distribuído. A “fichização” tem o potencial para aumentar a eficiência, a transparência e a automatização em operações, com possíveis efeitos consideráveis na infraestrutura de mercado e nos papéis dos participantes no mercado. O Eurosistema está a aproveitar o momento para – em consonância com o seu mandato – assegurar que a Europa permanece competitiva, integrada e estrategicamente autónoma na determinação do seu futuro digital. Ao mesmo tempo, está a salvaguardar a eficácia da política monetária e a estabilidade financeira, mantendo a moeda do banco central no centro do sistema monetário.

Em 2025, o Conselho do BCE aprovou uma estratégia para apoiar o desenvolvimento seguro e integrado de um ecossistema europeu de ativos digitais para os mercados grossistas[61]. O programa de trabalho único do Eurosistema consiste em duas componentes importantes:

  • Pontes: fazendo a ponte entre o presente e o futuro, a iniciativa “Pontes” ligará diretamente plataformas assentes em tecnologia de registo distribuído aos serviços do TARGET do Eurosistema. Os participantes no mercado poderão, assim, liquidar operações “tokenizadas” em moeda do banco central, o que lhes proporciona a segurança e a certeza de que necessitam atualmente, desenvolvendo ao mesmo tempo experiência operacional para o futuro. O primeiro marco consiste no lançamento da iniciativa “Pontes” no terceiro trimestre de 2026, que proporcionará um primeiro conjunto de capacidades que satisfazem as necessidades imediatas do mercado. Esta solução continuará, no entanto, a ser desenvolvida, mediante a incorporação gradual de caraterísticas e funcionalidades adicionais a partir de meados de 2027. O BCE estabeleceu uma estrutura de governação, a fim de interagir de forma sistemática com as partes interessadas.
  • Appia: a via para um ecossistema financeiro digital integrado na Europa. Em colaboração com partes interessadas dos setores público e privado, a iniciativa “Appia” estudará formas de criar a arquitetura geral de um ecossistema financeiro europeu sob a forma de criptofichas, que seja inovador e integrado – desde a infraestrutura de liquidação até às normas, regras e quadros de governação. Na sequência da publicação do roteiro da Appia, em 11 de março de 2026, o Eurosistema trabalhará intensamente com os participantes no mercado, os legisladores e as autoridades de regulamentação para elaborar, em 2028, um plano para este ecossistema, fornecendo uma lista exaustiva de conclusões, recomendações e princípios. A Appia também proporcionará informação para a conceção e priorização das melhorias a introduzir na Pontes.

A estratégia do Eurosistema em relação à tecnologia de registo distribuído pauta‑se por três imperativos: inovação, integração e independência.

Inovação: o Eurosistema abraçou a inovação, sem comprometer a segurança. As referidas iniciativas proporcionarão aos mercados financeiros uma modalidade de liquidação em moeda do banco central, que não acarreta os riscos de crédito e de liquidez dos ativos privados de liquidação. A moeda do banco central é a base sólida que torna a inovação sustentável e fiável.

Integração: o panorama da pós‑negociação na Europa continua fragmentado[62]. Esta situação eleva os custos, reduz a liquidez e dificulta a atividade a nível transfronteiras, devido a regras, taxas e procedimentos diferentes. O pacote de integração dos mercados proposto pela Comissão Europeia reconhece este desafio e visa promover uma maior integração dos mercados de capitais. A tecnologia de registo distribuído pode ajudar, ao permitir infraestruturas partilhadas e transjurisdicionais, cuja harmonização e interoperabilidade devem ser consideradas desde o início.

Independência: a Europa precisa de autonomia estratégica num panorama mundial em constante mutação. As iniciativas “Pontes” e “Appia” apoiarão este processo, criando um ecossistema em torno da moeda do banco central, enquanto ativo público de liquidação em euros que possibilitará o desenvolvimento seguro de ativos privados regulamentados de liquidação em euros.

4.3 Superintendência e papel do banco central como entidade emitente

O funcionamento seguro e eficiente das infraestruturas de mercado financeiro e de pagamentos na área do euro continua a ser uma prioridade para o Eurosistema enquanto superintendente. Além disso, como emitente do euro, o Eurosistema participa em acordos cooperativos com outros superintendentes ou autoridades competentes para infraestruturas de mercado financeiro com uma atividade significativa denominada em euros.

O Eurosistema realizou múltiplas avaliações de sistemas de pagamentos sistemicamente importantes, assim como de sistemas e acordos de pagamento pan‑europeus e nacionais

Da avaliação exaustiva dos serviços do TARGET finalizada em 2025 concluiu‑se que os serviços cumprem amplamente os requisitos de superintendência aplicáveis. Foram emitidas recomendações relativas, em particular, ao governo da gestão de risco e à integração de processos cibernéticos na gestão do risco operacional. Não se considerou que as conclusões constituíam um risco grave. Os incidentes que afetaram os serviços do TARGET em 2025 foram objeto de análise, sobretudo o incidente grave em fevereiro e novos incidentes em março, maio e novembro. A análise realizada resultou em recomendações relativas aos processos de gestão de incidentes graves e de continuidade de negócio.

Foi publicada a reformulação do regulamento do BCE relativo aos requisitos de superintendência de sistemas de pagamentos sistemicamente importantes

O Eurosistema também procedeu a diversas avaliações de outros sistemas de pagamentos sistemicamente importantes, ou seja, os sistemas EURO1 e STEP2‑T da EBA CLEARING e o Mastercard Clearing Management System, com incidência na resiliência operacional e em alterações importantes. O estatuto de alguns sistemas de pagamentos em 2025 foi alterado, na sequência do exercício anual de classificação de sistemas de pagamentos para efeitos de superintendência[63]. O Eurosistema finalizou ainda a reformulação do regulamento do BCE relativo aos requisitos de superintendência de sistemas de pagamentos sistemicamente importantes[64], tendo vários elementos sido objeto de revisão, incluindo a definição de “operador de sistema de pagamentos sistemicamente importante”, de modo a abranger também sucursais na área do euro de entidades jurídicas localizadas fora da área do euro. Além disso, o regulamento reformulado inclui disposições relativas ao risco cibernético e à subcontratação, tendo também em consideração a evolução tecnológica e regulamentar na UE, incluindo o Regulamento DORA[65].

No âmbito do seu quadro para a superintendência de instrumentos, sistemas e acordos de pagamento eletrónico – o quadro PISA (do inglês, “payment instruments, schemes and arrangements”) – o Eurosistema concluiu avaliações exaustivas de sistemas de pagamentos selecionados. Operacionalizou também as suas novas responsabilidades por força do Regulamento MiCA[66] e, em colaboração com a Autoridade Bancária Europeia (European Banking Authority – EBA), finalizou o relatório conjunto de 2025 sobre fraude em pagamentos.

No domínio da ciber‑resiliência, o Eurosistema realizou o inquérito periódico para avaliar a resiliência das entidades sob superintendência[67]. Além disso, coordenou as atividades do Conselho de Ciber‑resiliência do Euro para Infraestruturas Financeiras Pan‑Europeias, cujos principais domínios de incidência em 2025 incluíram a coordenação de crises, bem como a gestão do risco de terceiros.

O Eurosistema reviu a facilidade de crédito a contrapartes centrais do TARGET para assegurar a sua rápida operacionalização

Na qualidade de emitente do euro, o Eurosistema contribuiu para o trabalho dos colégios de autoridades de supervisão e de resolução de contrapartes centrais da UE e participou na supervisão permanente de contrapartes centrais de importância sistémica de países terceiros. Concluiu igualmente a sua análise da facilidade de crédito a contrapartes centrais, à disposição das contrapartes centrais elegíveis da área do euro ao abrigo da orientação relativa ao TARGET[68]. O BCE acompanhou a evolução do panorama da compensação na UE em 2025 e realizou análises aprofundadas da estrutura e do funcionamento das reservas de liquidez para derivados de taxas de juro denominados em euros. Contribuiu ainda para os trabalhos do recém‑criado mecanismo de acompanhamento conjunto.

Como banca central emitente do euro, o Eurosistema contribuiu para os procedimentos de supervisão de infraestruturas de mercado pós‑negociação

No domínio da liquidação de valores mobiliários, o Eurosistema continuou a desempenhar o seu papel como autoridade relevante nos termos do regulamento relativo às centrais de valores mobiliários (Central Securities Depositories Regulation – CSDR)[69], apresentando pareceres fundamentados sobre a análise e avaliação regulares, assim como sobre a prorrogação da autorização, de determinadas centrais de depósito de títulos. O Eurosistema também emitiu pareceres não vinculativos sobre vários pedidos apresentados ao abrigo do regulamento relativo a um regime‑piloto para as infraestruturas de mercado baseadas na tecnologia de registo distribuído[70].

Por último, o BCE contribuiu para múltiplas atividades regulamentares e de definição de políticas a nível da UE e internacional, incluindo o desenvolvimento das normas técnicas de regulamentação associadas a legislação da UE recentemente adotada ou atualizada aplicável a infraestruturas de mercado financeiro.

5 Operações de mercado e serviços financeiros prestados a outras instituições

As linhas de swap e de operações de reporte do Eurosistema com bancos centrais de países não pertencentes à área do euro são instrumentos de política monetária utilizados como ferramentas de estabilização em períodos de tensão nos mercados financeiros mundiais. Em 2025, as linhas de liquidez em euros voltaram a proporcionar um mecanismo de apoio ao financiamento baseado no mercado. O BCE também continuou a disponibilizar regularmente operações em dólares dos Estados Unidos a contrapartes da área do euro elegíveis, apoiadas pela rede de linhas de swap permanente entre os principais bancos centrais, que compreende o BCE, o Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos e os bancos centrais do Canadá, do Japão, do Reino Unido e da Suíça. Em 2025, o BCE não realizou qualquer intervenção no mercado cambial em 2025 e continuou a ser responsável pela administração de várias operações financeiras em nome da UE e a coordenar o quadro dos serviços de gestão de reservas do Eurosistema.

5.1 Evolução das operações de mercado

Linhas de liquidez em euros e em moeda estrangeira

As linhas de swap e de operações de reporte do Eurosistema mantiveram‑se operacionais em 2025

As linhas de swap e de operações de reporte do Eurosistema são instrumentos de política monetária que ajudam a evitar que as tensões nos mercados de financiamento internacionais prejudiquem a eficácia da transmissão da política monetária da área do euro. O quadro 5.1 apresenta as linhas de liquidez em funcionamento em 31 de dezembro de 2025. O recurso às linhas de liquidez em euros em 2025 manteve‑se muito limitado.

No que respeita às linhas de liquidez em moeda estrangeira, em 2025, o BCE continuou a disponibilizar liquidez em dólares dos Estados Unidos, em operações semanais com prazo de vencimento de 7 dias, em coordenação com o Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos e os bancos centrais do Canadá, do Japão, do Reino Unido e da Suíça (rede de linhas de swap). O financiamento pedido pelas contrapartes da área do euro manteve‑se muito limitado ao longo do ano.

Quadro 5.1

Perspetiva geral das linhas de liquidez operacional do Eurosistema em 31 de dezembro de 2025

Contraparte fora da área do euro

Tipo de mecanismo

Recíproco

Montante máximo disponível para empréstimo
(em milhões de euros)

Danmarks Nationalbank

Linha de swap

Não

24 000

Sveriges riksbank

Linha de swap

Não

10 000

Banco central do Canadá

Linha de swap

Sim

Ilimitado

Banco central da China

Linha de swap

Sim

45 000

Banco central do Japão

Linha de swap

Sim

Ilimitado

Banco central da Suíça

Linha de swap

Sim

Ilimitado

Banco central do Reino Unido

Linha de swap

Sim

Ilimitado

Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos

Linha de swap

Sim

Ilimitado

Banca Naţională a României

Linha de operações de reporte

Não

4 500

Magyar Nemzeti Bank

Linha de operações de reporte

Não

4 000

Banco central da Albânia

Linha de operações de reporte

Não

400

Autoritat Financera Andorrana

Linha de operações de reporte

Não

35

Banco central da República da Macedónia do Norte

Linha de operações de reporte

Não

400

Banca Centrale della Repubblica di San Marino

Linha de operações de reporte

Não

100

Banco central do Montenegro

Linha de operações de reporte

Não

250

Banco central da República do Kosovo

Linha de operações de reporte

Não

100

Fonte: BCE.

Divulgação de informação sobre intervenções cambiais

O BCE não realiza intervenções cambiais desde 2011

Em 2025, o BCE não realizou qualquer intervenção no mercado cambial. Desde o início do euro, o BCE interveio duas vezes no mercado cambial – em 2000 e 2011. Os dados sobre intervenções cambiais são publicados trimestralmente com um desfasamento de um trimestre no sítio do BCE e no seu serviço de divulgação de estatísticas online, o ECB Data Portal, sendo recapitulados no quadro 5.2. Nos casos em que não houve intervenções cambiais no trimestre em questão, este facto é explicitamente indicado.

Quadro 5.2

Intervenções cambiais do BCE

Período

Data

Tipo de intervenção

Par de moedas

Moeda comprada

Montante bruto (em milhões de euros)

Montante líquido (em milhões de euros)

T3 2000

22/09/2000

Coordenada

EUR/USD

EUR

1 640

1 640

22/09/2000

Coordenada

EUR/JPY

EUR

1 500

1 500

T4 2000

3/11/2000

Unilateral

EUR/USD

EUR

2 890

2 890

3/11/2000

Unilateral

EUR/JPY

EUR

680

680

6/11/2000

Unilateral

EUR/USD

EUR

1 000

1 000

9/11/2000

Unilateral

EUR/USD

EUR

1 700

1 700

9/11/2000

Unilateral

EUR/JPY

EUR

800

800

T1 2011

18/03/2011

Coordenada

EUR/JPY

EUR

700

700

2012‑2024

T1‑T4 2025

Fonte: BCE.

O quadro de divulgação abrange as intervenções cambiais realizadas unilateralmente pelo BCE e em coordenação com outras autoridades internacionais, bem como as intervenções realizadas “nas margens” no âmbito do MTC II.

5.2 Administração das operações ativas e passivas da UE

O BCE processou pagamentos relativos a vários programas de concessão de empréstimos da UE

O BCE atua como agente fiscal em nome da Comissão Europeia na gestão de operações ativas e passivas da UE. Em 2025, foi responsável pela administração das contas e pelo processamento dos pagamentos relacionados com os seguintes programas da UE:

  • o mecanismo de apoio financeiro a médio prazo (medium‑term financial assistance facility – MTFA);
  • o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF);
  • o instrumento europeu de apoio temporário para atenuar os riscos de desemprego numa situação de emergência (Support to mitigate Unemployment Risks in an Emergency – SURE);
  • o programa “Next Generation EU” (NGEU);
  • o Mecanismo de Cooperação para Empréstimos à Ucrânia;
  • o Mecanismo para a Ucrânia;
  • assistência macrofinanceira;
  • o Mecanismo para as Reformas e o Crescimento nos Balcãs Ocidentais.

O BCE atua também como agente pagador em nome da Comissão Europeia no que respeita ao seu serviço de emissão da UE.

Em 2025, o BCE processou vários desembolsos e pagamentos relacionados com os programas acima referidos.

É também responsável pelo processamento de todos os pagamentos relacionados com o contrato de empréstimo à Grécia.

Em 31 de dezembro, os montantes nominais totais em dívida eram de 37,1 mil milhões de euros ao abrigo do MEEF, 90,4 mil milhões de euros ao abrigo do SURE e 26,3 mil milhões de euros ao abrigo do contrato de empréstimo à Grécia. Nessa data, não existiam montantes em dívida ao abrigo do mecanismo de assistência financeira a médio prazo.

5.3 Serviços de gestão de reservas do Eurosistema

Vários BCN do Eurosistema prestaram serviços no quadro dos serviços de gestão de reservas do Eurosistema

Em 2025, o Eurosistema continuou a disponibilizar um conjunto abrangente de serviços financeiros no quadro dos serviços de gestão de reservas do Eurosistema, criado em 2005 para a gestão dos ativos de reserva denominados em euros de clientes. Vários BCN do Eurosistema prestaram estes serviços a bancos centrais, autoridades monetárias e agências governamentais localizadas fora da área do euro, bem como a organizações internacionais, sob termos e condições harmonizados e de acordo com os padrões de mercado. O BCE continuou a coordenar o referido quadro, monitorizou o bom funcionamento dos serviços, facilitou melhorias ao quadro e preparou relatórios sobre a matéria para os órgãos de decisão do BCE.

O número de contas de clientes nos serviços de gestão de reservas do Eurosistema era de 285 no final de 2025, o que compara com 287 no final de 2024. No quarto trimestre de 2025, o total das posições agregadas médias (incluindo ativos de tesouraria e títulos detidos) geridas no quadro dos serviços de gestão de reservas do Eurosistema foi aproximadamente 8% mais elevado do que no quarto trimestre de 2024.

6 Preparar o euro para o futuro

Em 2025, o nível de notas de euro em circulação voltou a aumentar. De acordo com o compromisso do Eurosistema de assegurar que o numerário permanece disponível e acessível e que continua a ser aceite como meio de pagamento, sendo, ao mesmo tempo, tão sustentável e respeitador do ambiente quanto possível, continuou o processo de redesenho das notas de euro. Este processo reforçará a segurança das notas de euro e proporcionará também a oportunidade de as tornar mais acessíveis a todos os europeus.

6.1 Desenvolvimentos na circulação e tratamento de numerário

A circulação de notas e de moedas de euro continuou a aumentar

As notas de euro em circulação continuaram a crescer em 2025 e atingiram um novo máximo no final ao ano, ascendendo a 31,3 mil milhões de unidades, com um valor total nominal de 1619,5 mil milhões de euros. Depois de estabilizar durante o período de subida das taxas de juro, o crescimento nominal recuperou ligeiramente, atingindo 2,5% em quantidade e 2,0% em valor, em termos homólogos.

Gráfico 6.1

Quantidade e valor das notas de euro em circulação

(escala da esquerda: mil milhões de euros; escala da direita: mil milhões)

Fonte: BCE.

O valor do numerário em circulação situou‑se acima de 10% do PIB da área do euro ao longo da última década, sublinhando a importância do numerário

No período de 2015 a 2025, o valor do numerário em circulação excedeu consistentemente 10% do PIB da área do euro, sublinhando a relevância do numerário como meio de pagamento e como ativo líquido detido para efeitos de transação e precaução. O crescimento das notas em circulação foi também impulsionado pela utilização internacional do euro.

As instituições de crédito devolveram 24,5 mil milhões de notas aos BCN da área do euro em 2025, o que representa uma ligeira diminuição de 0,9 mil milhões em comparação com 2024. Em termos de valor, as notas depositadas nos BCN totalizaram 833 mil milhões de euros em 2025, face a 856 mil milhões de euros em 2024. Esta descida deveu‑se em parte ao facto de as instituições de crédito terem colocado novamente em circulação volumes mais elevados de notas entre os clientes, em vez de as devolverem aos BCN.

Em 2025, o aumento da circulação de moedas de euro emitidas pelos Estados‑Membros da área do euro atingiu 1,8% em quantidade e 2,6% em valor em termos homólogos, tendo ascendido a 2,7 mil milhões de moedas com um valor facial de 890 milhões de euros.

6.2 Reforço do quadro jurídico do numerário

O numerário desempenha um importante papel de contingência, apoiando a resiliência do sistema de pagamentos

O aumento das notas de euro em circulação demonstra a necessidade continuada de políticas prospetivas que salvaguardem a aceitação de numerário, preservem o bom acesso a serviços de numerário e assegurem a segurança e a sustentabilidade das notas. As crescentes preocupações em toda a área do euro quanto à aceitação de numerário e ao acesso a serviços de numerário sublinham a necessidade urgente de um quadro da UE abrangente com regras claras e vinculativas sobre o curso legal das notas e moedas de euro. Um quadro deste tipo reforçará a confiança do público no numerário e clarificará as responsabilidades dos Estados‑Membros no sentido de assegurar o acesso efetivo a serviços de numerário e a sua maior resiliência. O BCE acolheu com agrado os progressos significativos alcançados pelos legisladores da UE, com o acordo do Conselho da União Europeia de dezembro de 2025 sobre uma abordagem geral, e está preparado para prestar apoio técnico na finalização do regulamento relativo ao curso legal das notas e moedas em euros[71] como parte do “Pacote Moeda Única”. Não obstante o aumento geral dos pagamentos de retalho digitais na área do euro, as análises de apagões de eletricidade mostram que o numerário continua a ser uma solução de recurso fiável em caso de perturbações no sistema de pagamentos, que podem ocorrer inesperadamente e afetar as transações em larga escala[72]. O numerário impulsiona a resiliência sistémica, atuando (para além da sua utilização diária generalizada) como um “pneu sobresselente” para o sistema de pagamentos durante perturbações e promovendo a concorrência nos mercados de pagamentos. É também importante para a inclusão financeira, uma vez que muitos cidadãos, especialmente os grupos vulneráveis, dependem do numerário para efetuar pagamentos diários.

6.3 Contrafação e desenvolvimento das notas de euro

A quantidade de notas contrafeitas retiradas de circulação diminuiu 20%

Em 2025, foram retiradas de circulação cerca de 444 000 notas de euro contrafeitas, uma descida de 20% face ao ano anterior. As denominações de 20 e 50 euros continuaram a ser as mais contrafeitas, representando, em conjunto, cerca de 80% do total.

A percentagem de contrafações no total de notas em circulação foi uma das mais baixas desde o lançamento do euro

Em 2025, foram detetadas 14 notas de euro contrafeitas por milhão de notas genuínas em circulação, um dos níveis mais baixos observados desde o lançamento do euro (gráfico 6.2). A probabilidade de se receber uma nota contrafeita é, portanto, muito reduzida.

Na maioria, as contrafações são de baixa qualidade, porque não incorporam elementos de segurança ou incluem apenas fracas imitações dos mesmos. As notas podem ser verificadas através do simples método de “tocar, observar e inclinar”, descrito na página do sítio do BCE dedicada aos elementos de segurança e nos sítios dos BCN da área do euro.

Gráfico 6.2

Quantidade de notas de euro contrafeitas detetadas anualmente por milhão de notas genuínas em circulação

Fonte: BCE.

Progressos no processo de redesenho das notas de euro

Em 2025, o BCE prosseguiu os trabalhos de redesenho das notas de euro. O processo tem como objetivo que as novas notas reflitam melhor a unidade, a identidade e os valores da Europa e sejam mais seguras, respeitadoras do ambiente e acessíveis a todos os europeus. Lançado em dezembro de 2021, este projeto sublinha o compromisso do BCE para com o numerário enquanto método de pagamento seguro e inclusivo.

O público está a ser consultado no decorrer do processo de redesenho e está prevista uma decisão final sobre os desenhos perto do final de 2026

O envolvimento do público tem vindo a ser crucial no processo de redesenho. Através de consultas e inquéritos, o BCE recolheu ideias e comentários de toda a UE. Em 2023, com base em contributos públicos e recomendações de especialistas, o Conselho do BCE selecionou dois temas para as novas notas: “Cultura europeia”, que celebra os espaços culturais partilhados e personalidades europeias icónicas; e “Rios e aves”, que apresenta a riqueza da diversidade natural da Europa. No início de 2025, selecionou os motivos para ilustrar cada tema.

Mais tarde, em 15 de julho, o BCE lançou um concurso para o desenho das novas notas, convidando desenhadores e artistas residentes na UE a apresentarem as suas candidaturas para participar na fase de desenho. Os participantes foram selecionados com base na sua experiência e conquistas e começaram agora a preparar propostas de desenho. O júri do concurso para o desenho das notas, composto por especialistas independentes de cada país da área do euro, selecionará até cinco desenhos vencedores para cada tema. O público terá a oportunidade de partilhar a sua opinião antes de o Conselho do BCE selecionar os desenhos finais, o que se prevê ocorra perto do final de 2026. As novas notas entrarão em circulação alguns anos depois desta decisão e do processo de produção.

7 Estatística

O BCE, coadjuvado pelos BCN, desenvolve, recolhe, compila e publica um amplo conjunto de estatísticas e dados necessários para apoiar as atribuições do sistema Europeu de Bancos Centrais (SEBC) e do CERS. Essas estatísticas são também utilizadas pelas autoridades públicas, por organizações internacionais, pelos participantes nos mercados financeiros, pelos meios de comunicação social e pelo público em geral e ajudam o BCE a aumentar a transparência do seu trabalho.

Em 2025, o BCE aperfeiçoou as estatísticas da área do euro para melhor apoiar a política monetária, a estabilidade financeira e as prioridades mais alargadas da UE. Foram reforçados os principais conjuntos de dados sobre mercados monetários, bancos e finanças públicas, o que melhorou a cobertura, a coerência e a transparência, racionalizando, ao mesmo tempo, o reporte pelos BCN. Os indicadores relacionados com o clima continuaram a ser desenvolvidos para fornecer informações mais pormenorizadas sobre o financiamento sustentável e os riscos climáticos, ajudando, assim, a integrar considerações climáticas na análise de políticas. A nível legislativo, o BCE recomendou alterações específicas ao Regulamento (CE) n.º 2533/98 do Conselho, a fim de modernizar o quadro de recolha de estatísticas, melhorar a qualidade e a eficiência dos dados e manter o esforço de reporte num nível mínimo, protegendo simultaneamente a confidencialidade. Paralelamente, o Comité Conjunto de Reporte Bancário (Joint Bank Reporting Committee – JBRC) fez progressos importantes no sentido de tornar o reporte de dados pelos bancos mais eficiente através da divulgação do seu primeiro parecer, que incidiu sobre a implementação da versão revista da nomenclatura estatística das atividades económicas.

7.1 Desenvolvimento das estatísticas da área do euro para responder à evolução das necessidades de política

A transparência do mercado STEP foi melhorada através de uma maior cobertura e exatidão

Em janeiro de 2025, o BCE melhorou significativamente as suas estatísticas relativas a instrumentos de dívida de curto prazo europeus (Short‑Term European Papers – STEP), que fornecem informações sobre volumes, transações e taxas de rendibilidade do mercado primário de títulos de dívida de curto prazo emitidos ao abrigo de programas que receberam a classificação STEP. As novas estatísticas STEP beneficiam não só de dados apresentados por fornecedores de dados STEP elegíveis, mas também de outros dados de elevada qualidade, disponíveis na base de dados centralizada sobre títulos do BCE, o que melhora a qualidade e cobertura dos dados. As estatísticas melhoradas são publicadas em relatórios interativos que incluem novos dados semanais, facilitando, assim, o acompanhamento das atividades do mercado monetário pelo Eurosistema (para as suas operações de política monetária), emitentes de títulos e investidores.

O Conselho do BCE adotou uma nova orientação relativa às estatísticas sobre o património, o rendimento e o consumo do agregado doméstico privado

No mesmo mês, o Conselho do BCE adotou uma nova orientação que atualiza e harmoniza ainda mais o quadro existente para as estatísticas da área do euro sobre o património, o rendimento e o consumo do agregado doméstico privado[73]. Este quadro permite uma melhor compreensão da situação dos diferentes grupos de agregados domésticos privados e da forma como são afetados pela evolução económica e pela política monetária.

A orientação reformulada relativa às estatísticas das finanças públicas moderniza os dados sobre o défice e a dívida e simplifica o reporte pelos BCN

O Conselho do BCE adotou uma orientação reformulada relativa às estatísticas das finanças públicas, que regula a forma como são compilados e reportados os dados da área do euro relativos à receita, à despesa, aos défices/excedentes e à dívida[74]. A orientação reformulada introduz modelos mais claros para os dados setor a setor (administração central, estadual e local e fundos de segurança social), acrescenta informação harmonizada sobre as ligações financeiras ao orçamento da UE e define quando os BCN se podem basear em estatísticas já transmitidas pelo Eurostat. Tal melhora a coerência e evita a duplicação desnecessária de reportes.

A inclusão de novos agentes inquiridos no cálculo da €STR demonstra o compromisso do BCE para com a fiabilidade e a transparência das taxas de referência de mercados monetários do euro

A fim de reforçar a robustez e a representatividade das estatísticas de mercados monetários do euro, os dados da população alargada que comunica dados para as estatísticas de mercados monetários foram incorporados no cálculo diário da taxa de juro de curto prazo do euro (euro short‑term rate – €STR) a partir de 2 de julho de 2025. Tal seguiu‑se à adição de 24 novos bancos à população que comunica dados para as estatísticas de mercados monetários em 1 de julho de 2024, o que aumentou a dimensão da amostra para vários países da área do euro e alargou, pela primeira vez, a cobertura de modo a incluir o Luxemburgo e Portugal. A taxa de referência assenta agora num volume de transações mais elevado e numa melhor cobertura.

As novas desagregações das estatísticas da dívida de carteira dão uma imagem mais clara e pormenorizada das posições em risco ao longo do tempo

Em julho de 2025, o BCE iniciou a publicação de estatísticas mais pormenorizadas sobre as posições de investimento de carteira transfronteiras da área do euro em títulos de dívida[75]. Estas novas desagregações apresentam mais moedas e países emitentes, um conjunto mais alargado de setores investidores e emitentes, diferentes intervalos de vencimento e informação sobre se uma obrigação é verde ou sustentável. Agrupam também ativos e passivos por classes de risco simples com base em notações de crédito e fornecem alguns indicadores tanto pelo valor nominal como de mercado, dando uma imagem mais clara das posições em risco ao longo do tempo.

Os dados bancários consolidados atualizados abrangem agora as empresas de investimento de classe 1 e permitem uma agregação centralizada pelo BCE

Em outubro de 2025, o Conselho do BCE adotou uma orientação que altera a Orientação relativa a dados bancários consolidados[76]. Tal alargou a cobertura estatística às empresas de investimento de classe 1 para que os agregados reflitam melhor todo o setor bancário da UE[77]. A alteração permite ao BCE agregar os dados de supervisão de forma centralizada em nome dos BCN, utilizando os seus sistemas informáticos para melhorar a coerência e eficiência entre países. Além disso, os modelos de reporte foram aperfeiçoados a fim de proporcionar informações mais granulares sobre estatísticas bancárias.

Os indicadores climáticos melhorados oferecem novas desagregações e medidas mais pormenorizadas dos riscos climáticos físicos e de transição

Em novembro de 2025, o BCE continuou a melhorar os seus indicadores estatísticos relacionados com o clima. Os indicadores sobre títulos de dívida sustentáveis foram alargados com novas desagregações por moeda, prazo de vencimento e tipo de taxa de juro. Os indicadores de risco de transição fornecem agora uma visão mais pormenorizada dos perfis setoriais e de carbono das carteiras de empréstimos e de títulos dos bancos, facilitando a avaliação das exposições a setores com elevadas emissões de carbono e o acompanhamento das alterações ao longo do tempo. Os indicadores de risco físico foram aperfeiçoados para abranger um conjunto mais vasto de perigos – incluindo riscos relacionados com a temperatura e a precipitação e pressões sobre os recursos hídricos – e os relacionar com a localização geográfica das posições em risco subjacentes.

7.2 Revisão do Regulamento (CE) n.º 2533/98 do Conselho relativo à compilação de informação estatística pelo BCE

A legislação estatística foi atualizada para melhorar a qualidade e a eficiência dos dados e reduzir o esforço de reporte

O Regulamento (CE) n.º 2533/98 do Conselho[78] estabelece o quadro jurídico para a compilação de informação estatística junto dos bancos e de outros agentes inquiridos necessária para as atribuições do SEBC. O regulamento foi adotado em 1998 e alterado em 2009 e 2015. Dado que a economia, o sistema financeiro e o panorama de dados continuam a evoluir, em 2025, o BCE emitiu uma nova recomendação no sentido de alterar o regulamento[79]. Posteriormente, em 16 de dezembro de 2025, o Conselho da União Europeia adotou um regulamento de alteração[80].

São necessários dados mais pormenorizados, mas o reporte deve manter‑se num nível mínimo

A transformação digital está a criar novas exigências e oportunidades não só para as empresas, mas também para a prestação de serviços públicos. Criou um ambiente sem precedentes com novas necessidades estatísticas para o desempenho das atribuições do SEBC e novas possibilidades de recolha eficiente de dados granulares. Além disso, a recente evolução económica e financeira ampliou a necessidade de recolha de estatísticas de forma mais atempada, frequente e pormenorizada, mantendo simultaneamente o esforço de reporte num nível mínimo.

Para reduzir o esforço de reporte, os dados devem ser recolhidos apenas uma vez e partilhados com as partes relevantes

Por estas razões, foi importante adaptar o quadro jurídico para que o reporte estatístico e regulamentar pudesse seguir o princípio de “comunicar uma única vez” sempre que possível. A fim de evitar que vários organismos e autoridades dos Estados‑Membros e da UE recolham os mesmos dados, a informação estatística deve ser partilhada entre os membros do SEBC e pelo SEBC com os membros do Sistema Estatístico Europeu e outras partes relevantes em circunstâncias bem definidas, independentemente do membro do SEBC que tenha inicialmente recolhido os dados.

7.3 Aumentar a eficiência do reporte de dados pelos bancos

O JBRC continuou a trabalhar no sentido da simplificação e harmonização

Os principais progressos no sentido de aumentar a eficiência do reporte de dados pelos bancos foram impulsionados pelo JBRC, que reúne as autoridades europeias e nacionais e o setor bancário. O JBRC atingiu um marco importante em junho de 2025, com a publicação da sua primeira opinião, que dizia respeito à implementação da nomenclatura estatística das atividades económicas revista (NACE Rev. 2.1). O BCE e a EBA assegurarão que os bancos possam implementar simultaneamente a nomenclatura revista para efeitos de reporte estatístico, de supervisão e de resolução.

O Eurosistema decidiu analisar se o IReF poderia constituir um passo no sentido de uma Europa mais soberana do ponto de vista tecnológico

Em 2025, o Eurosistema manteve‑se empenhado em reduzir o esforço de reporte dos bancos, consolidando as exigências de informação estatística através do quadro de reporte integrado (Integrated Reporting Framework – IReF). Devido à evolução geopolítica, e tendo em conta a natureza de longo prazo do projeto do IReF, o Eurosistema decidiu investigar se este primeiro passo no sentido de um sistema de reporte plenamente integrado poderia também constituir um passo no sentido de uma Europa mais soberana do ponto de vista tecnológico. Para o efeito, o Eurosistema necessita de mais tempo do que o previsto para avaliar mais soluções soberanas, incluindo soluções de alojamento em nuvem, para a implementação do IReF.

A cobertura do BIRD cresceu em 2025, mostrando que o alinhamento granular do reporte estatístico e de supervisão reforça a qualidade e a coerência

Por último, o dicionário de reporte integrado dos bancos (Banks’ Integrated Reporting Dictionary – BIRD), que colmata as diferenças entre os requisitos de dados das autoridades e a linguagem e definições utilizadas pelos bancos, continuou a expandir o seu papel no apoio a um reporte mais eficiente em 2025. Tal incluiu a adição do modelo de reporte financeiro (financial reporting – FINREP), da oneração de ativos e da AnaCredit ao dicionário. Foram lançadas novas vertentes de trabalho para integrar quadros de supervisão e requisitos de dados adicionais, alargando ainda mais a cobertura do BIRD além dos dados estatísticos. Este trabalho é particularmente importante, dado que confirma a viabilidade do alinhamento do reporte estatístico e de supervisão a nível granular, melhorando, assim, a qualidade dos dados reportados pelos bancos e promovendo uma maior coerência entre os domínios de prestação de informação.

Caixa 6
Desenvolvimento das normas mundiais em matéria de estatísticas macroeconómicas

O ano de 2025 marcou o fim de um longo processo de revisão das principais normas estatísticas coordenado a nível internacional. A revisão visou normalizar e enriquecer a forma como a atividade económica e financeira é medida, a fim de dar resposta a necessidades de investigação e preocupações de política emergentes. Indicadores como o PIB, a balança externa e o património, que são fundamentais para o trabalho de análise económica do BCE, foram atualizados com definições revistas, a fim de captar melhor a realidade económica subjacente.

A revisão

A revisão abrangeu tanto o Sistema de Contas Nacionais (SCN) como o Manual da Balança de Pagamentos e da Posição de Investimento Internacional (Balance of Payments and International Investment Position Manual – BPM), cujas edições revistas são referidas como “SCN 2025” e “BPM7”, respetivamente. Estes dois manuais estatísticos formam o núcleo das normas estatísticas macroeconómicas internacionais – o conjunto de conceitos, classificações e convenções contabilísticas acordados, utilizados na compilação de estatísticas macroeconómicas. O processo de revisão, que teve início em 2020, ainda decorre para vários outros manuais estatísticos relacionados, incluindo os que abrangem as estatísticas das finanças públicas, as estatísticas monetárias e financeiras e a contabilidade ambiental. Os países a nível mundial são incentivados a aplicar as novas normas o mais tardar até 2030.

A atualização das normas visa refletir mudanças consideráveis no panorama económico desde a revisão anterior (concluída em 2008), incluindo a crescente globalização e digitalização das interações económicas e transformações no sistema financeiro. Além disso, os manuais foram reforçados para apoiar melhor as prioridades analíticas emergentes, como o bem‑estar, o ambiente e a sustentabilidade.

Melhoria do tratamento de ativos

As alterações mais profundas dizem respeito ao tratamento de ativos económicos. A transformação digital deu origem a novos tipos de ativos que devem ser reconhecidos nas estatísticas macroeconómicas. Incluem criptoativos e dados eletrónicos que funcionam como ativos que apoiam a atividade económica. Estes últimos serão classificados como ativos produzidos e, por conseguinte, aumentarão o investimento e o PIB medidos.

Além disso, os recursos naturais assumirão um papel mais central. Foi introduzida uma nova categoria na classificação de ativos para abranger todos os recursos naturais (distintos de outros ativos produzidos e não produzidos), sendo que as fontes de energia renováveis são explicitamente reconhecidas. Simultaneamente, o esgotamento dos recursos naturais não renováveis será tratado como um custo de produção, conduzindo a um produto interno líquido (PIL) inferior, em comparação com o método de cálculo atual. O novo sistema destaca o PIL e outros indicadores líquidos que representam a destruição de valor, além da criação de valor, como medidas concetualmente mais informativas da atividade económica subjacente, em particular na avaliação do crescimento económico, salientando, ao mesmo tempo, que tanto o PIL como o PIB devem ser utilizados de uma forma comparável na análise económica.

O papel dos ativos detidos pelas administrações públicas na produção de bens e serviços também será reforçado, uma vez que os fluxos de serviços de capital desses ativos serão agora reconhecidos na estimativa do produto das administrações públicas. Tal, por sua vez, aumentará o PIB medido.

Reforço das capacidades analíticas

Tanto o SCN 2025 como o BPM7 introduzem desagregações adicionais em comparação com edições anteriores. Estas melhorias destinam‑se a enriquecer a utilização de estatísticas macroeconómicas para a análise económica e financeira e a responder a necessidades de investigação e preocupações de política emergentes.

Por exemplo, os manuais propõem agora um quadro para a apresentação de medidas distributivas do rendimento, consumo e património do agregado doméstico privado. A fim de captar melhor o papel das empresas multinacionais, foram introduzidos novos subsetores no setor empresarial e a identificação do controlo empresarial estrangeiro foi clarificada e adquiriu maior proeminência. São também fornecidos pormenores adicionais sobre os ativos e os fluxos económicos para apoiar a análise da sustentabilidade, incluindo a identificação de títulos ambientais, sociais e de governação e outros instrumentos financeiros. O setor financeiro é apresentado com maior granularidade, a fim de refletir novas formas de intermediação financeira, incluindo intermediação financeira não bancária e tecnologia financeira.

Nos últimos anos, os especialistas em estatística do SEBC têm estado muito envolvidos no desenvolvimento destes domínios, mesmo antes da respetiva inclusão formal nas normas internacionais, devido à sua relevância para as funções do SEBC.

Aplicação na UE

O processo de aplicação das normas macroeconómicas internacionais atualizadas na UE está já em curso. Tendo 2030 como data de aplicação, e como aprovado pelos organismos da UE competentes, os institutos de estatística e bancos centrais estão a melhorar e a adaptar as suas fontes e metodologias de modo a refletir o novo registo estatístico e aplicar novas desagregações que melhorarão a análise económica.

A revisão necessária da legislação estatística conexa da UE é um elemento central da aplicação na União. O Sistema Europeu de Contas (SEC) é uma componente fundamental, cuja atualização deverá estar concluída em 2028. Foram também estabelecidos prazos semelhantes para a revisão do regulamento relativo à balança de pagamentos, comércio internacional de serviços e investimento direto estrangeiro[81], bem como das orientações do BCE relativas às contas financeiras trimestrais[82], às estatísticas externas[83] e às estatísticas das finanças públicas[84].

8 Atividades de investigação do BCE

Em 2025, os especialistas do BCE realizaram estudos económicos, monetários, financeiros e jurídicos aprofundados, que forneceram informação essencial para a elaboração de políticas, incluindo para a avaliação de 2025 da estratégia de política monetária. O trabalho desenvolvido no âmbito da rede de investigação sobre os desafios para a transmissão da política monetária num mundo em mutação (Research Network on Challenges for Monetary Policy Transmission in a Changing World – ChaMP)[85], assim como os estudos baseados no inquérito sobre as expetativas dos consumidores e no inquérito sobre as finanças e o consumo das famílias continuaram a explorar um grande filão de evidências para fundamentar a política monetária.

O presente capítulo começa com o reconhecimento da qualidade dos estudos do BCE, seguindo‑se uma descrição dos cinco principais domínios de investigação e aconselhamento em termos de políticas, bem como dos progressos alcançados nessas áreas ao longo do ano. A parte restante descreve em linhas gerais o estabelecimento e as atividades do grupo de ação no domínio da investigação da IA e conclui com uma caixa intitulada “Modelização macroeconómica em períodos de incerteza”.

A investigação no BCE é reconhecida mundialmente

O BCE visa produzir estudos de elevada qualidade em domínios fulcrais para o mandato e as atividades dos bancos centrais. Desde dezembro de 2024, o RePEc (Research Papers in Economics) – um índice amplamente utilizado de estudos económicos – classifica o BCE em primeiro lugar no mundo no domínio da economia monetária. Em 2025, o Conselho de Governadores do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos e o Fundo Monetário Internacional (FMI) foram classificados, respetivamente, na segunda e terceira posições. No domínio mais alargado da macroeconomia, o BCE foi classificado em segundo lugar, a seguir ao Departamento de Economia da Harvard University e à frente do FMI. No domínio da banca, o BCE continuou a ocupar o primeiro lugar, à frente do Banco de Pagamentos Internacionais (Bank for International Settlements – BIS) e da Booth School of Business da Chicago University. Entre os bancos centrais e instituições semelhantes a nível mundial, o BCE classificou‑se em segundo lugar em 2025, a seguir ao FMI e à frente do Conselho de Governadores do Sistema de Reserva Federal. Na Europa, o BCE ocupa o terceiro lugar em todos os domínios e no conjunto das instituições, atrás da London School of Economics and Political Science e da Paris School of Economics.

A investigação em 2025 centrou‑se em cinco grandes áreas temáticas

Os projetos de investigação conduzidos em 2025 no BCE podem ser agrupados em cinco grandes domínios temáticos. Os projetos em todas as áreas beneficiaram do contributo dos BCN e da colaboração no âmbito dos núcleos de investigação do SEBC.

Primeiro, a investigação sobre a estratégia e a transmissão da política monetária apoiou a avaliação de 2025 da estratégia do BCE e permitiu aprofundar conhecimentos sobre a transmissão da política monetária. Atualizações dos modelos de previsão resultaram em estimativas de transmissão mais fracas. Também melhoraram o desempenho dos modelos em termos de previsão, bem como o seu poder interpretativo, em períodos de políticas não convencionais e de inflação ditada pelos preços dos produtos energéticos. Outros estudos no domínio da transmissão da política monetária analisaram o aumento da restritividade da política monetária (“restritividade quantitativa”), a compra de ativos e as intervenções em situações de crise. As constatações clarificaram: os efeitos das expetativas de liquidez sobre os diferenciais do mercado monetário; a heterogeneidade da transmissão entre as famílias, as empresas e os setores; a dinâmica não linear da inflação; e as interações entre a política monetária, a estabilidade financeira e as políticas orçamentais. Por último, os estudos sobre a execução da política monetária centraram‑se na volatilidade do mercado monetário, na fixação dos preços dos acordos de recompra e nas alterações regulamentares, enquanto os estudos sobre comunicação examinaram a confiança, a ancoragem das expetativas e as atitudes do público relativamente à comunicação dos bancos centrais e ao euro digital. A investigação sobre comunicação envolveu uma colaboração na esfera da rede ChaMP.

Um segundo domínio temático prendeu‑se com as políticas orçamentais e a governação na União Económica e Monetária. Os estudos neste campo analisaram as interações entre a política monetária e as políticas orçamentais, os multiplicadores orçamentais e a transição ecológica. As conclusões retiradas revelaram que regras orçamentais bem concebidas podem apoiar a política monetária quando esta se encontra no limite inferior, que o estímulo orçamental afeta a dinâmica da inflação e que as políticas climáticas implicam soluções de compromisso entre a inflação, o produto e a eficácia da transição.

Terceiro, no domínio da macroeconomia e finanças internacionais, os investigadores do BCE analisaram a fragmentação geopolítica, as repercussões transnacionais de choques, a dominância da moeda e o sistema monetário internacional. As conclusões conexas destacam a regionalização do comércio e dos pagamentos, as repercussões mundiais desiguais da política monetária dos Estados Unidos e a contínua posição dominante do dólar dos Estados Unidos, a par de mudanças graduais na utilização de moeda e na infraestrutura financeira. O Estado de direito, enquanto valor posto em causa a nível internacional, foi igualmente analisado.

Um quarto domínio temático da investigação do BCE prende‑se com a dinâmica macroeconómica e os microfundamentos. Em 2025, a incidência foi na análise de empresas, famílias, mercados de trabalho e preços, assim como em métodos de investigação assentes em dados granulares e modelos microfundamentados. O trabalho neste campo colocou em evidência respostas heterogéneas a choques e à política monetária, o papel das expetativas, a dinâmica setorial da inflação e a resiliência do mercado de trabalho. Abrangeu ainda os avanços metodológicos – incluindo os alcançados através da utilização de ferramentas de previsão e de estimativa baseadas em IA.

Por fim, no domínio das instituições e mercados financeiros, os estudos em 2025 analisaram exaustivamente a interação entre política monetária, mercados financeiros, inflação e economia real. Estudos examinaram a transmissão da política monetária através dos seguros de habitação, da oferta de crédito e das estruturas dos contratos de empréstimo, destacando o papel das caraterísticas dos balanços dos bancos e da heterogeneidade do mercado. Outros trabalhos neste campo avaliaram os efeitos da compra de ativos pelos bancos centrais e as interações entre política monetária e políticas macroprudenciais, demonstrando que a política monetária tem um impacto maior do que as políticas macroprudenciais nas taxas ativas bancárias. Além disso, os investigadores continuaram a centrar‑se na resiliência dos bancos, nas reformas da supervisão e nos intermediários não bancários, incluindo fundos mutualistas e seguradoras. Por último, mas não menos importante, a investigação sobre o sistema financeiro incluiu análises dos riscos financeiros relacionados com o clima – incluindo riscos de transição climática – e da eficácia dos compromissos climáticos.

Foi estabelecido um grupo de ação no domínio da investigação da IA

É expectável que a rápida difusão da IA reconfigure a economia. Em resposta, em setembro de 2025, foi estabelecido, por dois anos, um grupo de ação no domínio da investigação da IA, organizado em torno de duas vertentes de trabalho: a IA e a economia real; e a IA e o setor financeiro. O trabalho em curso na vertente relativa à economia real inclui examinar os efeitos desta tecnologia na produtividade, na procura de mão de obra, na dinâmica das empresas, na concorrência e na inflação. Abarca igualmente a utilização da aprendizagem automática e de modelos de linguagem de grande escala para analisar textos, elaborar previsões e estudar a difusão de tecnologias. Na vertente de trabalho relativa ao setor financeiro, os investigadores começaram a experimentar a utilização da IA para analisar os mercados de títulos, a atividade bancária e os pagamentos digitais. Os resultados iniciais parecem diferir dos proporcionados pelos modelos convencionais, o que tem implicações para a estabilidade financeira e a fixação dos preços dos empréstimos.

A produção de estudos no BCE permaneceu elevada

A produção de estudos no BCE manteve‑se num nível elevado. No total, os especialistas do BCE publicaram 158 estudos na Série de Documentos de Trabalho do BCE e 12 artigos no Research Bulletin. Muitos dos documentos de trabalho foram também publicados externamente em revistas académicas. Em paralelo, estudos coordenados pelo Programa de Estudos Jurídicos do BCE foram publicados em revistas internacionais de renome e o próprio BCE publicou um volume especial de documentos recolhidos sobre os aspetos jurídicos do reforço da autonomia da UE.

Caixa 7
Modelização macroeconómica em períodos de incerteza

O BCE está a melhorar as suas capacidades de modelização em resposta à maior incerteza macroeconómica e também como parte dos reexames regulares da sua estratégia (ver a caixa 2, intitulada “Avaliação de 2025 da estratégia de política monetária”). Nos últimos anos, a incerteza aumentou devido a choques de grande escala – incluindo alterações geopolíticas mundiais – que dificultam as previsões/projeções macroeconómicas e a conceção da política monetária. Por conseguinte, o BCE reanalisou e adaptou os seus modelos e instrumentos estatísticos para medir fenómenos económicos emergentes, tendo reavaliado os principais casos de aplicação de modelos de previsão a muito curto prazo, de projeção e de análise de políticas[86].

Estes choques económicos recentes colocaram em evidência a necessidade de modelos mais granulares, passíveis de captar melhor flutuações económicas atípicas. O novo conjunto do BCE de modelos bayesianos de vetores autorregressivos (BVAR) adota um método granular da base para o topo, desagregando a inflação em subcomponentes. Incorpora igualmente volatilidade estocástica e correção de exceções (outliers)[87]. A par da importância crescente das políticas orçamentais climáticas, o enfraquecimento da correlação entre os preços do petróleo, do gás e da eletricidade também exigiu uma modelização mais desagregada dos preços dos produtos energéticos. O alargamento das fontes de dados utilizadas ajudou a avaliar novos choques de importância macroeconómica – incluindo perturbações das cadeias de abastecimento, que são agora explicitamente incluídas nos modelos de previsão da inflação[88]. Além disso, as medidas da utilização da capacidade produtiva baseadas em inquéritos e a nível das empresas são cada vez mais utilizadas para estimar o produto potencial, enquanto indicadores de alta frequência, dados textuais, pesquisas na internet e indicadores de mobilidade ajudam a aferir a atividade económica em tempo real através de índices harmonizados semanais de atividade para a área do euro e cada um dos seus países.

A inflação mais elevada observada a seguir ao período da pandemia de COVID‑19 destacou a importância, para a dinâmica da inflação, dos fortes efeitos indiretos e de segunda ordem, bem como das não linearidades relevantes e da dependência do Estado. Em resposta, o BCE desenvolveu modelos com elementos de choque e mecanismos de transmissão variáveis no tempo, incluindo modelos não paramétricos[89]. Estas caraterísticas são também captadas em modelos estruturais com ligações entre fatores de produção e produto e uma grande heterogeneidade setorial, nomeadamente modelos calibrados para vários países e múltiplos setores[90]. Os recentes avanços dos métodos computacionais tornaram possível estimar modelos neo‑keynesianos com agentes heterogéneos (modelos HANK, do inglês “Heterogeneous Agent New Keynesian”) para a área do euro, proporcionando mecanismos de transmissão mais amplos com agentes heterogéneos e uma análise do impacto distributivo das políticas[91]. A avaliação da estratégia destacou os esforços de modelização em curso. Estes incluem o desenvolvimento de modelos que não só incorporem tendências estruturais e ligações macrofinanceiras, mas também permitam análises dos efeitos macroeconómicos da despesa em defesa, das políticas de competitividade, da incerteza geopolítica, da IA, da demografia, dos desafios orçamentais a longo prazo e das interações entre a política monetária e as políticas orçamentais.

O BCE mantém um quadro de governação robusto para a elaboração de previsões e a modelização de políticas, assente em análises e auditorias internas das práticas de modelização macroeconómica. Este processo levou à publicação de um guia interno sobre a governação dos modelos macroeconómicos utilizados nas projeções e na análise de políticas. O guia promove um reexame contínuo para assegurar a robustez, transparência e adaptabilidade da infraestrutura de modelização e da carteira de modelos do BCE. Os modelos do BCE são regularmente validados face a referenciais empíricos – através de estudos sobre a transmissão da política monetária[92], a heterogeneidade entre modelos do SEBC e o desempenho em termos de previsão – utilizando avaliações fora da amostra e uma decomposição dos erros de previsão[93]. O quadro do BCE para a governação da modelização macroeconómica salvaguarda os conhecimentos institucionais, apoia a inclusão de novos instrumentos e metodologias de vanguarda académica e facilita a integração de novos membros do pessoal. Inclui orientações sobre a usabilidade, documentação, validação, auditabilidade e gestão do risco ao longo do ciclo de vida dos modelos. O BCE também modernizou a sua infraestrutura de modelização, adotando as mais rigorosas normas técnicas para a manutenção dos repositórios de códigos e o desenvolvimento de modelos, disponibilizando ao público cada vez mais códigos de modelo.

9 Atividades e deveres jurídicos

O presente capítulo aborda a jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) relativamente ao BCE, prestando informações sobre pareceres do BCE e casos de incumprimento da obrigação de consulta do BCE sobre projetos legislativos no âmbito da competência do BCE e informa sobre o acompanhamento pelo BCE do cumprimento das proibições de financiamento monetário e de acesso privilegiado.

9.1 Jurisprudência do TJUE relativamente ao BCE

Confirmou‑se que as disposições sobre as competências e os objetivos de política monetária dos órgãos do BCE não conferem direitos a particulares

Em fevereiro de 2025, o TJUE rejeitou um recurso interposto contra a improcedência, pelo Tribunal Geral, de um pedido de indemnização contra o BCE na sequência de uma declaração pública da presidente do BCE numa conferência de imprensa (C‑11/24 P)[94]. O TJUE confirmou que, para que a responsabilidade extracontratual do BCE ocorra por força do artigo 340.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE), deve ser demonstrada uma violação suficientemente caraterizada de uma regra jurídica cujo objeto é conferir direitos a particulares. O Tribunal constatou que as disposições legais invocadas, relativas à repartição de competências entre os órgãos do BCE e os objetivos de política monetária, não conferem direitos a particulares e, por conseguinte, o BCE não é responsável por danos. O Tribunal confirmou igualmente a conclusão do Tribunal Geral de que não tinha sido estabelecido um nexo de causalidade entre a declaração pública efetuada e os alegados prejuízos financeiros. O despacho reafirma, assim, os limites da responsabilidade do BCE pela comunicação da política monetária ao abrigo do direito da UE, contribuindo para a segurança jurídica no cumprimento do seu mandato institucional.

Confirmou‑se que o BCE tem de interpretar e aplicar a legislação nacional em conformidade com as diretivas da UE transpostas para a referida legislação nacional

Em julho de 2025, o TJUE confirmou que o BCE tinha interpretado e aplicado corretamente a legislação italiana que transpõe a diretiva em matéria de recuperação e resolução bancária[95] ao colocar o Banca Carige sob administração temporária (processos apensos C‑777/22 P e C‑789/22 P). Clarificou que, quando o BCE aplica legislação nacional que transpõe uma diretiva da UE a um banco sob a sua supervisão direta – como previsto no artigo 4.º, n.º 3, do Regulamento do MUS[96] – tem de interpretar essas regras nacionais em conformidade com a diretiva e com a legislação da UE no seu conjunto. Os recursos interpostos pelo BCE e pela Comissão Europeia diziam respeito ao acórdão anterior do Tribunal Geral no processo T‑502/19, Corneli/BCE, interposto por um acionista minoritário que contestava a decisão do BCE de nomear administradores temporários no Banca Carige. Quanto à questão da admissibilidade, o TJUE confirmou a conclusão do Tribunal Geral de que, em determinadas circunstâncias, os acionistas das entidades supervisionadas podem ter legitimidade para contestar as decisões de supervisão do BCE, em especial se essas decisões afetarem o exercício dos seus direitos administrativos. O TJUE anulou o acórdão do Tribunal Geral de 2022 e remeteu‑lhe novamente o processo.

9.2 Pareceres do BCE e casos de incumprimento

Registaram‑se nove casos claros e importantes de incumprimento da obrigação de consulta do BCE sobre projetos legislativos

De acordo com o artigo 127.º, n.º 4, e o artigo 282.º, n.º 5, do TFUE, o BCE deve ser consultado sobre qualquer proposta de legislação da UE ou nacional, no domínio das suas atribuições. Todos os pareceres do BCE são publicados no EUR‑Lex.

Em 2025, registaram‑se nove casos claros e importantes de incumprimento da obrigação de consulta do BCE sobre projetos legislativos: dois relativos a legislação da UE e sete relativos à respetiva legislação nacional. O BCE adotou pareceres de iniciativa própria em ambos os casos de não consulta relativa a projetos de disposições legais da UE e em seis dos sete casos de não consulta relativamente a projetos de disposições legais nacionais.

O primeiro caso da UE dizia respeito a uma proposta de diretiva da UE relativa ao adiamento de dois anos do prazo para os Estados‑Membros aplicarem determinados requisitos de relato de sustentabilidade das empresas e de dever de diligência. Este caso é considerado claro e importante devido à sua relevância para a execução da política monetária, a supervisão prudencial das instituições de crédito, a contribuição para a boa condução das políticas desenvolvidas pelas autoridades competentes no que se refere à estabilidade do sistema financeiro e a recolha de informação estatística.

O segundo caso da UE dizia respeito a uma proposta de regulamento da UE relativamente a determinados requisitos de comunicação de informações nos domínios dos serviços financeiros e do apoio ao investimento. Este caso é considerado claro e importante devido ao potencial impacto do regulamento na comunicação e no intercâmbio de dados de supervisão.

O primeiro caso nacional de incumprimento diz respeito a uma lei búlgara que continha medidas contra o financiamento do terrorismo, a proliferação de armas de destruição maciça e o branqueamento de capitais. Este caso é considerado claro e importante porque diz respeito a legislação nacional com implicações na competência exclusiva do BCE para conceder e revogar autorizações no âmbito do MUS. Os três casos seguintes a nível nacional dizem respeito às legislações croata, grega e húngara, que regulam, entre outros aspetos, o acesso dos cidadãos a numerário. Estes casos são considerados claros e importantes, uma vez que é necessário um acesso suficiente e eficaz a serviços de numerário para preservar a eficácia do curso legal do numerário. O quinto caso nacional diz respeito a uma lei húngara sobre a resiliência das entidades críticas. Este caso é considerado claro e importante porque as obrigações e os poderes de supervisão estabelecidos ao abrigo da legislação pertinente têm impacto na independência do Magyar Nemzeti Bank ao abrigo do artigo 130.º do TFUE. O sexto caso nacional diz respeito a uma lei húngara que afeta o Magyar Nemzeti Bank. Este caso é considerado claro e importante devido ao seu impacto nos órgãos de decisão do Magyar Nemzeti Bank, à proibição de financiamento monetário e às atividades admissíveis das fundações estabelecidas pelo Magyar Nemzeti Bank. O sétimo caso nacional diz respeito a uma lei húngara que, no contexto da transposição da CRD[97] revista, diz respeito à duração do mandato de um vice‑governador e a determinados requisitos relacionados com a sua nomeação e destituição. Este caso é considerado claro e importante devido ao seu impacto nos órgãos de decisão do Magyar Nemzeti Bank e à independência do mesmo.

O BCE emitiu oito pareceres sobre propostas de legislação da UE

O BCE emitiu oito pareceres sobre propostas legislativas da UE, abrangendo: i) um ciclo de liquidação de valores mobiliários mais curto na UE, ii) requisitos prudenciais aplicáveis às instituições de crédito no que diz respeito às operações de financiamento através de valores mobiliários ao abrigo do rácio de financiamento estável líquido, iii) simplificação do relato de sustentabilidade das empresas, bem como dos requisitos em matéria de dever de diligência e taxonomia, iv) estatísticas não financeiras sobre o imobiliário comercial, v) a introdução do euro na Bulgária, vi) o programa Pericles V destinado a combater a falsificação do euro, vii) titularizações simples e transparentes e requisitos de capital conexos, e viii) a simplificação das regras de governação económica.

O BCE emitiu 37 pareceres sobre projetos de legislação nacional

O BCE emitiu 37 pareceres sobre projetos de legislação nacional. Os pareceres sobre legislação nacional abrangem frequentemente mais do que um assunto, dependendo do âmbito da legislação nacional relativamente à qual o BCE é consultado[98]. O BCE emitiu:

  • 17 pareceres relativos aos BCN, incluindo sobre propriedade das reservas de ouro, mandatos e composição dos membros dos órgãos de decisão, prevenção de conflitos de interesses, regras de distribuição de lucros, contas de tesouraria, participação no MUS, responsabilidades durante uma crise civil, aplicação dos requisitos de cibersegurança e resiliência, financiamento da contribuição das quotas de um Estado‑Membro para o FMI, fundações e pensões;
  • oito pareceres relativos a numerário, incluindo acesso a serviços de numerário, limites de numerário, curso legal do numerário e estabelecimento de um direito constitucional para efetuar pagamentos em numerário;
  • sete pareceres relativos a independência em matéria de supervisão e prevenção de conflitos de interesse;
  • três pareceres relativos a impostos aplicados aos bancos com finalidades específicas ou impostos sobre operações financeiras;
  • dois pareceres relativos ao acesso a sistemas de pagamentos;
  • dois pareceres sobre o procedimento de avaliação das fusões, desinvestimentos e aquisições;
  • um parecer sobre resiliência operacional digital no domínio dos pagamentos;
  • um parecer relativo à superintendência de prestadores de serviços de mensagens financeiras;
  • um parecer relativo à portabilidade de contas IBAN;
  • um parecer relativo à aceitação obrigatória de pagamentos em moeda escritural;
  • um parecer relativo à criação de instituições de crédito especiais com um limiar de capital inicial mínimo de 1 milhão de euros;
  • um parecer sobre a interação entre a legislação nacional, o MUS e regras bancárias setoriais;
  • um parecer relativo aos rácios de reservas mínimas num país não pertencente à área do euro;
  • um parecer relativo a seguros contra inundações;
  • um parecer relativo ao planeamento de emergência numa crise civil;
  • um parecer sobre medidas macroprudenciais relativas aos empréstimos hipotecários.

Quadro 9.1

Desenvolvimentos estatísticos relacionados com o desempenho pelo BCE das suas funções consultivas entre 2021 e 2025

2021

2022

2023

2024

2025

Casos claros e importantes de incumprimento

3

5

12

9

9

Número total de pareceres do BCE sobre projetos de legislação da UE

8

14

12

4

8

dos quais: pareceres de iniciativa própria

0

5

3

2

1

Número total de pareceres do BCE sobre projetos de legislação nacional

32

32

35

38

37

dos quais: pareceres de iniciativa própria

0

2

5

5

5

9.3 Cumprimento das proibições de financiamento monetário e de acesso privilegiado

De um modo geral, as proibições estipuladas nos artigos 123.º e 124.º do Tratado foram respeitadas

Nos termos do artigo 271.º, alínea d), do TFUE, compete ao BCE acompanhar o cumprimento por parte dos BCN da UE das proibições estipuladas nos artigos 123.º e 124.º do Tratado e nos Regulamentos (CE) n.º 3603/93[99] e n.º 3604/93[100] do Conselho. O artigo 123.º proíbe a concessão de créditos sob a forma de descobertos ou sob qualquer outra forma pelo BCE e pelos BCN em benefício das administrações públicas nacionais e de instituições ou organismos da UE, bem como a compra no mercado primário de títulos de dívida emitidos por essas instituições. O artigo 124.º proíbe quaisquer medidas, não baseadas em considerações de ordem prudencial, que possibilitem o acesso privilegiado às instituições financeiras por parte das administrações públicas nacionais e das instituições ou organismos da UE. A par do Conselho do BCE, a Comissão Europeia acompanha o cumprimento por parte dos Estados‑Membros das disposições atrás referidas.

O BCE acompanha igualmente a aquisição, pelos BCN dos Estados‑Membros da UE, no mercado secundário, de títulos de dívida emitidos pelo setor público nacional, pelo setor público de outros Estados‑Membros e por instituições e organismos da UE. Nos termos dos considerandos do Regulamento (CE) n.º 3603/93 do Conselho, a aquisição de títulos de dívida do setor público no mercado secundário não deve servir para iludir o objetivo visado no artigo 123.º do Tratado.

O exercício de acompanhamento do BCE relativo a 2025 confirmou que os artigos 123.º e 124.º do Tratado foram, de um modo geral, respeitados.

O BCE continua a acompanhar o envolvimento do Magyar Nemzeti Bank na Bolsa de Valores de Budapeste, dado que a aquisição de uma participação maioritária nesta bolsa pelo Magyar Nemzeti Bank em 2015 pode ainda suscitar preocupações de financiamento monetário.

O financiamento pelos BCN de obrigações impostas ao setor público perante o FMI não é considerado financiamento monetário, desde que resulte em ativos externos que possuam todas as caraterísticas dos ativos de reserva. Contudo, os apoios financeiros disponibilizados em anos anteriores pelo Nationale Bank van België/Banque nationale de Belgique e pelo Banque de France, através do FMI, para alívio da dívida de países pobres altamente endividados não resultaram em quaisquer ativos externos, pelo que continuam a requerer medidas corretivas.

O financiamento da unidade de informação financeira espanhola (Servicio Ejecutivo de la Comisión de Prevención del Blanqueo de Capitales e Infracciones Monetarias – Sepblac) pelo Banco de España é incompatível com a proibição de financiamento monetário, visto que o Sepblac é um organismo do setor público. Consequentemente, as modalidades que dizem respeito ao Sepblac devem ser reconsideradas com vista a garantir o cumprimento da proibição.

10 O BCE no contexto internacional e da UE

Os três órgãos de decisão do BCE (o Conselho do BCE, a Comissão Executiva e o Conselho Geral) continuaram a preparar e a definir a direção em termos de políticas no âmbito do mandato do BCE para a Europa. O BCE deu também continuidade ao diálogo aberto e construtivo com os parceiros europeus e internacionais ao longo do ano. A sua interação permanente com o Parlamento Europeu é fundamental para o respetivo quadro de prestação de contas, em particular através de audições regulares e trocas de cartas com a Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu (ECON).

Na esfera internacional mais alargada, o BCE apoiou os esforços do G20 para reforçar os setores bancário e não bancário e fazer avançar os principais compromissos em matéria do Acordo de Basileia III, criptoativos, pagamentos transnacionais e estabilidade financeira. O BCE também apoiou o trabalho do FMI através dos seus contributos para o debate de políticas pertinente.

10.1 Processo de tomada de decisões do BCE

O Conselho do BCE realizou 15 reuniões sobre política monetária e outras questões de política estratégica

O Conselho do BCE, o principal órgão de decisão do BCE, reuniu 15 vezes em 2025. Oito das reuniões foram sobretudo dedicadas às decisões de política monetária resumidas no capítulo 2. Sete dessas reuniões foram realizadas em Frankfurt e uma em Florença, organizada pelo Banca d’Italia. As restantes sete reuniões – uma das quais realizada em Frankfurt e as restantes por videoconferência – centraram‑se nas outras atribuições do Eurosistema estabelecidas no TFUE, tais como operações de mercado, sistemas de pagamentos, estabilidade financeira, estatísticas e notas ou questões mais internas. Em particular, foram tomadas decisões estratégicas sobre tópicos importantes, como os apresentados no presente relatório anual: o euro digital, os temas e motivos da terceira série de notas de euro, a introdução do euro na Bulgária e a simplificação das regras bancárias da UE. As reuniões foram frequentemente combinadas com seminários sobre temas de política específicos. Esses seminários proporcionam aos membros do Conselho do BCE informação de base adicional e dão azo a uma primeira reflexão e troca de pontos de vista informais sem que sejam tomadas decisões. Em maio de 2025, o Conselho do BCE realizou também um retiro estratégico no Porto, em Portugal. Este evento foi dedicado ao reexame da estratégia de política monetária de 2025 e incluiu um encontro de trabalho sobre o euro digital.

Como ilustrado no gráfico abaixo, o Conselho do BCE tomou igualmente uma série de decisões por procedimento escrito. Em 2025, foram efetuados 456 procedimentos escritos sobre questões de banca central[101] e 948 sobre questões de supervisão bancária.

A composição do Conselho do BCE alterou‑se no decurso de 2025. As autoridades nacionais competentes nomearam três novos governadores: Martin Kocher (Oesterreichische Nationalbank), Olaf Sleijpen (De Nederlandsche Bank) e Álvaro Santos Pereira (Banco de Portugal). Além disso, dois membros – Mārtiņš Kazāks (Latvijas Banka) e Olli Rehn (Suomen Pankki) – foram renomeados para o Conselho do BCE.

Dimitar Radev terá direitos de voto nas reuniões e nos procedimentos escritos do Conselho do BCE, de acordo com o sistema de rotação estabelecido

Como anunciado em 8 de julho de 2025, a Bulgária aderiu à área do euro em 1 de janeiro de 2026. Dimitar Radev, na qualidade de governador do Българска народна банка (o banco central da Bulgária), tornou‑se membro do Conselho do BCE. A fim de preparar a adesão da Bulgária à área do euro, a partir de setembro de 2025, foi mantido ao corrente de questões relacionadas com a tomada de decisões do BCE e participou em reuniões na qualidade de observador. No que respeita ao sistema de rotatividade dos direitos de voto no Conselho do BCE, o Governador da Bulgária passou a fazer parte do grupo que representa 16 bancos centrais de países de menor dimensão da área do euro que partilham 11 direitos de voto.

A Comissão Executiva realizou 42 reuniões sobre uma grande variedade de dossiês de política e assuntos internos

A Comissão Executiva é o órgão de decisão responsável pela preparação das reuniões do Conselho do BCE, pela execução da política monetária e por outras decisões, bem como pela gestão da atividade quotidiana do BCE. Continuou a tomar a maior parte das decisões nas suas reuniões, que se realizam uma vez por semana, às terças‑feiras de manhã. Em 2025, a Comissão Executiva realizou 42 reuniões e considerou 977 pontos da agenda, que abrangeram todas as atribuições do BCE, bem como questões internas (por exemplo, questões relacionadas com recursos humanos, orçamento, administração e tecnologias de informação). Além disso, foram utilizados procedimentos escritos para elementos de informação ou decisões de rotina, tendo algumas decisões sido tomadas por delegação do Conselho do BCE.

Gráfico 10.1

Número de pontos da agenda por órgão de decisão

Fonte: BCE.

Gráfico 10.2

Número de procedimentos escritos por órgão de decisão

(excluindo procedimentos escritos sobre supervisão bancária)

Fonte: BCE.

O Conselho Geral – que, na qualidade de órgão de transição, também inclui governadores dos BCN não pertencentes à área do euro – reuniu‑se quatro vezes em 2025. Debateu a evolução macroeconómica, monetária e financeira na UE e procedeu à troca de pontos de vista sobre temas de política específicos de interesse para todos os BCN. Além disso, foram realizados procedimentos escritos para consultar ou informar os membros do Conselho Geral sobre questões no âmbito do seu mandato. Em 2025, o Conselho Geral decidiu reduzir a frequência das suas reuniões para duas por ano a partir de 2026.

10.2 Responsabilização do BCE

A responsabilização é uma contrapartida vital da independência

O TFUE confere independência ao BCE para assegurar que este pode cumprir o seu mandato de manutenção da estabilidade de preços sem interferência política. Esta independência é acompanhada de uma obrigação de prestação de contas perante os cidadãos da UE, representados pelo Parlamento Europeu e pelos seus representantes eleitos. As práticas de prestação de contas do BCE – com base no disposto no artigo 284.º, n.º 3, do TFUE – possibilitam um diálogo bidirecional com o Parlamento Europeu, o que permite ao BCE explicar as suas políticas e decisões, bem como escutar as preocupações dos representantes eleitos dos cidadãos. Por último, o controlo jurisdicional pelo TJUE complementa o quadro de prestação de contas do BCE.

Em 2025, o BCE prosseguiu a sua interação com o Parlamento Europeu

Em 2025, a presidente do BCE participou em quatro audições regulares da ECON. Participou igualmente no debate em sessão plenária sobre o Relatório Anual do BCE de 2023. O vice‑presidente do BCE apresentou o Relatório Anual do BCE de 2024 à ECON em abril. No mesmo dia, o BCE publicou os seus comentários ao contributo prestado pelo Parlamento Europeu na sua resolução sobre o Relatório Anual do BCE de 2023. Durante o ano, o BCE respondeu a 15 perguntas escritas de deputados do Parlamento Europeu. Estas perguntas abordaram temas que incluíram a política monetária, as perspetivas económicas, o euro digital e questões institucionais. Além disso, uma delegação da ECON participou numa visita anual ao BCE, em Frankfurt am Main, em outubro de 2025.

O BCE continuou a sua colaboração estreita com o Parlamento Europeu no contexto do euro digital

No decurso de 2025, o BCE continuou a sua colaboração estreita com o Parlamento Europeu no contexto do euro digital. Piero Cipollone, membro da Comissão Executiva do BCE, participou em quatro trocas de pontos de vista com a ECON para prestar informações atualizadas sobre os progressos do projeto. Além disso, a presidente e os membros da ECON foram informados através de notificações sobre os principais desenvolvimentos relacionados com o euro digital. O BCE também forneceu análises e contributos técnicos aos deputados do Parlamento Europeu para apoiar o processo legislativo sobre um euro digital em curso.

O apoio ao euro atingiu um máximo histórico em 2025

De acordo com o inquérito Eurobarómetro Standard da primavera de 2025, 83% dos inquiridos da área do euro apoiavam a moeda única, o que constitui um novo máximo histórico[102]. A popularidade do euro manteve‑se forte no inquérito do outono de 2025, com 82% dos inquiridos a apoiar a moeda. O BCE permanece empenhado em interagir de forma construtiva com o Parlamento Europeu e os cidadãos da área do euro. Explicando as suas decisões, dando resposta às preocupações do público e mantendo um diálogo aberto, o BCE visa reforçar a confiança e assegurar o cumprimento efetivo das suas obrigações de prestação de contas.

10.3 Relações internacionais

G20

A presidência do G20 centrou‑se na solidariedade, na igualdade e na sustentabilidade num contexto de crescentes tensões mundiais

Durante a presidência sul‑africana do G20 em 2025 – centrada na solidariedade, na igualdade e na sustentabilidade – a economia mundial enfrentou fatores adversos decorrentes de tarifas elevadas e voláteis aplicadas pelos Estados Unidos, da guerra da Rússia contra a Ucrânia e dos conflitos no Médio Oriente. Neste contexto, a presidência incentivou a cooperação multilateral entre os membros do G20. O G20 chegou a acordo sobre um comunicado em julho, uma declaração ministerial sobre a sustentabilidade da dívida em outubro e a Declaração dos dirigentes do G20 em Joanesburgo, em 22 e 23 de novembro. A presidência colocou a África e o Sul Global no centro da agenda do G20. As principais prioridades incluíram a sustentabilidade da dívida, o aumento do financiamento da luta contra as alterações climáticas e o acesso equitativo a minerais críticos, bem como a promoção da cooperação de política em matéria de crescimento económico inclusivo, segurança alimentar e IA. Segundo o BCE, a existência de condições de igualdade em todas as jurisdições deveria ser um fator essencial para mitigar as repercussões a nível transfronteiras e salvaguardar a estabilidade financeira. Congratulou‑se com os compromissos assumidos com o roteiro do G20 para reforçar os pagamentos transnacionais e com a implementação plena e atempada das reformas acordadas e das normas internacionais, incluindo o Acordo de Basileia III. Também acolheu com agrado o apoio dado às recomendações do Conselho de Estabilidade Financeira (CEF) em matéria de alavancagem na intermediação financeira não bancária e à análise pelo CEF da aplicação das suas recomendações de alto nível em matéria de criptoativos e criptomoedas estáveis. O BCE também encorajou a prossecução dos trabalhos no domínio da intermediação financeira não bancária, que deverão ser apoiados por uma melhor partilha de dados e informação a nível transfronteiras, a fim de assegurar uma implementação eficaz e mitigar o risco sistémico.

Questões de política relacionadas com o FMI e a arquitetura financeira internacional

O BCE contribuiu para os debates em fóruns internacionais para ajudar a promover um sistema monetário e financeiro internacional forte e estável

Num contexto de esforços para adaptar e melhorar a arquitetura financeira internacional, o BCE, enquanto principal banco central, continuou a desempenhar um papel ativo nos debates de políticas do FMI[103] sobre questões relevantes para o seu mandato. O FMI iniciou três grandes análises, as quais deverão estar concluídas em 2026. A avaliação do desenho e condicionalidade dos programas (Review of Program Design and Conditionality) visa melhorar os programas de concessão de crédito, a fim de melhor apoiar a viabilidade e resiliência externas dos países mutuários. O exame completo da supervisão (Comprehensive Surveillance Review) fará um balanço da evolução do panorama da supervisão e definirá prioridades para os próximos cinco anos. A análise do Programa de Avaliação do Setor Financeiro (Financial Sector Assessment Program – FSAP) avaliará a eficácia do FSAP na abordagem de domínios de crescente vulnerabilidade, da cobertura da intermediação financeira não bancária e do impacto do aconselhamento do FMI em termos de políticas. O BCE está ativamente envolvido nessas análises.

O FMI prosseguiu igualmente os trabalhos de implementação da 16.ª Revisão Geral das Quotas (que aumentará em 50% os recursos do FMI derivados de quotas), procurando simultaneamente desenvolver um conjunto de princípios em 2026 para orientar futuros debates sobre as quotas do FMI e a governação, incluindo a 17.ª Revisão Geral das Quotas. No que diz respeito aos recursos para os fundos fiduciários do FMI, registaram‑se novos progressos na disponibilização de recursos financeiros prometidos – sob a forma de direitos de saque especiais ou contribuições equivalentes – para o Fundo Fiduciário para a Redução da Pobreza e o Crescimento (Poverty Reduction and Growth Trust – PRGT) e o Fundo Fiduciário para a Resiliência e a Sustentabilidade (Resilience and Sustainability Trust – RST), tendo a maioria dos compromissos já sido cumprida. Os Estados‑Membros da UE e os respetivos bancos centrais são contribuintes importantes para estes fundos fiduciários.

Os esforços a nível mundial para fazer face aos desafios da dívida foram intensificados em 2025. O FMI e o Banco Mundial realizaram progressos no apoio aos países que têm dívida sustentável, mas enfrentam pressões sobre o serviço da dívida. O FMI iniciou a revisão do quadro de sustentabilidade da dívida para países de baixo rendimento e a Mesa‑Redonda Mundial sobre a Dívida Soberana publicou o manual para a reestruturação da dívida (Debt Restructuring Playbook)[104] com o objetivo de melhorar a previsibilidade e tempestividade da reestruturação da dívida. O BCE apoia os esforços das instituições financeiras internacionais para impulsionar o trabalho sobre a sustentabilidade da dívida.

Caixa 8
O papel internacional do euro

Uma moeda internacional é uma moeda amplamente utilizada fora da sua jurisdição de origem. Estas moedas funcionam como meio de pagamento, reserva de valor e unidade de conta para a fixação de preços de contratos e ativos a nível mundial. Os bancos centrais de todo o mundo detêm reservas em moedas internacionais, enquanto as empresas e as famílias utilizam‑nas para fins comerciais, empréstimos, investimento e poupança, além da respetiva moeda nacional.

Desde o início, o euro tem mantido a sua posição como a segunda moeda internacional mais importante, a seguir ao dólar dos Estados Unidos (gráfico A). O BCE publica um relatório anual sobre o papel internacional do euro, que apresenta um índice compósito do seu papel internacional. O índice é calculado como uma média aritmética simples da percentagem do euro num conjunto alargado de indicadores. Estabilizou num intervalo de 18‑20% a taxas de câmbio constantes e correntes desde 2017, após uma recuperação inicial nos anos que se seguiram à introdução da moeda única (gráfico B).

Gráfico A

Retrato do sistema monetário internacional

O euro continua a ser a segunda moeda mais importante do sistema monetário internacional

(percentagens; T4 2024)

Fontes: BIS, FMI, CLS Bank International, Ilzetzki, Reinhart e Rogoff (2019)[105] e cálculos de especialistas do BCE.
Notas: * Visto que as operações nos mercados cambiais envolvem sempre duas divisas, as percentagens do volume de operações cambiais ascendem a 200%. Os dados relativos ao volume de operações cambiais referem‑se a abril de 2022, dado que provêm de um inquérito trienal. Ver também o último relatório publicado em junho de 2025, intitulado “The international role of the euro”, BCE, 2025.

A recente evolução geopolítica representa desafios e oportunidades para o papel internacional do euro. Por um lado, alguns bancos centrais aumentaram a respetiva compra de ouro, os países BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) estão a explorar alternativas aos sistemas de pagamentos transnacionais tradicionais e a Administração dos Estados Unidos está a apoiar a utilização a nível mundial de criptomoedas estáveis com base no dólar dos Estados Unidos. Por outro lado, o reforço da credibilidade geopolítica da Europa e a reconstrução do seu poder coercivo deverão também ajudar a reforçar a confiança no euro a nível mundial. Entretanto, as tarifas impostas pela Administração dos Estados Unidos no início de abril de 2025 desencadearam um enfraquecimento acentuado do dólar dos Estados Unidos, a par de taxas de juro de longo prazo mais elevadas – uma rara correlação cruzada entre ativos. Tal indica que os investidores poderão estar a examinar de forma cada vez mais rigorosa o papel do dólar dos Estados Unidos como moeda segura, o que poderá ter implicações para o panorama monetário internacional.

Gráfico B

Índice compósito do papel internacional do euro

O papel internacional do euro permaneceu globalmente estável durante a última década

(percentagens; taxas de câmbio atuais e constantes relativas ao T4 2024; médias móveis de quatro trimestres)

Fontes: BIS, FMI, CLS Bank International, Ilzetzki, Reinhart e Rogoff (2019) e cálculos de especialistas do BCE.
Notas: Média aritmética das percentagens do euro a taxas de câmbio (atuais) constantes no stock de obrigações internacionais, empréstimos de bancos fora da área do euro a mutuários fora da área do euro, depósitos em bancos fora da área do euro de credores fora da área do euro, liquidações cambiais mundiais, reservas cambiais mundiais e regimes cambiais mundiais. A última observação refere‑se ao quarto trimestre de 2024. Ver também o último relatório publicado em junho de 2025, intitulado “The international role of the euro”, BCE, 2025.

Uma paisagem em mutação poderia abrir caminho a um maior papel internacional do euro. Tal teria implicações positivas para a área do euro. Primeiro, uma procura mais forte de títulos de dívida denominados em euros permitiria aos governos e às empresas obter crédito a taxas inferiores. Segundo, mais fluxos comerciais denominados em euros protegeriam a área do euro de flutuações das taxas de câmbio. Terceiro, o reforço do papel internacional do euro fortaleceria a autonomia estratégica da Europa e ajudaria a protegê‑la de sanções ou de outras medidas coercivas.

No entanto, o euro só prosperará se for apoiado por políticas adequadas. Uma prioridade fundamental para os decisores de política europeus deve ser a promoção da união da poupança e dos investimentos, a fim de tirar pleno partido dos mercados financeiros europeus. A eliminação das barreiras na UE é essencial para aumentar a profundidade e liquidez dos mercados de financiamento do euro, o que constitui uma condição prévia para a utilização mais ampla do euro. A emissão planeada de obrigações a nível da UE – à medida que a Europa se torna responsável pela sua própria defesa – poderá dar um contributo importante para a consecução desses objetivos.

O BCE está também a dar o seu contributo. Num contexto geopolítico mais volátil, a aceleração dos progressos em termos de um euro digital é crucial para reforçar a soberania europeia. A melhoria dos sistemas de pagamentos transnacionais entre o euro e outras moedas aumentará também a resiliência. Além disso, a oferta de soluções para a liquidação de transações financeiras por grosso registadas em plataformas de tecnologia de registo distribuído em moeda do banco central aumentará tanto a eficiência dos mercados financeiros europeus como a atratividade do euro a nível mundial. Além disso, as linhas de liquidez em euros dirigidas a bancos centrais de países não pertencentes à área do euro sinalizam a vontade do BCE de proporcionar um mecanismo de apoio em condições de tensão no mercado, a fim de proteger a transmissão da política monetária. Em última análise, também podem promover a utilização do euro nas transações financeiras e comerciais a nível mundial.

Por último, a atratividade mundial do euro é sustentada por políticas sólidas na área do euro, instituições fortes assentes em regras e credibilidade geopolítica. A defesa do Estado de direito também continua a ser essencial para manter, e potencialmente aumentar, a confiança mundial no euro.

11 Promoção da ética, boa governação e sustentabilidade social e ambiental

Enquanto instituição pública, o BCE presta contas aos cidadãos da UE e aos seus representantes eleitos. Esta responsabilidade envolve comunicar e interagir de forma eficaz com diferentes públicos, mantendo os mais elevados padrões éticos e a máxima transparência, avaliar os impactos dos riscos relacionados com o clima e a natureza, bem como capacitar os membros do seu pessoal.

11.1 Questões ambientais, sociais e de governação

Em 2025, o BCE prosseguiu o seu trabalho sobre questões ambientais, sociais e de governação

Os principais desenvolvimentos no tocante a questões ambientais, sociais e de governação (ASG) em 2025 são descritos no presente capítulo. A secção 11.2 descreve em pormenor o trabalho do BCE no sentido de melhorar continuamente os seus quadros de governação, o que inclui uma cooperação estreita com instituições homólogas europeias e internacionais para fortalecer a ética, a integridade e a boa conduta. A secção 11.3 destaca as iniciativas do BCE para reforçar a divulgação e aumentar a transparência, a acessibilidade e a interação com os cidadãos e o público em geral. A secção 11.4 descreve os principais desenvolvimentos em 2025 na gestão de recursos humanos e proporciona dados importantes sobre a diversidade dos membros do pessoal do BCE. Por último, a secção 11.5 centra‑se no trabalho do BCE relacionado com o clima e a natureza, fornecendo pormenores sobre publicações mais especializadas neste domínio.

O BCE lida com os riscos climáticos no contexto dos seus quadros de gestão do risco para os riscos financeiros e não financeiros, tal como descrito no capítulo dedicado à gestão do risco nas Contas Anuais do BCE de 2025.

É fornecida mais informação sobre estes temas noutras secções do presente relatório anual e no sítio do BCE (ver o quadro 11.1 abaixo).

11.2 Reforço da ética e da integridade

O Gabinete de Conformidade e Governação do BCE apoia a Comissão Executiva na proteção da integridade e da reputação do BCE, na promoção de padrões éticos de comportamento, bem como no reforço da responsabilização e da transparência do BCE.

O Comité de Ética e Conformidade formulou os seus novos princípios orientadores para uma utilização ética e responsável da IA

O Comité de Ética e Conformidade continuou a apoiar as instituições do Eurosistema e do MUS na aplicação do Código Deontológico. Esse apoio incluiu fornecer orientações sobre restrições a operações financeiras privadas e conflitos de interesses relativos a questões como atividades externas e licenças sem vencimento. O Comité organizou igualmente sessões temáticas com oradores externos. Como também foram convidadas instituições não pertencentes ao Eurosistema e ao MUS, participaram nas sessões mais de 50 organizações e instituições públicas. Em 2025, o Comité criou um grupo de trabalho sobre ética e IA, que definiu princípios orientadores não vinculativos com vista a promover a conceção e utilização éticas e responsáveis de sistemas de IA, tendo fornecido orientações práticas a instituições do Eurosistema e do MUS. Em consonância com o seu compromisso de fomentar a sensibilização para a ética e a integridade, o Comité organizou um questionário sobre ética (o Ethics Challenge quiz) e uma sessão com oradores externos dedicada a questões de ética, confiança pública e comportamento humano da perspetiva da ciência comportamental. Ambos os eventos registaram uma elevada participação de membros do pessoal do Eurosistema e do MUS.

A nível europeu, o Gabinete de Conformidade e Governação colaborou com outras instituições, órgãos e organismos da UE na organização do primeiro Dia Interinstitucional da Ética. Participaram mais de 600 colegas, em representação de 15 instituições diferentes. O responsável do BCE pela conformidade e governação integrou, juntamente com representantes de outras instituições, um painel de discussão sobre a forma como a ética tem impacto na cultura organizacional. A um nível internacional mais alargado, o BCE esteve ativamente envolvido na partilha de conhecimentos e de melhores práticas no âmbito da Rede Deontológica de Organizações Multilaterais (Ethics Network of Multilateral Organizations – ENMO). Desempenhou as funções de vice‑presidente da rede e contribuiu para as reuniões e grupos de trabalho da mesma, bem como para a reunião anual de membros organizada pelo Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas. Esta colaboração a nível mundial abriu caminho à adoção das normas de conduta para funções éticas (Standards of Practice for Ethics Functions), em abril de 2025.

Manter a sensibilização dos membros do pessoal para a ética e a integridade continuou a ser uma prioridade em 2025

Os programas de integração de pessoas recém‑contratadas decorreram como habitualmente. Além disso, o Gabinete de Conformidade e Governação ofereceu cursos de formação adaptados a funções específicas, assim como sessões de atualização sobre as regras aplicáveis a operações financeiras privadas. As iniciativas de sensibilização e divulgação geral incluíram o Dia Mundial da Ética, celebrado anualmente, com stands abertos a todos os membros do pessoal do BCE.

O número de pedidos dirigidos ao Gabinete de Conformidade e Governação aumentou de 3070 em 2024 para 3532 em 2025 (gráfico 11.1), devido às iniciativas de sensibilização e aos esforços sustentados para desenvolver ferramentas digitais intuitivas. Tal como em anos anteriores, as verificações anuais para monitorização do cumprimento conduzidas pelo Gabinete de Conformidade e Governação confirmaram que os membros do pessoal e os altos responsáveis do BCE continuaram a cumprir as regras aplicáveis a operações financeiras privadas.

Gráfico 11.1

Panorâmica geral dos pedidos recebidos em 2025 de membros do pessoal do BCE

Fonte: BCE.

O Comité de Ética apoia e aconselha os altos responsáveis do BCE sobre questões deontológicas

O Comité de Ética independente do BCE – em conjunto com o Comité de Auditoria do BCE – complementa a estrutura de governação do BCE. Aconselha os altos responsáveis do BCE sobre questões deontológicas – sobretudo no que se refere a atividades privadas e atividades profissionais remuneradas após a cessação de funções – e avalia as declarações de interesses dos mesmos. O Comité acompanha ainda os desenvolvimentos europeus e internacionais no domínio da ética e da boa conduta.

Em 2025, analisou o cumprimento das regras relativas a operações financeiras privadas por altos responsáveis do BCE através de declarações de interesses e emitiu 35 pareceres, dos quais 15 diziam respeito a restrições pós‑emprego (tendo alguns deles incluído recomendações sobre a observância de períodos de limitação do exercício de atividade profissional). Os pareceres do Comité de Ética são publicados no sítio do BCE seis meses após a data de emissão.

11.3 Comunicação e transparência

O panorama de comunicação externa e interna colocou desafios

O ano passado caraterizou‑se por um contexto desafiante, que tornou a comunicação particularmente difícil. Incerteza económica excecional, tensão geopolítica, aumento do populismo e novos debates sobre a independência dos bancos centrais coincidiram com pressões acrescidas associadas ao financiamento da segurança, estabilidade e crescimento na Europa. Contudo, os resultados das políticas centrais do BCE permitiram transmitir uma mensagem de confiança. Conseguiu‑se um regresso da inflação a valores em torno do objetivo de 2% do BCE, a política monetária manteve‑se num bom nível e o sistema bancário da área do euro permaneceu resiliente. No entanto, estes sucessos poderão ter passado despercebidos a muitas pessoas. Em geral, embora já não estivessem a subir tão rapidamente, os preços mantiveram‑se num nível mais elevado do que antes da subida acentuada da inflação. Esta situação suscitou preocupações persistentes entre os europeus em relação ao custo de vida, à inflação e ao orçamento das famílias. Acresce que os pedidos cada vez mais insistentes de simplificação ou mesmo de desregulamentação do setor financeiro exigiram uma resposta fundamentada, judiciosa e bem comunicada. Por último, os novos quadros do BCE para as carreiras e as relações com o pessoal, a par da mudança em larga escala do edifício da Eurotower para um novo edifício e um conceito inovador de local de trabalho, exigiram uma comunicação interna consentânea.

O BCE comprometeu‑se a continuar a adaptar a sua comunicação, após a avaliação de 2025 da estratégia

À luz dos desafios atuais, o BCE está empenhado em continuar a adaptar‑se à evolução do panorama de comunicação, tal como confirmado na avaliação de 2025 da estratégia de política monetária. Este exercício incluiu fazer um balanço dos esforços de modernização da comunicação do BCE desde o reexame da estratégia efetuado em 2021. O reexame de 2021 revelou uma maior sensibilização do público para o objetivo de estabilidade de preços do BCE e permitiu constatar que o BCE e os BCN tinham envidado esforços assinaláveis com vista a aumentar a interação e o contacto com o público – e melhorar a legibilidade e a acessibilidade da sua comunicação. Todavia, entre o público em geral, os conhecimentos sobre as atribuições do Eurosistema e o funcionamento da economia e do setor financeiro continuam a ser limitados. Por conseguinte, o BCE reafirmou o compromisso de explicar a sua estratégia e as decisões de política monetária com a maior clareza possível a todos os públicos.

Cada vez mais se considera que a literacia financeira é importante para a transmissão da política monetária

Além disso, existe cada vez mais evidência de que a política monetária pode ser transmitida mais eficazmente à economia se os consumidores, em geral, entenderem melhor a economia e o papel dos bancos centrais[106]. A promoção da literacia financeira constitui, portanto, um domínio de interesse fundamental. As sinergias e os benefícios da cooperação neste domínio no conjunto do Eurosistema podem proporcionar uma via a seguir. Um exemplo foi o lançamento dos cinco compromissos para promover a agenda de literacia financeira no Dia Internacional da Mulher em 2025.

Adaptação da comunicação através de abordagens inovadoras

O BCE lançou um novo canal no YouTube, o “Espresso Economics”

Em janeiro de 2025, o BCE lançou o canal “Espresso Economics” no YouTube, dirigido sobretudo a um público mais jovem. Os vídeos explicam conceitos económicos básicos numa linguagem simples e de forma lúdica. Os temas relacionados com experiências do dia a dia dos jovens revelaram‑se os mais populares – por exemplo, por que razão os jovens sentem que os preços estão a subir tanto, porque é que a compra de casa se tornou proibitivamente cara, ou a preocupação com o emprego na era da IA e o trabalho na economia dos serviços pontuais. De igual modo, os vídeos que explicam temas da atualidade numa linguagem acessível – com base na análise de especialistas do BCE – também foram amplamente visualizados, em particular os vídeos sobre a forma como as alterações climáticas afetam os preços das compras no supermercado, as implicações das tarifas para a economia ou como funciona a economia da atenção.

O Podcast do BCE alcançou um milhão de audições

O Podcast do BCE assinalou duas metas importantes em 2025: publicou o seu 100.º episódio e ultrapassou um milhão de audições para o conjunto da série. A fim de acompanhar a evolução das preferências dos ouvintes, o BCE continuou a modernizar o formato e o conteúdo do podcast.

O Blogue do BCE revelou‑se uma fórmula de sucesso para aumentar o alcance das perspetivas do BCE

Na mesma linha, o Blogue do BCE, em que tanto membros da Comissão Executiva como membros do pessoal do BCE partilham as suas opiniões e análises, também abordou temas da atualidade. Estes incluíram a resposta dos consumidores europeus às tarifas impostas pelos Estados Unidos, o papel dos trabalhadores estrangeiros na dinamização do crescimento, o impacto das vagas de calor nos preços ou os riscos que as criptomoedas estáveis representam para a Europa. A adesão significativa a estas publicações no Blogue do BCE pelos principais meios de comunicação a nível internacional mostra a eficácia deste canal em tornar as perspetivas do BCE acessíveis a um público mais alargado.

A experiência e as atividades oferecidas pelo Centro de Visitantes do BCE continuaram a ser melhoradas

O BCE e o seu edifício principal continuaram a atrair visitantes de toda a Europa e de outras partes do mundo. Em 2025, mais de 23 000 pessoas participaram em quase 700 atividades, incluindo palestras e visitas guiadas ao Centro de Visitantes do BCE, que passou incluir mais exposições. Foi publicado um novo vídeo “Sobre o BCE”, que convida os visitantes, online e offline, a entender melhor como a atuação do BCE tem grande impacto nas suas vidas.

A presidente Christine Lagarde (à direita) no Centro de Visitantes do BCE

A IA é – e continuará a ser – um fator formativo na comunicação do BCE

A IA – em especial, a aplicação de modelos de linguagem de grande escala e de conteúdos gerados automaticamente na comunicação – tem cada vez mais implicações para o BCE. O BCE é afetado pela adoção mais ampla da IA, mas também a utiliza na sua comunicação.

Informação incorreta, desinformação e falsificações profundas afetam o BCE e os seus representantes

Em 2025, voltaram a ser registados casos de utilização maliciosa, contra o BCE, de conteúdos gerados automaticamente, em particular, imagens e vídeos. A instituição dispõe de protocolos específicos para identificar e lidar com estes problemas. Os ataques incluíram contas falsas nas redes sociais usurpando a identidade do BCE ou dos seus decisores de política, falsificações profundas (deepfakes) da presidente e de outros membros da Comissão Executiva, bem como informação incorreta e desinformação nas redes sociais e nos meios de comunicação tradicionais. Como o número destes incidentes está a aumentar e, devido às novas tecnologias, é mais difícil distingui‑los dos conteúdos com informação verdadeira veiculada pelo BCE ou pelos seus representantes, continuarão a ser intensificados os esforços relacionados e os processos de coordenação internos.

O euro digital foi um alvo preferencial dos teóricos da conspiração

O euro digital, em particular, é um dos principais focos de informação incorreta e teorias da conspiração, tanto online como offline. O BCE priorizou uma comunicação proativa e assente em factos veiculada através de vários canais e em diversos formatos, com vista a assegurar que o público tem acesso a informação rigorosa e atempada.

Há muito que a IA é utilizada para apoiar a comunicação do BCE, especialmente na tradução

Há muito que a utilização benéfica da IA é aproveitada na comunicação do BCE. Mais especificamente, a IA ajuda a instituição a fazer face à procura crescente de tradução – em particular, no domínio da supervisão bancária – e a aumentar o alcance da sua comunicação. Em 2025, mais de 45 milhões de páginas foram objeto de tradução exclusivamente automática – sobretudo para fins internos – através da ferramenta “eTranslation”, disponibilizada ao BCE pela Comissão Europeia. No caso dos documentos oficiais do BCE destinados a comunicação externa, em qualquer língua oficial da UE, continua a ser indispensável uma revisão final da qualidade por tradutores.

Comunicação sobre a nossa moeda: numerário e euro digital

O redesenho das notas de euro proporcionou uma oportunidade para interagir com o público em geral

A ligação mais tangível entre os cidadãos da área do euro e o seu banco central é através do numerário – mais especificamente, as notas de euro. O futuro desenho das notas de euro é, portanto, do interesse do grande público. Em 2025, a comunicação sobre as notas de euro centrou‑se no anúncio da seleção de futuros motivos possíveis e do lançamento de um concurso de desenho. A comunicação e divulgação abrangentes em torno destes eventos reforçaram a mensagem de que o BCE e o Eurosistema continuam empenhados em manter o numerário como um meio de pagamento válido e acessível.

Os esforços de comunicação sobre o euro digital foram intensificados para responder ao crescente interesse do público

O BCE também intensificou os seus esforços de comunicação sobre o euro digital, devido ao maior interesse do público. A título de exemplo, análises baseadas em dados examinaram os custos e o impacto do projeto em termos de estabilidade financeira, a fim de aumentar a transparência e fazer face a perceções erróneas. Além disso, um grande número de entrevistas, discursos, audições parlamentares, podcasts e artigos de opinião da presidente e dos membros da Comissão Executiva contribuiu para um debate mais informado entre o público e os legisladores da UE.

A adoção do euro pela Bulgária constituiu uma oportunidade para celebrar a moeda única

A adoção do euro pela Bulgária representou igualmente uma oportunidade para celebrar as conquistas da moeda única com o público em geral em toda a UE. O euro continua a ligar os europeus além fronteiras, facilitando o dia a dia, as viagens e os intercâmbios e promovendo a prosperidade comum na área do euro. O BCE assinalou a ocasião com uma série específica de iniciativas de comunicação, nomeadamente o discurso da presidente intitulado “Bulgaria on the euro’s doorstep: towards a shared future”, uma publicação no Blogue do BCE sobre a popularidade do euro na altura da adoção da moeda única, atividades de divulgação com criadores de conteúdos online búlgaros e uma série de publicações nas redes sociais. De uma forma mais visível, o BCE iluminou a fachada do seu edifício principal para celebrar a adesão da Bulgária à área do euro – tendo as imagens deste evento sido vistas por milhões de pessoas, em especial nas redes sociais.

O edifício principal do BCE iluminado em 1 de janeiro de 2026 para assinalar a adesão da Bulgária à área do euro

Acesso do público a documentos do BCE

Em 2025, o BCE tratou mais pedidos de acesso a documentos do que em 2024, em virtude do interesse sustentado do público em aceder a documentos sobre temas institucionais

O quadro de acesso do público a documentos do BCE é essencial para honrar o compromisso da instituição para com a transparência. Fomenta a transparência e a abertura, reforçando a legitimidade democrática do BCE ao proporcionar um amplo acesso a documentos do BCE, salvaguardando ao mesmo tempo a independência e o funcionamento eficaz da instituição.

Em 2025, o BCE recebeu um maior número de pedidos de acesso do público aos seus documentos. No total, recebeu 86 pedidos, face a 74 em 2024. Os pedidos abrangeram um vasto leque de temas, incluindo aspetos institucionais e de governação, bem como questões relacionadas com banca central e supervisão bancária. Tal como em 2024, os pedidos relativos a questões institucionais e internas (como políticas de recursos humanos) mantiveram a sua proeminência.

Em consonância com o compromisso de transparência assumido pelo BCE, os documentos divulgados em resposta a pedidos de acesso do público são, por norma, disponibilizados através do Registo Público de Documentos do BCE. Além disso, o BCE elaborou a sua síntese dos temas abordados nos pedidos de acesso a documentos em 2025.

O Gabinete de Conformidade e Governação organizou atividades de divulgação para aumentar a sensibilização sobre o quadro jurídico que rege o acesso a documentos e promover uma cultura partilhada de transparência no seio da instituição. As iniciativas do Gabinete foram dirigidas a todos os membros do pessoal ou adaptadas a unidades organizacionais específicas.

A Provedora de Justiça Europeia não constatou qualquer má administração por parte do BCE no tratamento dos pedidos de acesso do público.

11.4 Investimento nas pessoas para assegurar que o BCE permanece resiliente e orientado para o futuro

Em 2025, o BCE continuou a investir nos membros do seu pessoal, a fim de garantir que permanece uma instituição resiliente. A transição para espaços de trabalho dinâmicos apoiou a agilidade organizacional, a acessibilidade e um maior envolvimento multifuncional, melhorando simultaneamente a eficiência em termos de custos e o equilíbrio entre vida profissional e vida privada. Os novos instrumentos digitais de recursos humanos e a aprendizagem direcionada – abrangendo, por exemplo, a IA e a diversidade – facilitaram a prestação de apoio, o destaque de oportunidades de desenvolvimento e a promoção de uma cultura de trabalho inclusiva.

Cultura de trabalho

O BCE adotou espaços de trabalho dinâmicos – despedindo‑se também da Eurotower e ocupando o edifício Gallileo

Mudaram de edifício 2440 colegas, tendo quase 50% ocupado escritórios com uma nova conceção – 1700 no edifício Gallileo e 740 no edifício principal do BCE. A transição para espaços de trabalho dinâmicos (que implica a partilha de secretárias) incentiva a flexibilidade, a inclusão e a inovação na comunidade do BCE. A Supervisão Bancária do BCE entrou numa nova era, com todos os colegas afetos a esta função do BCE agora reunidos no edifício Gallileo. Todos os membros do pessoal do BCE passarão a trabalhar em espaços de trabalho dinâmicos dentro de dois anos. O objetivo é aumentar a eficiência de custos e a colaboração híbrida, fomentando ao mesmo tempo a autonomia.

O BCE reviu o seu quadro de reporte, de inquérito e disciplinar, a fim de promover um local de trabalho respeitoso

O BCE reviu o seu quadro de reporte, de inquérito e disciplinar, a fim de promover um local de trabalho respeitoso. As novas regras clarificam os canais de reporte e simplificam as investigações de má conduta (que serão tratadas por uma unidade específica para o efeito), melhorando igualmente o quadro para a denúncia de irregularidades. Com estas alterações coloca‑se uma maior ênfase na prevenção, na resolução antecipada e no apoio aos colegas envolvidos, nomeadamente através do reforço da proteção proativa, caso seja identificado um risco de retaliação.

Foi lançado um novo inquérito para melhor escutar e apoiar os membros do pessoal

Em 2025, lançámos um novo inquérito para continuar a melhorar a forma como ouvimos os membros do pessoal. Pretendemos dar seguimento aos comentários de forma mais atempada e impactante. O primeiro inquérito foi realizado em novembro e contou com a participação de 75% dos membros do pessoal elegíveis. Os resultados servirão de base ao seguimento planeado para 2026.

Talento e progressão na carreira

O portal de carreiras do BCE continuou a crescer, tornando‑se também num mercado de talentos internos

O portal de carreiras do BCE proporciona agora também um mercado de talentos internos e oferece oportunidades adicionais de desenvolvimento profissional. Foram acrescentados três tipos de oportunidades: tarefas, projetos e aprendizagem por observação (job shadowing). Participando nestas oportunidades ou oferecendo‑as, os membros do pessoal podem alargar os conhecimentos, aplicar as suas competências numa nova equipa ou unidade organizacional e explorar novos contextos com vista à mobilidade, estabelecendo novos contactos no decurso desse processo.

Grande parte do pessoal mostrou interesse e/ou participou nas novas oportunidades disponíveis ou em intercâmbios e mentoria já oferecidos no portal. Em 2025, mais de 2000 pessoas utilizaram o portal.

A procura de mobilidade interna e a participação no Programa Schuman de intercâmbio com outras instituições da UE permaneceram elevadas

No BCE, a mobilidade é incentivada para fomentar o desenvolvimento profissional e a adaptabilidade dos membros do pessoal. Em 2025, a taxa de mobilidade interna foi de 6,6%[107]. Cerca de 57% da mobilidade ocorreu entre unidades organizacionais, em comparação com 43% dentro das unidades organizacionais, mostrando que faz sentido permitir mudanças mais amplas e incentivar a adaptabilidade.

A mobilidade externa é também apoiada para possibilitar aos membros do pessoal adquirir novas experiências noutras organizações durante um período definido. Muitos membros do pessoal do BCE escolhem trabalhar noutras organizações no âmbito do SEBC ou do MUS. Em 2025, 1,3% dos membros do pessoal iniciaram mobilidade externa, solicitando a licença sem vencimento para o efeito.

A sétima edição do Programa Schuman, lançada em 2025, suscitou maior interesse a nível do SEBC e do MUS. No total, foram propostos 93 projetos por 23 instituições, os quais geraram 220 candidaturas. Destes, 41 projetos foram oferecidos como oportunidades de destacamento, permitindo a 47 pessoas participar em intercâmbios entre o BCE, as autoridades nacionais competentes e os BCN. No total, participaram 18 países e 23 instituições, o que representa um aumento tanto do número de projetos como de participantes, em comparação com 2024.

O oferta de formação inclui muitos cursos novos relacionados com IA

A oferta de formação em IA visa criar confiança e competências práticas, ajudando os membros do pessoal a entenderem e a utilizarem a IA de forma responsável no BCE. Em 2025, mais de 1400 membros do pessoal participaram em ações de formação para o desenvolvimento de capacidades no domínio da IA – desde cursos introdutórios a programas mais técnicos e avançados.

Diversidade e inclusão

O BCE reafirmou o seu compromisso para com a diversidade e a inclusão

Num contexto externo em transformação, o BCE permanece firmemente empenhado em promover a igualdade de oportunidades e a unidade através da sua política de diversidade e inclusão. Estabelecida pela Comissão Executiva e gerida pela Direção‑Geral de Recursos Humanos, a pasta da diversidade e inclusão engloba medidas novas e já existentes destinadas a eliminar barreiras estruturais, reforçar sistemas justos e fomentar uma cultura inclusiva. Este é um compromisso partilhado: os quadros de gestão de topo patrocinadores sensibilizam para a diversidade e inclusão na liderança, os embaixadores da diversidade e inclusão levam a agenda nesta matéria às suas unidades organizacionais e seis redes de membros de pessoal amplificam vozes distintas e promovem a ligação e o espírito de aliança. Estes esforços são apoiados por um consultor sobre diversidade e inclusão e uma equipa especificamente dedicada a este tema na Direção‑Geral de Recursos Humanos, que integram o prisma da diversidade e inclusão na conceção de políticas e propiciam o diálogo sobre a matéria. Paralelamente, intercâmbios regulares no SEBC e MUS reforçam ainda mais o impacto coletivo.

O BCE adota uma abordagem multifacetada à diversidade e inclusão, que vai além da representação das mulheres

Duas estratégias de igualdade de género e os objetivos associados têm sido cruciais para uma progressão significativa no sentido da igualdade entre homens e mulheres no BCE. A realização mais substancial foi o aumento, de 8,2 pontos percentuais, da representação das mulheres nos escalões salariais K‑L desde 2019. A representação das mulheres atingiu 39,4% no final de 2025, tendo a massa crítica de 33% sido alcançada em todos os níveis, desde analistas a quadros de gestão superiores.

A par destes esforços, o BCE reforçou a sua cultura inclusiva, interagindo com os membros do pessoal de múltiplas formas. A série “Gender Talk” prosseguiu, com a organização de debates sobre temas importantes (como normas de género, masculinidade e igualdade de cuidados), tendo sido realizado um debate interno sobre inteligência intercultural. A inclusão de pessoas LGBTI+ foi defendida através da participação no evento “Christopher Street Day” em Frankfurt am Main.

O Mês da Diversidade no BCE centrou‑se na confiança na deficiência

Em 2025, o Mês da Diversidade no BCE centrou‑se na inclusão de pessoas com deficiência. O BCE organizou uma série de iniciativas destinadas a reforçar a confiança na deficiência em toda a instituição. Destacaram‑se os encontros de trabalho dirigidos a líderes e uma experiência imersiva focada nas dificuldades sentidas por pessoas invisuais, que foi organizada em colaboração com o Dialog Museum de Frankfurt am Main.

Perspetiva geral dos membros do pessoal do BCE

Desagregação do pessoal em 2025

1) Em 31 de dezembro de 2025.
2) Refere‑se apenas a membros do pessoal com contrato permanente e contrato a termo.
3) As percentagens por escalão salarial referem‑se a membros do pessoal com contrato permanente e contrato a termo. A percentagem total por género refere‑se a todos os membros do pessoal e estagiários.
4) Inclui 59 participantes no Programa do BCE para Graduados.
5) Funcionários destacados de um BCN do SEBC, de instituições/agências públicas europeias ou de organizações internacionais.
6) Refere‑se a qualquer mudança horizontal permanente ou temporária, entre divisões ou unidades organizacionais, de membros do pessoal com contrato permanente ou a termo, excluindo participantes no Programa do BCE para Graduados.
7) Refere‑se a qualquer mobilidade permanente ou temporária para um escalão salarial mais elevado, com ou sem processo de recrutamento, de membros do pessoal com contrato permanente ou a termo, excluindo participantes no Programa do BCE para Graduados.
8) Refere‑se apenas a membros do pessoal com contrato permanente e com contrato a termo convertível.
9) O quadro apresenta percentagens de membros do pessoal e de estagiários do BCE por nacionalidade, ou seja, os membros do pessoal com várias nacionalidades são contabilizados para cada nacionalidade que declaram. As percentagens são obtidas calculando a proporção entre o número de pessoas de cada nacionalidade e o número total de nacionalidades contabilizadas (abrangendo apenas a UE). Os países são indicados por ordem alfabética dos nomes dos países na respetiva língua nacional.

11.5 Aprofundamento dos nossos conhecimentos sobre os riscos relacionados com o clima e a natureza

As perdas económicas relacionadas com fenómenos meteorológicos e climáticos afetam a economia europeia

O ritmo de aquecimento na Europa corresponde ao dobro da média mundial, com a temperatura à superfície do solo a situar‑se já 2,1 °C acima dos níveis pré‑industriais[108]. O impacto económico está já a concretizar‑se. Entre 2021 e 2024, as catástrofes meteorológicas e climáticas causaram perdas económicas na UE cifradas em 208 mil milhões de euros, o que equivale a uma média de 0,32% do PIB anual[109]. A biodiversidade e a saúde dos ecossistemas na Europa também estão a diminuir, devido às alterações climáticas e a outros efeitos de atividades humanas[110].

O Conselho do BCE comprometeu‑se a ter plenamente em conta as implicações das alterações climáticas e da degradação da natureza na política monetária e nas atividades de banca central

Na sua avaliação de 2025 da estratégia, o BCE reiterou que as alterações climáticas têm implicações profundas na estabilidade de preços através do seu impacto na estrutura e na dinâmica cíclica da economia e do sistema financeiro. O Conselho do BCE também clarificou o papel crucial dos riscos relacionados com a natureza no cumprimento do seu mandato. Mais especificamente, comprometeu‑se a assegurar, no âmbito do seu mandato, que tem plenamente em conta as implicações das alterações climáticas e da degradação da natureza na política monetária e nas atividades de banca central. As prioridades prudenciais no período de 2026 a 2028 também incorporam a necessidade de garantir uma gestão prudente dos riscos relacionados com o clima e a natureza.

Em 2025, os comités do BCE e do Eurosistema continuaram a integrar os riscos relacionados com o clima e a natureza nas suas atividades principais[111]. Honraram os compromissos[112] assumidos e intensificaram os esforços em três domínios de incidência: lidar com a transição para uma economia verde, fazer face ao crescente impacto físico das alterações climáticas e avançar com o trabalho sobre os riscos relacionados com a natureza. À luz do crescente impacto económico e financeiro dos riscos relacionados com o clima e a natureza, no âmbito do seu mandato, o BCE está empenhado em manter o rumo traçado. No final do ano, atualizou as medidas a tomar futuramente para reforçar a sua capacidade analítica e operacional.

Figura 11.1

Visão geral das principais atividades associadas ao clima e à natureza

O BCE adaptou o seu quadro para a execução da política monetária, a fim de fazer face a riscos de transição relacionados com o clima

O BCE continuou a ter em conta e a reportar os riscos climáticos no contexto da execução da política monetária. O Eurosistema publicou as terceiras divulgações financeiras climáticas anuais relativas às suas carteiras de política monetária e aos ativos de reserva do BCE, que mostraram que as emissões de carbono associadas a estes ativos continuaram a diminuir. Além disso, o Conselho do BCE estabeleceu um objetivo intermédio face ao qual será monitorizada a trajetória de descarbonização das carteiras agregadas de obrigações do setor empresarial, com vista a apoiar as metas do Acordo de Paris e o regulamento que cria o regime para alcançar a neutralidade climática (a lei europeia em matéria de clima). Se as carteiras agregadas de obrigações do setor empresarial se desviarem da trajetória de descarbonização média pretendida, o Conselho do BCE avaliará se – dentro dos limites do seu mandato e numa base caso a caso – são necessárias medidas corretivas. Nas divulgações climáticas, foi também introduzido um novo indicador exploratório para medir a exposição das posições em obrigações de empresas a setores que dependem substancialmente da natureza ou têm impacto na mesma.

No que respeita ao quadro de ativos de garantia, os BCN do Eurosistema implementam, desde o final de 2024, normas comuns em matéria de riscos climáticos nos SIAC que utilizam para ativos não transacionáveis (ver a secção 2.3). Uma publicação no Blogue do BCE explica em maior pormenor como o BCE está empenhado em incluir adequadamente os riscos relacionados com as alterações climáticas nas notações de crédito. Além disso, em julho de 2025, o Conselho do BCE decidiu introduzir um fator climático para proteger o valor dos ativos de garantia do Eurosistema, em caso de choques de transição relacionados com as alterações climáticas (ver a secção 2.3). Esse fator será aplicável a partir de 15 de junho de 2026 para ativos transacionáveis emitidos por sociedades não financeiras. Entretanto, em julho de 2025, o Conselho do BCE decidiu adiar a aplicação do requisito de cumprimento da diretiva da UE no que diz respeito ao relato de sustentabilidade das empresas como critério de elegibilidade no quadro de ativos de garantia do Eurosistema. Tal foi decidido devido à transposição incompleta desta diretiva para a legislação nacional e à sua revisão no contexto do pacote omnibus de simplificação, proposto pela Comissão Europeia.

O BCE continuou a melhorar a sua análise macroeconómica e da estabilidade financeira e os cenários associados

As considerações climáticas foram integradas de forma mais sistemática nas análises macroeconómicas e da estabilidade financeira efetuadas pelo BCE. A título de exemplo, as projeções macroeconómicas elaboradas por especialistas do BCE/Eurosistema incorporam medidas orçamentais relacionadas com o clima, elementos do pacote “Objetivo 55” da UE e o impacto macroeconómico do novo sistema de Comércio de Licenças de Emissão (o CELE 2) da UE. No que se refere à análise de cenários, a Rede para a Ecologização do Sistema Financeiro (Network for Greening the Financial System – NGFS) desenvolveu novos cenários climáticos de curto prazo no âmbito de um grupo de trabalho liderado (tal como em anos anteriores) pelo BCE. Esses cenários incidem sobre os impactos climáticos até 2030, um horizonte extremamente relevante para os decisores de política e os participantes no mercado. Mostram que, na área do euro, uma transição precoce coordenada a nível mundial reduz os riscos macrofinanceiros. Na área do euro, os riscos físicos são substanciais mesmo em horizontes de curto prazo – e eventos extremos podem reduzir o PIB até 5% num cenário de risco físico que capta o impacto agravante de catástrofes naturais concomitantes em 2026 e 2027 (ver o artigo do Blogue do BCE intitulado “Climate risks: no longer the tragedy of the horizon”). Além disso, o BCE contribuiu para o trabalho da NGFS sobre interações entre a análise de cenários climáticos e os planos de transição.

Em 2025, a Supervisão Bancária do BCE concluiu um programa plurianual destinado a desenvolver as capacidades de gestão dos riscos relacionados com o clima e a natureza por parte dos bancos e continuou a avançar no sentido de uma abordagem assente numa situação de atividade normal, através da supervisão desses riscos no âmbito dos processos e avaliações de supervisão regulares. Em geral, os bancos realizaram progressos assinaláveis na gestão dos riscos decorrentes das atuais crises relacionadas com o clima e a natureza. No entanto, é necessária uma atenção constante da supervisão, tendo em conta as questões remanescentes. Para mais informação sobre esta matéria, consultar o Relatório Anual do BCE sobre as atividades de supervisão de 2025.

O BCE atualizou os seus indicadores estatísticos relacionados com o clima, a fim de incorporar metodologias avançadas, novos conjuntos de dados e ajustamentos para refletir os efeitos da inflação. Esta atualização assegura um acompanhamento mais preciso dos esforços de descarbonização e do impacto da intensificação dos perigos relacionados com o clima. O BCE também contribuiu para iniciativas europeias e internacionais relativas a dados climáticas, nomeadamente com vista a colmatar as lacunas de dados do G20 e melhorar o relato de sustentabilidade.

O BCE continuou a reduzir a pegada ambiental das suas próprias atividades, das suas carteiras e das notas de euro. A Declaração Ambiental de 2025 reportou uma redução de 39% nas emissões resultantes da atividade interna do BCE entre 2019 e 2024, em consonância com a trajetória para atingir a meta até 2030. Por seu turno, as divulgações financeiras climáticas relativas às carteiras do BCE não relacionadas com política monetária indicaram que os investimentos em ativos do setor empresarial por parte do fundo de pensões dos membros do pessoal do BCE continuam no bom caminho para cumprir as metas de descarbonização intermédias. No tocante às notas de euro, prosseguiram os esforços de redução do seu impacto ambiental, incluindo medidas destinadas a transitar para a plena utilização de algodão orgânico até 2027 e uma maior utilização de energia elétrica descarbonizada na produção de notas. Em paralelo, o BCE está a integrar princípios de conceção ecológica no desenvolvimento das futuras notas de euro. Prossegue também o trabalho do Eurosistema no sentido de reduzir a pegada ambiental dos pagamentos eletrónicos, designadamente em toda a cadeia de valor do projeto do euro digital.

O desenvolvimento de capacidades, a organização de seminários e a cooperação com outros bancos centrais e instituições internacionais estiveram na base do trabalho do BCE em matéria de clima e degradação da natureza. Em 2025, o BCE continuou a contribuir para publicações e debates de políticas a nível internacional em inúmeros fóruns, tanto na esfera europeia como mundial. Entre esses fóruns, contam‑se a NGFS, o CEF, o Comité de Basileia de Supervisão Bancária, as Autoridades Europeias de Supervisão e o CERS, o BIS e o seu Comité de Pagamentos e Infraestruturas de Mercado, o G7 e o G20, bem como o FMI e o Banco Mundial.

O BCE realizou progressos no entendimento e na resposta ao impacto da transição para uma economia mais ecológica

Estudos e inquéritos do BCE melhoraram o nosso entendimento das implicações económicas e financeiras da transição para uma economia verde. Na ronda de julho de 2025 do inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito, os bancos indicaram que o desempenho climático das empresas e o desempenho energético dos edifícios eram importantes para as suas condições de concessão de empréstimos. Continuaram a reportar critérios de concessão de crédito menos restritivos para empresas com melhor desempenho climático e um aumento da restritividade para empresas que são grandes emissoras de carbono. Reportaram ainda que a incerteza quanto à futura regulamentação em matéria de clima constituía um obstáculo à procura de empréstimos. Uma análise das necessidades de investimento ecológico da Europa salientou que, apesar dos progressos realizados, o investimento em atividades verdes tinha ficado aquém do necessário para alcançar as metas climáticas e sugeriu uma série de políticas financeiras e económicas para o apoiar. Um documento de trabalho ocasional do Comité de Relações Internacionais do Eurosistema analisou as interações entre a fragmentação geoeconómica e eventuais políticas de transição climática descoordenadas, passíveis de se reforçar mutuamente. Outros contributos analisaram a forma como a IA e a transição ecológica estão interligadas e como a maior procura de financiamento para defesa poderia ser satisfeita sem sacrificar as prioridades ecológicas e digitais.

São necessários conhecimentos mais aprofundados do crescente impacto físico das alterações climáticas

Lidar com os desafios crescentes que decorrem do impacto físico das alterações climáticas exige conhecimentos mais aprofundados e novas estratégias. Com temperaturas extremas e vagas de calor a tornarem‑se mais comuns, a análise do BCE revelou que os riscos físicos também afetam a produtividade em cada empresa[113] e a nível agregado[114], reduzem substancialmente a atividade económica nas regiões afetadas e fazem subir os preços dos produtos alimentares[115]. Estudos realizados pelo BCE indicam que os bancos e os investidores têm cada vez mais em conta os riscos climáticos físicos tanto para o imobiliário residencial[116] como para o imobiliário comercial[117] em zonas de risco. Os mutuários soberanos não estão isentos[118], visto que os riscos físicos estão associados a notações de crédito mais baixas. No que respeita à adaptação às alterações climáticas, estudos do BCE[119] salientam a necessidade de maior resiliência, de cobertura de seguros e de instrumentos financeiros para absorver e atenuar o impacto de perigos relacionados com o clima na Europa.

O trabalho sobre riscos relacionados com a natureza continuou a avançar

O BCE trabalhou intensamente no sentido de conhecer melhor os riscos relacionados com a natureza e o impacto dos mesmos na economia e no setor financeiro. A referência explícita à degradação da natureza na avaliação da estratégia realizada pelo BCE em 2025 clarificou a sua pertinência em termos de políticas. O trabalho mais relevante efetuado pelo BCE neste domínio é destacado na caixa 9, que se segue. Um documento de trabalho ocasional do BCE[120] e a publicação do Blogue do BCE intituladaThe European economy is not drought‑proof” destacaram os riscos para a economia real, o setor financeiro e a estabilidade de preços decorrentes de ecossistemas degradados e da perda de biodiversidade, realçando também a materialidade de riscos relacionados com a água para a área do euro. Em novembro de 2025, em articulação com a NGFS, o BCE organizou um encontro de trabalho internacional sobre práticas e instrumentos ao dispor dos bancos centrais e das autoridades de supervisão para os ajudar a avaliar e abordar os riscos relacionados com a natureza.

Caixa 9
Avaliação dos riscos para a economia europeia relacionados com a natureza

A economia depende da natureza, mas a saúde do planeta está a deteriorar‑se a um ritmo preocupante. Comparativamente aos nossos conhecimentos dos riscos económicos e financeiros relacionados com o clima, o nosso entendimento dos riscos relacionados com a natureza ainda é incipiente – não obstante as fortes ligações entre riscos climáticos e riscos relacionados com a natureza. É por esta razão que os riscos económicos e financeiros relacionados com a natureza permanecem um ponto crucial da estratégia atualizada do BCE relativa ao clima e à natureza, sendo reconhecidos tanto na declaração de 2025 sobre a estratégia de política monetária como nas prioridades prudenciais no período de 2026 a 2028.

Em 2025, em colaboração com a Universidade de Oxford e a London School of Economics, o BCE realizou uma avaliação da economia e dos bancos da área do euro centrada no risco. Mais especificamente, foi analisada a forma como as dependências das empresas em relação a serviços ecossistémicos se podem traduzir em riscos financeiros. Com base em resultados anteriores, segundo os quais 75% dos empréstimos às empresas concedidos por bancos da área do euro estão associados a empresas extremamente dependentes de serviços ecossistémicos[121], o BCE calculou estimativas da percentagem de produção setorial em risco devido à degradação dos ecossistemas. Os riscos relacionados com a água revelaram‑se os mais significativos para a área do euro, com a escassez de águas de superfície, por si só, a ameaçar potencialmente até 24% da produção económica da área do euro[122]. No contexto do seguimento planeado para 2026, o BCE, em colaboração com outros bancos centrais membros do Eurosistema e do SEBC, iniciará um projeto analítico conjunto sobre riscos relacionados com a água.

Um documento de trabalho do BCE sobre a relação entre clima, biodiversidade e poluição explica o seu impacto nas condições de concessão de crédito dos bancos, tendo revelado que as empresas extremamente poluentes localizadas perto de zonas protegidas devido à biodiversidade enfrentam rácios entre o valor do empréstimo e o valor da garantia mais baixos e que os bancos lhes cobram prémios mais elevados para certos empréstimos. Os resultados do estudo proporcionam informação útil para as autoridades de supervisão bancária e outras autoridades sobre a forma como os bancos incorporam os riscos relacionados com a natureza nas suas decisões de gestão do risco e de concessão de crédito[123].

O ajustamento dos modelos económicos tradicionais é essencial para quantificar com rigor os impactos macroeconómicos da degradação da natureza. Um documento de discussão do BCE sobre a economia do capital natural sublinhou a importância da sua integração nos modelos de crescimento e realçou o papel da natureza enquanto fator de produção. Os resultados empíricos indicam que as empresas subinvestem na conservação da natureza em comparação com o nível ótimo social, ao passo que o setor público complementa os esforços privados adotando uma perspetiva de longo prazo.

Não obstante os progressos recentes, os riscos económicos e financeiros relacionados com a natureza ainda constituem um domínio de investigação relativamente novo. Por conseguinte, é importante continuar a reforçar a nossa capacidade para compreender estes riscos e promover medidas mais abrangentes. O BCE e a NGFS organizaram um encontro de trabalho conjunto em novembro de 2025, com vista a aprofundar os conhecimentos dos bancos centrais e das autoridades de supervisão bancária sobre os riscos relacionados com a natureza. Este encontro de trabalho constituiu uma oportunidade para partilhar estudos de casos e boas práticas, além de proporcionar uma visão geral do trabalho atual da NGFS sobre questões associadas à natureza.

12 Conheça os membros do nosso pessoal

No BCE, promovemos uma cultura de inovação e lançámos uma série de iniciativas para aumentar a eficiência e maximizar os benefícios que proporcionamos aos cidadãos. Em 2025, esforços substanciais centraram‑se na aplicação de novas soluções de IA para apoiar o nosso trabalho quotidiano. No presente capítulo, cinco colegas descrevem o seu papel no desenvolvimento e aplicação destas ferramentas e partilham as suas experiências pessoais sobre o modo como a IA está a moldar a forma como trabalhamos no BCE.

Myriam Moufakkir, coordenadora‑geral de serviços

Enquanto Coordenadora‑Geral de Serviços, liderei as principais atividades integradas dos serviços de apoio que permitem ao BCE cumprir o seu mandato. Sou responsável pelas tecnologias de informação, finanças e orçamento, compras, recursos humanos, gestão de imóveis, segurança, resiliência operacional, governação e transformação em grande escala. Desde que ingressei no BCE em 2023, dediquei‑me sobretudo à modernização dos nossos serviços internos, para que o BCE possa agir de forma flexível, segura e com a soberania tecnológica de que necessita.

No meu trabalho quotidiano, apresento orientações e visão estratégicas, bem como capacidade de execução operacional, dando prioridade a três pilares:

  • capacidade – é essencial desenvolver competências digitais, operacionais e em matéria de IA sólidas em todas as nossas equipas para desbloquear a inovação e gerir os riscos de forma responsável;
  • soberania e autonomia – garantir que os serviços e tecnologias de que dependemos nos permitem cumprir o nosso mandato com total independência;
  • resiliência – num contexto de rápidas mudanças tecnológicas, perturbações e crises, reforçar a capacidade das nossas equipas, processos e sistemas de concretização.

O BCE já aplica IA em vários domínios. Estamos agora a acelerar e a alargar a adoção pelo BCE da IA e da aprendizagem automática avançada. Aplicamos estas técnicas para reforçar a análise económica, melhorar a previsão da inflação e apoiar uma modelização macroeconómica complexa, bem como para reduzir a sobrecarga de trabalho e as tarefas monótonas. Fazemo‑lo através de intercâmbios regulares com as áreas organizacionais, um programa de formação que abrange todos os níveis da organização e um quadro de governação que incorpora de raiz a gestão do risco e a soberania.

A minha experiência profissional abrange papéis transformacionais a nível internacional no setor dos serviços financeiros, no qual liderei iniciativas digitais, planos estratégicos e mudanças organizacionais em grande escala. Os meus antecedentes académicos em matemática e ciências permitiram‑me adquirir literacia técnica e interagir com tecnologias emergentes e em rápida evolução.

É um privilégio trabalhar num vasto leque de temas e, em colaboração com colegas talentosos, contribuir para o mandato principal, estabilidade e resiliência do BCE.

Já fora do escritório, a minha carreira levou‑me por todo o mundo e aprofundou o meu apreço pela diversidade cultural e por perspetivas diferentes. Apesar de um calendário exigente, a minha prioridade sempre foi guardar tempo para a minha família e com ela partilhar uma verdadeira paixão por viajar e descobrir culturas diferentes, tornando a minha mobilidade profissional uma oportunidade para enriquecer as experiências em família.

Maximilian Freier

Enquanto economista principal no Gabinete de Apoio da Direção‑Geral de Economia, sou Secretário do Comité de Política Monetária do BCE. Neste papel, coordeno o trabalho do comité para assegurar que os materiais utilizados nas análises e políticas que servem de base às discussões sobre política monetária sejam atempados, claros e comparáveis em todo o Eurosistema.

Também coordeno as questões relacionadas com IA na Direção‑Geral de Economia. Nos últimos meses, alcançámos progressos significativos no avanço da agenda do BCE em matéria de IA nas áreas de negócio dos bancos centrais. Desenvolvemos um conjunto inicial de ferramentas‑piloto que já demonstram um potencial significativo para reforçar a nossa capacidade analítica e reduzem o tempo despendido em tarefas recorrentes. Paralelamente, definimos um ambicioso programa de digitalização da banca central para desenvolver a nossa análise de dados e a automatização dos processos de negócio.

Desde 2007, desempenhei vários cargos enquanto economista no BCE, nas Direções‑Gerais de Economia, Política Monetária e Relações Internacionais e Europeias. Antes de ingressar no BCE, obtive um doutoramento na London School of Economics and Political Science e um mestrado em Economia e Ciência Política na Ludwig‑Maximilians‑Universität München.

As minhas áreas de investigação abrangem a política orçamental e monetária, gestão da inovação, integração e governação europeias, economia política comparativa e aprendizagem automática aplicada. Tenho um interesse particular nos (“micro”) dados a nível das famílias e das empresas. Sou também o presidente fundador da Rede do SEBC sobre a modelização da microssimulação (Network on Microsimulation Modelling). Através desta rede de investigadores do SEBC, ligamos novos instrumentos e métodos a questões de política fulcrais.

Fabienne Allegret‑Maret

Na qualidade de coordenadora de Equipa Sénior na Área de Gestão de Informação da Direção‑Geral de Secretariado, lidero a Biblioteca do BCE. Reconhecendo que os fluxos de informação aumentaram drasticamente tanto em escala como em rapidez, dei início a uma transformação da Biblioteca para ajudar o BCE a navegar num ambiente de informação cada vez mais complexo.

Hoje em dia, o meu papel vai muito além de facilitar o acesso a livros e bases de dados. Considero a Biblioteca parte integrante do ecossistema de conhecimento do BCE – um recurso crítico que permite uma análise rigorosa e um pensamento inovador. Juntamente com a minha equipa, adquiri e trabalhei como curadora de recursos de elevada qualidade adaptados às necessidades dos economistas, das autoridades de supervisão e de outros especialistas. Considero que uma seleção ponderada é tão importante como o acesso, assegurando que as informações disponíveis são não só abundantes, mas também fidedignas e relevantes. Embora a maioria dos materiais seja agora digital, continuamos a promover o acesso a coleções impressas, convictos de que a atenção profunda e a leitura contextual continuam a ser essenciais para uma tomada de decisões sólida.

A transformação também reconfigurou o nosso ambiente de biblioteca física: promove agora a partilha de conhecimentos e a inovação, preservando simultaneamente áreas para um trabalho aprofundado e focado. A biblioteca tornou‑se uma plataforma onde especialistas do BCE se reúnem, trocam ideias e aprendem uns com os outros.

À medida que a IA redefine a banca central, as nossas responsabilidades expandiram‑se ainda mais. A minha equipa e eu garantimos que os conteúdos licenciados são utilizados de forma responsável em aplicações de IA, equilibrando a inovação com salvaguardas jurídicas. A disponibilidade de informações fiáveis e de elevada qualidade é particularmente crucial para os sistemas de IA, especialmente quando se analisam notícias, de modo a assegurar que os resultados são exatos e fiáveis.

Paralelamente, apliquei os meus conhecimentos especializados em organização de informação para defender e apoiar o desenvolvimento da camada semântica do BCE, que liga conhecimentos entre sistemas – tornando os conhecimentos específicos do BCE mais visíveis e úteis.

A biblioteca evoluiu muito para além da guarda de estantes: opera agora no nexo da gestão da informação assente em IA, ligando as inovações em rápida evolução no domínio da IA às exigências especializadas da banca central. Ao combinar a inovação tecnológica com a curadoria e a governação, permito ao BCE inovar com inteligência e integridade.

Steven Moons

Na minha qualidade de responsável pelo Programa de IA do BCE e membro do Gabinete para a IA, oriento a transformação estratégica da instituição no domínio desta tecnologia. Supervisiono a conceção e execução do Programa do BCE para a IA e coordeno tanto os casos de uso que fomentam a produtividade como os do foro da IA transformadora. As minhas responsabilidades incluem assegurar o cumprimento das normas éticas, jurídicas e regulamentares, cultivar parcerias com partes interessadas internas e externas e promover uma cultura de inovação assente na responsabilidade, na transparência e numa governação sólida.

Antes de assumir este papel, liderei várias iniciativas de IA e ferramentas tecnológicas de supervisão (SupTech). Antes de ingressar no BCE em 2021, passei muitos anos em cargos centrados na prestação de TI, transformação digital e mudança organizacional nos setores público e privado. Durante esse período, trabalhei na modernização de panoramas informáticos, na promoção de iniciativas de computação em nuvem e arquitetura e na disponibilização de programas complexos com equipas diversificadas em toda a Europa, nos Estados Unidos e na Ásia.

O que mais valorizo no meu trabalho no BCE é a forma como este reúne diferentes perspetivas de toda a Europa. Contribuir para o futuro tecnológico e digital da instituição – ajudando simultaneamente a fortalecer o seu papel enquanto instituição europeia de confiança e voltada para o futuro – é simultaneamente um privilégio e uma fonte constante de motivação. No meu atual cargo, aprecio particularmente a colaboração com um vasto leque de áreas de negócio, uma vez que a IA afeta quase todas as partes da organização. Interagir com esta comunidade de colegas, diversificada e empenhada, é inspirador e estimulante. O forte espírito de colaboração do BCE e a oportunidade de trabalhar com pessoas genuinamente empenhadas em fazer a diferença são fundamentais para o que valorizo no meu trabalho.

Nos meus tempos livres, é passando tempo ao ar livre e mais especificamente caminhando nas montanhas ou passeando de mota que encontro o meu equilíbrio.

Vasilis Papaefthymiou

Sou supervisor na equipa de SupTech do MUS. O meu trabalho centra‑se na conceção e desenvolvimento de aplicações de negócio inovadoras que capacitem as autoridades de supervisão bancária no BCE e na área do euro.

Nos últimos cinco anos em SupTech, especializei‑me no desenvolvimento de aplicações de IA e de IA generativa. Enquanto proprietário do produto, liderei o desenvolvimento de duas ferramentas. A Athena é a primeira e mais abrangente ferramenta de IA disponível no MUS, ajudando os supervisores a identificarem informação relevante em milhões de documentos de supervisão. Por seu lado, a Delphi é uma ferramenta intuitiva que mede o sentimento quanto ao risco de mercado combinando indicadores dos mercados financeiros com os principais fatores impulsionadores do mercado extraídos diariamente através da análise de artigos noticiosos, proporcionando às autoridades de supervisão uma perspetiva sobre os riscos emergentes.

A minha paixão pela tecnologia vai ao encontro do domínio da IA em rápida evolução num contexto ideal. A SupTech desempenha um papel fundamental na introdução de soluções de ponta na supervisão bancária europeia. É um ambiente ideal para aplicar a experiência em ciências de computação e de dados que adquiri através dos meus estudos em engenharia elétrica e de computação na National Technical University of Athens, combinada com a vertente de gestão e economia que adquiri durante o meu mestrado na ETH Zurich. Para um engenheiro informático, o BCE oferece uma oportunidade única de trabalhar na intersecção entre tecnologia e finanças, onde a inovação apoia diretamente a estabilidade financeira e a supervisão de craveira mundial.

Sinto‑me muito inspirado pelo facto de o meu trabalho diário de desenvolvimento de ferramentas informáticas inovadoras contribuir para uma supervisão bancária mais eficaz e centrada no risco, resultando em bancos mais seguros e num impacto positivo nos cidadãos europeus.

Nos meus tempos livres, gosto de me encontrar com amigos e de estar junto ao mar sob os raios do sol grego.

Contas anuais

https://www.ecb.europa.eu/press/annual‑reports‑financial‑statements/annual/annual‑accounts/html/ecb.annualaccounts2025~ba3b593c99.pt.html

Balanço consolidado do Eurosistema em 31 de dezembro de 2025

https://www.ecb.europa.eu/press/annual‑reports‑financial‑statements/annual/balance/html/ecb.eurosystembalancesheet2025~31f7e11ddc.pt.html

© Banco Central Europeu, 2026

Endereço postal 60640 Frankfurt am Main, Alemanha
Telefone +49 69 1344 0
Internet www.ecb.europa.eu

Todos os direitos reservados. A reprodução para fins pedagógicos e não comerciais é permitida, desde que a fonte esteja identificada.

Para uma definição da terminologia específica, consultar o Glossário do BCE.

HTML ISBN 978-92-899-7681-7, ISSN 1725-292X, doi:10.2866/6133587, QB-01-26-070-PT-Q


  1. Caldara, D., Iacoviello, M., Molligo, P., Prestipino, A. e Raffo, A., “The economic effects of trade policy uncertainty”, Journal of Monetary Economics, vol. 109, janeiro de 2020, pp. 38‑59.

  2. Ver Schröder, M., “From text to trouble: understanding the limits of text‑derived trade policy uncertainty measures”, Boletim Económico, Número 8, BCE, 2025.

  3. Para mais informações sobre a evolução da média de horas trabalhadas na área do euro desde a pandemia, ver Berson, C. e Weiβler, M., “Who wants to work more? Revisiting the decline in average hours worked”, Boletim Económico, Número 3, BCE, 2025.

  4. Ver Bouabdallah, O. et al., “Time to be strategic: how public money could power Europe’s green, digital and defence transitions”, Blogue do BCE, BCE, 25 de julho de 2025.

  5. A trajetória plurianual da despesa líquida constitui o único indicador operacional para avaliar a conformidade com o quadro de governação económica da UE revisto.

  6. Ver o comunicado da Comissão Europeia, de 25 de novembro de 2025, intitulado “Pacote de outono do Semestre Europeu de 2026 da Comissão: definição de prioridades para impulsionar a competitividade da UE”.

  7. Nem todos os países da área do euro tinham apresentado os seus planos orçamentais à Comissão Europeia, principalmente devido aos respetivos ciclos eleitorais. A Espanha ainda não apresentou um plano. A Bélgica apresentou um plano apenas no início de 2026. A Áustria apresentou um plano em maio de 2025, que abrange os anos de 2025 e 2026, tendo a Comissão considerado que estava em conformidade com as disposições do Pacto de Estabilidade e Crescimento.

  8. Para mais informações, ver Bobeica, E., Koester, G. e Nickel, C., “When groceries bite: the role of food prices for inflation in the euro area”, Blogue do BCE, BCE, 25 de setembro de 2025, e Bates, C., Kuik, F. e Wieland, E., “Inside the food basket: what is behind recent food inflation?”, Boletim Económico, Número 8, BCE, 2025.

  9. Para mais informações sobre os efeitos da reavaliação anual dos preços, ver Bodnár, K., Fabbri. A., Rubene, I. e Zekaite, Z., “Where do we stand with inflationary pressures arising from price resetting?”, Boletim Económico, Número 4, BCE, 2025.

  10. Para mais informações sobre a inflação dos serviços, ver Eiglsperger, M., Porqueddu, M. e Wieland, E, “Uncertainty in seasonally adjusted services inflation: the role of Easter and travel”, Boletim Económico, Número 5, BCE, 2025.

  11. Para mais informação sobre a inflação subjacente, ver Bańbura, M., Bobeica, E., Bodnár, K. e Fagandini, B., “Underlying inflation measures: an analytical guide for the euro area”, Boletim Económico, Número 5, BCE, 2023.

  12. O desvio salarial capta todos os elementos dos salários e vencimentos por empregado efetivamente pagos e não abrangidos pelos salários negociados coletivamente, tais como pagamentos de bónus individuais e horas extraordinárias.

  13. Para mais informações sobre a recuperação dos salários reais na área do euro, ver Bates, C., Bodnár, K., Botelho, V. e Rousseau, F., “Real wage catch‑up in the euro area”, Boletim Económico, Número 5, BCE, 2025.

  14. Joslin, S., Singleton, K.J. e Zhu, H., “A New Perspective on Gaussian Dynamic Term Structure Models”, The Review of Financial Studies, vol. 24, Número 3, 2011, pp. 926‑970.

  15. Ver Allayioti, A., Bozzelli, G., Di Casola, P., Mendicino, C., Skoblar, A. e Velasco, S., “More uncertainty, less lending: how US policy affects firm financing in Europe”, Blogue do BCE, BCE, 2 de outubro de 2025.

  16. Ver Falagiarda, M. e Gartner, C., “A Croácia adota o euro”, Boletim Económico, Número 8, BCE, 2022.

  17. Ver Dorrucci, E., Fidora, M., Gartner, C. e Zumer, T., “The European exchange rate mechanism (ERM II) as a preparatory phase on the path towards euro adoption – the cases of Bulgaria and Croatia”, Boletim Económico, Número 8, BCE, 2020.

  18. Ver Falagiarda, M., Gartner, C. e Osterloh, S., “Bulgaria adopts the euro”, Boletim Económico, Número 8, BCE, 2025, e Dreher, F. e Hernborg, N., “Love at second sight: support for the euro before and after adoption”, Blogue do BCE, BCE, 4 de novembro de 2025.

  19. Ver Aguiari, G., Falagiarda, M., Gartner, C. e Ivanova, E., “Euro adoption and price increases in Bulgaria: separating myths from facts”, Blogue do BCE, BCE, 9 de abril de 2026. Para mais pormenores sobre o impacto estimado da transição na Croácia e em anteriores transições para o euro, ver Falagiarda, M., Gartner, C., Mužić, I. e Pufnik, A., “Has the euro changeover really caused extra inflation in Croatia?”, Blogue do BCE, BCE, 7 de março de 2023.

  20. Ver o comunicado do BCE, de 19 de dezembro de 2025, intitulado “Counterparties invited to regularly test their operational readiness to access Eurosystem standard refinancing operations”.

  21. Espanha e Grécia anunciaram um aumento da respetiva percentagem de reserva contracíclica de 0,5% para 1% e de 0,25% para 0,5%, sendo que a Áustria introduziu uma reserva para risco sistémico setorial de 1,0% para fazer face a posições em risco no setor imobiliário comercial.

  22. A Alemanha reduziu a respetiva reserva para risco sistémico setorial em posições em risco no setor imobiliário residencial para 1,0%. França desativou a respetiva reserva para risco sistémico setorial para posições em risco sobre sociedades não financeiras altamente endividadas. A Bélgica anunciou a desativação da respetiva reserva para risco sistémico setorial sobre posições em risco garantidas por hipoteca e um aumento simultâneo da percentagem de reserva contracíclica de fundos próprios de 1,0% para 1,25%.

  23. Ver Grodzicki, M., van der Kraaij, A., Vogel, U. e Zsámboki, B., “Enhancing the ECB’s O‑SII framework”, Macroprudential Bulletin, n.º 30, BCE, 5 de agosto de 2025.

  24. A Croácia anunciou e começou a aplicar medidas baseadas no mutuário em 2025, tendo alguns países também procedido a alguns ajustamentos das medidas baseadas no mutuário vigentes.

  25. Ver Financial Stability Review, BCE, maio de 2025.

  26. Ver Financial Stability Review, BCE, novembro de 2025.

  27. O CERS reúne os governadores dos bancos centrais dos países do Espaço Económico Europeu, bem como os dirigentes das autoridades de supervisão nacionais e europeias, para realizar avaliações trimestrais do risco sistémico e, quando necessário, emitir alertas e recomendações. Para mais informações, ver Regulamento (UE) n.º 1096/2010 do Conselho, de 17 de novembro de 2010, que confere ao Banco Central Europeu atribuições específicas no que se refere ao funcionamento do Comité Europeu do Risco Sistémico (JO L 331, 15.12.2010, p. 162).

  28. Regulamento (UE) 2021/557 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 31 de março de 2021, que altera o Regulamento (UE) 2017/2402 que estabelece um regime geral para a titularização e cria um regime específico para a titularização simples, transparente e padronizada a fim de apoiar a recuperação da crise da COVID‑19 (JO L 116, 6.4.2021, p. 1).

  29. Regulamento (UE) 2023/1114 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 31 de maio de 2023, relativo aos mercados de criptoativos e que altera os Regulamentos (UE) n.º 1093/2010 e (UE) n.º 1095/2010 e as Diretivas 2013/36/UE e (UE) 2019/1937 (JO L 150 de 9.6.2023, p. 40).

  30. Recomendação do Comité Europeu do Risco Sistémico, de 25 de setembro de 2025, relativa aos sistemas de criptomoedas estáveis com múltiplos emitentes de países terceiros (CERS/2025/9).

  31. Buch, C., “Introductory statement”, discurso proferido na conferência de imprensa sobre os resultados do SREP para 2025 e as prioridades prudenciais para o triénio 2026‑2028, Frankfurt am Main, 18 de novembro de 2025.

  32. Ver Streamlining supervision, safeguarding resilience, BCE, 11 de dezembro de 2025.

  33. Regulamento (UE) 2022/2554 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 14 de dezembro de 2022, relativo à resiliência operacional digital do setor financeiro e que altera os Regulamentos (CE) n.º 1060/2009, (UE) n.º 648/2012, (UE) n.º 600/2014, (UE) n.º 909/2014 e (UE) 2016/1011 (JO L 333 de 27.12.2022, p. 1).

  34. O teste de esforço de 2025 foi coordenado pela EBA em cooperação com o CERS, o BCE e as autoridades nacionais competentes.

  35. Orientação (UE) 2025/2595 do Banco Central Europeu, de 10 de dezembro de 2025, relativa à abordagem de supervisão das autoridades nacionais competentes para a cobertura das exposições não produtivas detidas por entidades supervisionadas menos significativas (BCE/2025/40) (JO L, 2025/2595, 19.12.2025).

  36. Regulamento (UE) 2024/1623 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 31 de maio de 2024, que altera o Regulamento (UE) n.º 575/2013 no que diz respeito aos requisitos para o risco de crédito, o risco de ajustamento da avaliação de crédito, o risco operacional, o risco de mercado e o limite mínimo do montante total das posições em risco (JO L, 2024/1623, 19.6.2024).

  37. Diretiva (UE) 2024/1619 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 31 de maio de 2024, que altera a Diretiva 2013/36/UE no respeitante aos poderes de supervisão, às sanções, às sucursais de países terceiros e aos riscos ambientais, sociais e de governação (JO L, 2024/1619, 19.6.2024).

  38. Para mais pormenores, ver o artigo noticioso intitulado “Commission seeks input on Basel III market risk rules for banks”, Direção‑Geral da Estabilidade Financeira, dos Serviços Financeiros e da União dos Mercados de Capitais, Comissão Europeia, 6 de novembro de 2025.

  39. Ver a resposta do BCE a uma consulta, intitulada “ECB staff contribution to the European Commission’s targeted consultation on the application of the market risk prudential framework”, 15 de janeiro de 2026.

  40. Ver Basel III: the net stable funding ratio, Comité de Basileia de Supervisão Bancária, 31 de outubro de 2014.

  41. Ver Parecer do Banco Central Europeu, de 2 de maio de 2025, sobre uma proposta de regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho que altera o Regulamento (UE) n.º 575/2013 relativo aos requisitos prudenciais para as instituições de crédito no respeitante aos requisitos para as operações de financiamento através de valores mobiliários ao abrigo do rácio de financiamento estável líquido (CON/2025/9).

  42. Regulamento (UE) 2025/1215 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 17 de junho de 2025, que altera o Regulamento (UE) n.º 575/2013 no que diz respeito aos requisitos aplicáveis às operações de financiamento através de valores mobiliários ao abrigo do rácio de financiamento estável líquido (JO L, 2025/1215, 25.6.2025).

  43. Ver Financial Stability Review, BCE, maio de 2025.

  44. Ver Grill, M., Molestina Vivar, L., O’Donnell, C., Wedow M. e Weistroffer, C., “Strengthening risk monitoring and policy for non‑bank leverage”, Macroprudential Bulletin, n.º 26, 15 de janeiro de 2025.

  45. Ver Leverage in Nonbank Financial Intermediation – Final report, Conselho de Estabilidade Financeira, 9 de julho de 2025.

  46. Ver Thematic Review on FSB Global Regulatory Framework for Crypto‑asset Activities – Peer review report, Conselho de Estabilidade Financeira, 16 de outubro de 2025.

  47. Ver, por exemplo, Financial Stability Review, BCE, novembro de 2025.

  48. Ver o comunicado da Comissão Europeia de 4 de dezembro de 2025, intitulado “Market integration and supervision package”.

  49. Ver a resposta do SEBC a uma consulta, intitulada “ESCB reply to the European Commission’s targeted consultation on integration of EU capital markets”, BCE, junho de 2025.

  50. Ver Parecer do Banco Central Europeu, de 9 de abril de 2026, relativo a propostas para um maior desenvolvimento e integração dos mercados de capitais na União (CON/2026/13).

  51. Ver Parecer do Banco Central Europeu, de 11 de novembro de 2025, sobre a) uma proposta de regulamento que altera o Regulamento (UE) 2017/2402 que estabelece um regime geral para as titularizações e cria um regime específico para a titularização simples, transparente e padronizada, b) uma proposta de regulamento que altera o Regulamento (UE) n.º 575/2013 relativo aos requisitos prudenciais para as instituições de crédito no que respeita aos requisitos aplicáveis às posições em risco sobre titularizações e c) um projeto de proposta de regulamento delegado que altera o Regulamento Delegado (UE) 2015/61 no que respeita às condições de elegibilidade para as titularizações na reserva de liquidez das instituições de crédito (CON/2025/35).

  52. O grupo de trabalho foi liderado pelo vice‑presidente Luis de Guindos, e entre os outros membros contaram‑se os membros do Conselho do BCE Joachim Nagel (Deutsche Bundesbank), Madis Müller (Eesti Pank), François Villeroy de Galhau (Banque de France), Fabio Panetta (Banca d’Italia) e Olli Rehn (Suomen Pankki – Finlands Bank), bem como Sharon Donnery na qualidade de representante do BCE no Conselho de Supervisão.

  53. Ver Simplification of the European prudential regulatory, supervisory and reporting framework, BCE, 11 de dezembro de 2025.

  54. Para mais informações sobre o Comité Conjunto de Reporte Bancário, consultar o sítio do BCE.

  55. Regulamento (UE) 2024/886 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 13 de março de 2024, que altera os Regulamentos (UE) n.º 260/2012 e (UE) 2021/1230 e as Diretivas 98/26/CE e (UE) 2015/2366 no que diz respeito às transferências a crédito imediatas em euros (JO L, 2024/886, 19.3.2024).

  56. Outras disposições do regulamento tiveram igualmente um impacto no volume e no valor dos pagamentos imediatos liquidados, em especial o requisito de os prestadores de serviços de pagamento fixarem encargos por pagamentos imediatos não superiores aos aplicados a outras transferências a crédito e a supressão do limite máximo de valor para os pagamentos imediatos.

  57. O banco central da Bulgária passou a ser o 21.º banco central nacional do Eurosistema quando o país adotou o euro em 1 de janeiro de 2026.

  58. Ver TARGET Services incident of 27th February 2025 – Post mortem Report, BCE, novembro de 2025.

  59. A implementação das poucas medidas restantes foi concluída no primeiro trimestre de 2026.

  60. O dispositivo do utilizador seria pré‑financiado, com fundos armazenados localmente. Para mais informação, ver a página sobre o euro digital do sítio do BCE.

  61. Ver o comunicado do BCE, de 1 de julho de 2025, intitulado “ECB commits to distributed ledger technology settlement plans with dual‑track strategy”.

  62. Ver Hanssens, B., Sandín de Vega, D. e Franziska Sowa, H., “Advancing the capital markets union in Europe: a roadmap for harmonising securities post‑trading”, Boletim Económico, Número 4, BCE, 2025.

  63. Este exercício anual permite ao BCE classificar os sistemas de pagamentos em função da sua importância sistémica.

  64. Regulamento (UE) 2025/1355 do Banco Central Europeu, de 2 de julho de 2025, relativo aos requisitos de superintendência de sistemas de pagamentos sistemicamente importantes (BCE/2025/22) (JO L, 2025/1355).

  65. Regulamento (UE) 2022/2554 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 14 de dezembro de 2022, relativo à resiliência operacional digital do setor financeiro e que altera os Regulamentos (CE) n.º 1060/2009, (UE) n.º 648/2012, (UE) n.º 600/2014, (UE) n.º 909/2014 e (UE) 2016/1011 (JO L 333 de 27.12.2022, p. 1).

  66. Regulamento (UE) 2023/1114 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 31 de maio de 2023, relativo aos mercados de criptoativos e que altera os Regulamentos (UE) n.º 1093/2010 e (UE) n.º 1095/2010 e as Diretivas 2013/36/UE e (UE) 2019/1937 (JO L 150 de 9.6.2023, p. 40).

  67. Este ano, a abrangência do inquérito sobre cibersegurança foi alargado – além dos sistemas de pagamentos sistemicamente importantes, das centrais de depósito de títulos e das contrapartes centrais – a entidades que disponibilizam instrumentos, sistemas e acordos de pagamento eletrónico (entidades PISA).

  68. Ver o comunicado do BCE, de 30 de abril de 2025, intitulado “ECB introduces changes to the dedicated credit facility for euro area CCPs”.

  69. Regulamento (UE) n.º 909/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de julho de 2014, relativo à melhoria da liquidação de valores mobiliários na União Europeia e às Centrais de Valores Mobiliários (CSDs) e que altera as Diretivas 98/26/CE e 2014/65/UE e o Regulamento (UE) n.º 236/2012 (JO L 257 de 28.8.2014, p. 1).

  70. Regulamento (UE) 2022/858 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 30 de maio de 2022, relativo a um regime‑piloto para as infraestruturas de mercado baseadas na tecnologia de registo distribuído e que altera os Regulamentos (UE) n.º 600/2014 e (UE) n.º 909/2014 e a Diretiva 2014/65/UE (JO L 151 de 2.6.2022, p. 1).

  71. Proposta de regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho relativo ao curso legal das notas e moedas em euros (COM/2023/364 final).

  72. Ver, por exemplo, “Keep calm and carry cash: lessons on the unique role of physical currency across four crises”, Boletim Económico, Número 6, BCE, 2025.

  73. Orientação (UE) 2025/333 do Banco Central Europeu, de 31 de janeiro de 2025, relativa à informação estatística a reportar sobre o património, o rendimento e o consumo do agregado doméstico privado (BCE/2025/3) (JO L, 2025/333, 27.2.2025).

  74. Orientação (UE) 2025/603 do Banco Central Europeu, de 7 de março de 2025, relativa às estatísticas das finanças públicas (BCE/2025/9) (reformulação) (JO L, 2025/603, 31.3.2025).

  75. Ver Matteo, M., Rodríguez Caloca, A. e Torri, C., “Enhancing the breakdowns of portfolio investment in debt securities”, Blogue sobre Dados do BCE, BCE, 29 de julho de 2025.

  76. Orientação (UE) 2025/2212 do Banco Central Europeu, de 2 de outubro de 2025, que altera a Orientação (UE) 2021/833 relativa à informação estatística a reportar sobre dados bancários consolidados (BCE/2021/14) (BCE/2025/34) (JO L, 2025/2212, 21.11.2025).

  77. As empresas de investimento de classe 1 são grandes empresas de investimento semelhantes aos bancos, sujeitas às mesmas regras prudenciais que as instituições de crédito.

  78. Regulamento (CE) n.º 2533/98 do Conselho, de 23 de novembro de 1998, relativo à compilação de informação estatística pelo Banco Central Europeu (JO L 318 de 27.11.1998, p. 8).

  79. Recomendação referente a um Regulamento do Conselho que altera o Regulamento (CE) n.º 2533/98 relativo à compilação de informação estatística pelo Banco Central Europeu (BCE/2025/17) (JO C, C/2025/3224, 17.6.2025).

  80. Regulamento (UE) 2026/415 do Conselho, de 16 de dezembro de 2025, que altera o Regulamento (CE) n.º 2533/98 relativo à compilação de informação estatística pelo Banco Central Europeu (JO L, 2026/415, 20.2.2026).

  81. Regulamento (CE) n.º 184/2005 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 12 de janeiro de 2005, relativo a estatísticas comunitárias sobre a balança de pagamentos, o comércio internacional de serviços e o investimento direto estrangeiro (JO L 35 de 8.2.2005, p. 23).

  82. Orientação do Banco Central Europeu, de 25 de julho de 2013, relativa às exigências de informação estatística do Banco Central Europeu em matéria de contas financeiras trimestrais (reformulação) (BCE/2013/24) (JO L 2 de 7.1.2014, p. 34).

  83. Orientação do Banco Central Europeu, de 9 de dezembro de 2011, relativa às exigências de informação estatística do Banco Central Europeu em matéria de estatísticas externas (reformulação) (BCE/2011/23) (JO L 65 de 3.3.2012, pp. 1).

  84. Orientação (UE) 2025/603 do Banco Central Europeu, de 7 de março de 2025, relativa às estatísticas das finanças públicas (BCE/2025/9) (reformulação) (JO L, 2025/603, 31.3.2025).

  85. A rede ChaMP visa melhorar os nossos conhecimentos sobre a forma como a política monetária é transmitida à economia europeia num contexto de choques sem precedentes, de mudanças estruturais e de uma alteração da dinâmica da inflação. É um projeto do SEBC.

  86. Ver Nickel, C. et al., “A strategic view on the economic and inflation environment in the euro area”, Série de Documentos de Trabalho Ocasionais, n.º 371, BCE, 2025.

  87. Ver Bańbura, M. et al., “A new model to forecast energy inflation in the euro area”, Série de Documentos de Trabalho, n.º 3062, BCE, 2025.

  88. Ver Arce, Ó. et al., “What caused the euro area post‑pandemic inflation?”, Série de Documentos de Trabalho Ocasionais, n.º 343, BCE, 2024, e Bańbura, M. et al., “What drives core inflation? The role of supply shocks”, Série de Documentos de Trabalho, n.° 2875, BCE, 2023.

  89. Ver, por exemplo, os modelos de floresta de regressão por quantis de Lenza, M. et al., “Density forecasts of inflation: a quantile regression forest approach”, Série de Documentos de Trabalho, n.º 2830, BCE, 2025; os modelos com a transmissão da política monetária dependente do Estado de Karadi, P. et al.,Strike while the iron is hot – optimal monetary policy under state‑dependent pricing”, Série de Documentos de Trabalho, n.º 3068, BCE, 2025, e Jaccard, I., “Monetary asymmetries without (and with) price stickiness”, Série de Documentos de Trabalho, n.º 2928, BCE, 2024.

  90. Ver Aguilar, P. et al., “The Transmission of Foreign Shocks in a Networked Economy”, Documentos de Trabalho, n.º 2607, Banco de España, 2026.

  91. Ver Kase, H. e Rigato, R. D., “Beyond averages: heterogeneous effects of monetary policy in a HANK model for the euro area”, Série de Documentos de Trabalho, n.º 3086, BCE, 2025.

  92. Ver Bobasu, A. et al., “Monetary policy transmission: a reference guide through ESCB models and empirical benchmarks”, Série de Documentos de Trabalho, n.º 377, BCE, 2025.

  93. Ver Chahad, M. et al., “Análise atualizada da exatidão das projeções macroeconómicas elaboradas por especialistas do Eurosistema/BCE publicadas recentemente para a inflação de curto prazo”, Boletim Económico, Número 2, BCE, 2024.

  94. Esta decisão segue‑se aos acórdãos do TJUE nos processos conexos C‑566/23, C‑571/23 e C‑574/23.

  95. Diretiva 2014/59/UE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 15 de maio de 2014, que estabelece um enquadramento para a recuperação e a resolução de instituições de crédito e de empresas de investimento e que altera a Diretiva 82/891/CEE do Conselho, e as Diretivas 2001/24/CE, 2002/47/CE, 2004/25/CE, 2005/56/CE, 2007/36/CE, 2011/35/UE, 2012/30/UE e 2013/36/UE e os Regulamentos (UE) n.º 1093/2010 e (UE) n.º 648/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho (JO L 173 de 12.6.2014, p. 190).

  96. Regulamento (UE) n.º 1024/2013 do Conselho, de 15 de outubro de 2013, que confere ao BCE atribuições específicas no que diz respeito às políticas relativas à supervisão prudencial das instituições de crédito (JO L 287 de 29.10.2013, p. 63).

  97. Diretiva (UE) 2024/1619 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 31 de maio de 2024, que altera a Diretiva 2013/36/UE no respeitante aos poderes de supervisão, às sanções, às sucursais de países terceiros e aos riscos ambientais, sociais e de governação (JO L, 2024/1619, 19.6.2024).

  98. Tal explica por que razão o número de questões abrangidas pelos pareceres é superior ao número dos pareceres adotados.

  99. Regulamento (CE) n.º 3603/93 do Conselho, de 13 de dezembro de 1993, que especifica as definições necessárias à aplicação das proibições enunciadas no artigo 104.º e no n.º 1 do artigo 104.º‑B do Tratado (JO L 332 de 31.12.1993, p. 1).

  100. Regulamento (CE) n.º 3604/93 do Conselho, de 13 de dezembro de 1993, que especifica as definições com vista à aplicação da proibição de acesso privilegiado enunciada no artigo 104.º‑A do Tratado (JO L 332 de 31.12.1993, p. 1).

  101. A maioria destas decisões é publicada no sítio do BCE, na secção “Other decisions”.

  102. Para uma avaliação das tendências em torno do máximo histórico registado no apoio ao euro, ver a caixa intitulada “Hitting record highs: unpacking support for the euro”, Boletim Económico, Número 7, BCE, 2025.

  103. O BCE tem estatuto de observador no FMI, com um representante permanente do BCE na sede do FMI em Washington, D.C. O observador do BCE participa em reuniões específicas do Conselho de Administração do FMI.

  104. Sovereign Debt Restructuring: A Playbook for Country Authorities, Mesa‑Redonda Mundial sobre a Dívida Soberana, FMI, 2025.

  105. Ilzetzki, E., Reinhart, C. e Rogoff, K., “Exchange Arrangements Entering the Twenty‑First Century: Which Anchor will Hold?”, The Quarterly Journal of Economics, vol. 134, Número 2, maio de 2019, pp. 599‑646.

  106. Ver o discurso de Isabel Schnabel, membro da Comissão Executiva do BCE, intitulado “Financial literacy and monetary policy transmission”, no contexto da “Mais Lecture” de 2025 na Bayes Business School, em 27 de março de 2025.

  107. A taxa de mobilidade interna refere‑se a qualquer mudança horizontal permanente ou temporária, entre divisões ou unidades organizacionais, de membros do pessoal com contrato permanente ou a termo, excluindo participantes no Programa do BCE para Graduados.

  108. Consultar a página sobre temperaturas mundiais e europeias, no sítio da Agência Europeia do Ambiente.

  109. Ver o indicador da Agência Europeia do Ambiente das perdas económicas anuais causadas por fenómenos meteorológicos e climáticos extremos nos Estados‑Membros da UE.

  110. Ver a página sobre biodiversidade, no sítio da Agência Europeia do Ambiente.

  111. Ver o plano do BCE para o clima e a natureza em 2024 e 2025.

  112. Ver o plano de ação de 2021 do BCE para incluir considerações climáticas na política monetária, as prioridades prudenciais no período de 2022 a 2024 e a agenda climática do BCE em 2022.

  113. Caggese, A., Chiavari, A., Goraya, S. e Villegas‑Sanchez, C., “Climate change, firms and aggregate productivity”, Boletim de Estudos Económicos, n.º 132, BCE, 24 de junho de 2025.

  114. Caggese, A., Chiavari, A., Goraya, S. e Villegas‑Sanchez, C., “Climate change, firms and aggregate productivity”, Série de Documentos de Trabalho, n.º 3084, BCE, 2025.

  115. Parker, M., “Has the heatwave been driving you nuts?”, Blogue do BCE, BCE, 13 de julho de 2025.

  116. Fontana, A., Jarmulska, B., Scheid, B., Scheins, C. e Schwarz, C., “From flood to fire: is physical climate risk taken into account in banks’ residential mortgage rates?”, Série de Documentos de Trabalho, n.º 3036, BCE, 2025.

  117. Foerster, K., Ryan, E. e Scheid, B., “Pricing or panicking? Commercial real estate markets and climate change”, Série de Documentos de Trabalho, n.º 3059, BCE, 2025.

  118. Cappiello, L., Ferrucci, G., Maddaloni, A. e Veggente, V., “Creditworthy: do climate change risks matter for sovereign credit ratings?”, Série de Documentos de Trabalho, n.º 3042, BCE, 2025.

  119. Mongelli, F.P., Ceglar, A. e Scheid, B., “Why do we need to strengthen climate adaptations? Scenarios and financial lines of defense”, Série de Documentos de Trabalho, n.º 3005, 2024.

  120. Ceglar, A., Jwaideh, M., O’Donnell, E., Danieli, F., Pasqua, C., Hutchinson, J., Cimini, F., Sabuco, J., Alvarez, J., Ranger, N. e Heemskerk, I., “Nature at risk: Implications for the euro area economy and financial stability”, Série de Documentos de Trabalho Ocasionais, n.º 380, BCE, 2025.

  121. Boldrini, S. et al., “Living in a world of disappearing nature: physical risk and the implications for financial stability”, Série de Documentos de Trabalho Ocasionais, n.º 333, BCE, Frankfurt am Main, 2023.

  122. Ceglar, A. et al., “Nature at risk: Implications for the euro area economy and financial stability,” Série de Documentos de Trabalho Ocasionais, n.º 380, BCE, Frankfurt am Main, 2025.

  123. Hirschbühl, D. et al., “The climate‑biodiversity‑pollution nexus: the pricing of environmental credit risks for European industrial polluters”, Série de Documentos de Trabalho, n.º 3164, BCE, Frankfurt am Main, 2025.